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Ayrton Senna: a recordação de uma lenda da Fórmula 1

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Quando o dia 1 de Maio de 1994 surgiu no calendário ninguém no mundo inteiro estaria ciente de que esse seria o dia em que o universo do automobilismo sofreria uma perda incomensurável. Com efeito, não seria só o desporto a sofrer essa perda. Um pouco por todo o mundo e por todos os quadrantes, os olhos de milhões de pessoas ficaram pejados de lágrimas de tristeza pela morte de Ayrton Senna da Silva, considerado por muitos como o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos.

O brasileiro, nascido em São Paulo a 21 de Março de 1960, competia no Grande Prémio de São Marino, disputado no Circuito Enzo e Dino Ferrari, em Imola, quando um acidente lhe roubou a vida, naquele que viria a ser conhecido como o fim-de-semana mais negro da história da Fórmula 1. Nos treinos de sexta-feira, Rubens Barrichello, que tinha em Senna um ídolo, despistou-se aparatosamente na Variante Bassa, sofrendo lesões severas que o afastaram do resto do evento, mas que não tiveram consequências sérias para o seu futuro.

A morte de regresso

No dia seguinte, sábado, o espectro da morte voltou a assombrar a modalidade após uma série de anos em que a ausência de acidentes fatais provocou uma falsa sensação de imunidade: em 1990, Martin Donnelly escapou miraculosamente a um acidente impressionante em Jerez de la Frontera, no qual o seu Lotus se partiu ao meio, ‘ejectando’ o piloto para o meio da pista; em 1993, Alex Zanardi, também num Lotus, sofreu lesões sérias, mas também escapou com vida num acidente apavorante em Spa-Francorchamps.

No entanto, em 1994, não houve benevolência divina para com os ‘gladiadores’ das pistas da competição pináculo do automobilismo. Na segunda sessão de qualificação, Roland Ratzenberger, piloto austríaco que cumpria naquela temporada o seu sonho de competir na Fórmula 1, embateu violentamente com o seu Simtek no muro de betão da curva Villeneuve após a quebra de um dos elementos da asa dianteira do seu monolugar. A gravidade da situação ficou evidente de imediato, confirmando-se pouco depois o pior cenário para o austríaco. A primeira fatalidade na Fórmula 1 desde a morte de Riccardo Paletti (Osella) no GP do Canadá de 1982 (se não se contar com o acidente fatal do virtuoso Elio de Angelis em testes privados no circuito de Paul Ricard, em França).

Ayrton Senna, que chegava à terceira prova do mundial de Fórmula 1 sem qualquer ponto contra 20 de Michael Schumacher, que havia ganho as corridas no Brasil e Japão (GP do Pacífico), ficou abalado com a morte de Ratzenberger. O seu bom amigo, confidente e médico de todo o plantel da Fórmula 1, Sid Watkins, aconselhou-o a desistir da modalidade e a irem pescar, referindo que Senna, enquanto tricampeão, não tinha nada mais a provar. Apesar de tudo, o piloto da Williams prosseguiu com a sua intenção de competir e, no domingo de manhã, ao longo do warm-up, dedicou algumas palavras de apreço ao seu velho rival, Alain Prost, em emissão para a cadeia de televisão francesa TF1.

Na corrida, tudo viria a piorar. Após um acidente na partida (mais um), envolvendo o Lotus de Pedro Lamy e o Benetton de JJ Lehto, o safety car entrou em pista, liderando durante algumas voltas o ‘comboio’ de pilotos ansiosos por retomarem a sua ‘batalha’. Senna estava na liderança, seguido de perto por Schumacher. Na segunda volta após a saída do safety car, Senna abordou a curva de Tamburello a fundo, como sempre. Mas, desta feita, o Williams não manteve a trajectória ideal, seguindo em frente rumo ao muro de betão. O choque foi violento, com os detritos a inundarem a pista enquanto o próprio Williams, abandonado ao seu destino, regressava para junto da pista. O nervosismo foi crescendo à medida que os segundos passavam e da parte do piloto não existia nenhuma reacção. Milhões de espectadores em todo o mundo suspiraram em simultâneo quando o capacete amarelo tão característico se moveu ligeiramente, por um breve instante, mas desse movimento não houve qualquer sequência.

O piloto foi socorrido no local pela equipa médica liderada por Sid Watkins, que mesmo não sendo crente na fé religiosa, admitiu por diversas vezes ter sentido o espírito de Senna a ‘desaparecer’ ainda na pista, enquanto a medicina humana lutava para o salvar. Levado de helicóptero  para o hospital de Bolonha, o pior receio veio a confirmar-se horas depois.

A causa da morte, veio-se a saber posteriormente, foi um tirante da suspensão que perfurou a viseira, causando dessa forma lesões irreparáveis ao cérebro do piloto. Já a causa do acidente acabou por nunca ser totalmente descoberta, embora a quebra da coluna de direcção do Williams – alterada pouco tempo antes para permitir maior comodidade a Senna no habitáculo – seja apontada como a mais provável.

