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Ensaio Ford Mondeo 2.0 HEV Titanium: No reino da eficiência

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A tecnologia híbrida continua a ser encarada como a solução ideal para muitos construtores, tratando-se de um recurso técnico que alia a mais-valia da mobilidade eléctrica à utilidade sempre presente do motor térmico, com a conjugação de ambos a garantir um consumo mais reduzido face a versões puramente tradicionais e autonomia mais longa.

Neste sentido, a primeiro Ford híbrido produzido na Europa, denominado muito apropriadamente Hybrid Electric Vehicle (HEV), recorre a um esquema tradicional no que diz respeito ao conjunto de motorização, unindo um motor térmico a gasolina de 140 cv de ciclo Atkinson (cujo melhor rendimento é obtido em médios regimes) a dois motores eléctrico (um deles com 120 cv), o que resulta numa potência combinada de 187 cv. Importa referir que não se trata de uma gralha ou erro, mas sim do valor correcto, já que a potência dos dois motores nunca é obtida ao mesmo tempo, daí a discrepância no valor final.

Da aula teórica…

Se tecnicamente este esquema pode parecer complexo, do ponto de vista prático acaba por resultar bem. O recurso a um motor de 2.0 litros com ciclo Atkinson acaba por ser uma solução encontrada pela Ford para dinamizar as potencialidades de cada tipo de motor. Ou seja, a capacidade de binário imediato dos motores eléctricos permite colmatar a menor capacidade de resposta em baixos regimes do bloco Atkinson, funcionando desta forma como uma integração inteligente para movimentar este Mondeo com rapidez e eficácia.

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O motor térmico de 140 cv surge associado a duas unidades eléctricas, uma de 120 cv, que ajuda ou movimenta por si só as rodas dianteiras, e outra, que serve de motor de arranque para o bloco de 2.0 litros, mas também de gerador de energia para a bateria de iões de lítio de 1.4 kWh, situada atrás dos bancos traseiros. Para transmitir a potência ao eixo dianteiro, a Ford escolheu uma caixa CVT, o que traz vantagens e algumas desvantagens, mas já voltaremos a este tema.

De forma curiosa, os três motores conseguem actuar como geradores para as baterias, embora em fases distintas: por exemplo, ao travar, a energia daí resultante é enviada para a bateria pelos motores eléctricos, enquanto o motor a gasolina fá-lo para evitar que a carga da bateria chegue a um limite mínimo durante a condução em modo puramente eléctrico (sem acelerações bruscas). Ou seja, mesmo que seja ‘desprezado’ em termos de locomoção, o motor térmico pode entrar em acção com a finalidade de alimentar as baterias. O conjunto surge ligado por uma engrenagem planetária que permite ao motor a gasolina funcionar constantemente no seu regime ideal, ou seja, optimizando o rendimento do conjunto para maior eficiência.

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Eficiência é mesmo o princípio fundamental do Mondeo HEV, já que até elementos como o ar condicionado foram revistos com o intuito de assegurar maior poupança de combustível. Com efeito, conta com compressor de ar condicionado específico para modelos eléctricos ou híbridos, que retira energia da bateria de alta voltagem, permitindo dessa forma que o motor térmico se desligue mais frequentemente sem prejudicar o sistema de climatização.

Tudo isto parece confuso, mas o que interessa reter é que o conceito colhe os frutos desejados, que são os de baixo consumo de combustível, emissões reduzidas e prestações suaves, mas decididas, tudo isso acompanhado de refinamento e conforto.

…à aula prática

Com efeito, o Mondeo HEV assume uma polivalência muito interessante com a sua capacidade híbrida. Ao carregar no botão de ignição, somos presenteados com algo que já não se estranha – o silêncio dos motores eléctricos. Estes mantêm-se em actividade enquanto a carga da bateria assim o permitir ou enquanto o condutor não abusar do acelerador. Aqui incide uma nuance particular no que diz respeito à condução de modelos híbridos ou eléctricos, já que somos instados a adoptar uma postura mais pausada e tranquila ao volante, algo que acaba por surgir de forma natural para tornar a experiência mais eficiente e recompensadora.

Em termos de utilização, há que destacar a enorme suavidade com que o motor térmico entra em acção, sendo praticamente imperceptível exceptuando pelo ruído que começa a ser produzido. Se não estiver preocupado com os consumos e eficiência de condução, o Mondeo HEV recompensa também pela rapidez das respostas proporcionadas pelo motor térmico