Figura de paixões…

Contudo, Ayrton Senna era muito mais do que uma figura do automobilismo. No seu país, era visto como um herói que levava o nome e a bandeira do Brasil além-fronteiras. Um exemplo de paixão e abnegação pelo seu país, criando instituições de solidariedade para ajudar crianças desfavorecidas. Era, também, um crente fervoroso na fé religiosa cristã, algo que adensou a sua aura ao longo dos anos. Muitos dos brasileiros ainda hoje se emocionam quando relembram aquele dia, no qual até o futebol quis prestar a sua homenagem a Ayrton com uma cena carregada de emoção. Aos 5 minutos do jogo São Paulo-Palmeiras, o árbitro Juan Escobar interrompeu a partida para que as equipas prestassem um minuto de silêncio em homenagem à morte do piloto. César Sampaio ajoelhou-se, desfeito em lágrimas, enquanto as claques preferiram gritar bem alto o nome do seu ídolo.

Escassos dias depois, milhares de pessoas juntaram-se nas ruas de São Paulo para uma última e sentida homenagem a Senna. Mas o brasileiro foi também um ídolo noutros países.

1990 Mexico GP
1990 Mexico GP

Em Portugal, onde passava férias e tinha uma base fiel de amigos, Senna era igualmente tido como um piloto excepcional, a figura pela qual a grande maioria dos espectadores torcia nas corridas de domingo. A sua primeira vitória, alcançada no dilúvio do GP de Portugal de 1985, dando razão ao velho provérbio ‘Em Abril águas mil’, apenas serviu para aprofundar a relação entre os portugueses e o piloto paulista.

No Japão era igualmente adorado, havendo quem diga que até mais do que no Brasil. A sua ligação à Honda, construtora que forneceu os motores para os McLaren com que se sagrou campeão em 1988, 1990 e 1991, tornou-o popular no país do Sol Nascente. O próprio fundador da companhia, Soichiro Honda, via em Senna um exemplo de talento e persistência. No âmbito desse relacionamento, o piloto também deu o contributo para o desenvolvimento do superdesportivo NSX, com o qual a Honda mostrou à Ferrari e Porsche como se produziam desportivos competentes e fiáveis. A popularidade de Senna tornou-o até numa personagem de banda desenhada japonesa (manga), com Akira Toriyama a transportar a imagem do piloto para as páginas da revista Shonen Jump, onde partilhava espaço com as figuras de Dragon Ball Z, que também ‘andaram’ de McLaren-Honda…

1989 Australia GP
1989 Australia GP

Na pista, contudo, Senna era tido como um piloto extremamente talentoso. Houve quem dissesse que ‘Deus compunha música pela pena de Mozart e conduzia um Fórmula 1 pelas mãos de Senna’. Na memória dos adeptos residem ainda hoje as imagens de um piloto concentrado dentro do seu monolugar, por vezes olhando para o céu, quiçá numa conversa com a força maior na qual acreditava piamente. O seu talento, esse, era à prova de qualquer dúvida. Capaz de se lançar numa incrível e impressionante volta no exíguo e exigente circuito do Mónaco para deixar o seu companheiro de equipa e rival figadal, Alain Prost, a 1,5 segundos de distância na qualificação para o GP do Mónaco de 1988. Capaz, igualmente, de pilotar à chuva como se o piso estivesse seco, como tantas vezes demonstrou. A primeira volta do GP da Europa de 1993, em Donington, ainda hoje é apontada como uma das melhores da competição, assim como o seu momento de ‘descoberta’, ocorrido no GP do Mónaco de 1984, com um modesto Toleman.

… e de polémicas

Por outro lado, foi também um piloto que se viu envolvido em situações polémicas, desenvolvendo com Prost uma rivalidade intensa que gerou acusações mútuas e situações muito complicadas, como disso são exemplo os dois episódios de Suzuka, em 1989 e 1990, quando colidiu com Prost em corridas decisivas para o título. No primeiro, venceu a corrida e foi desclassificado, com o título a ser entregue a Prost. Começou aí uma ‘guerra’ também contra o presidente da Federação Internacional do Automóvel (então conhecida como FISA), Jean-Marie Balestre, acusando-o de favorecer Prost. Um ano depois, em jeito de ‘vingança’ envolveu-se com Prost noutro acidente, na primeira curva da corrida, garantindo assim o ceptro.

Mas aquilo que não se pode negar de Ayrton Senna é a sua passagem à qualidade de lenda, um talento inegável que encheu as pistas de magia. Pelas suas mãos não se guiava apenas um monolugar de Fórmula 1, guiavam-se também milhões de adeptos um pouco por todo o mundo.

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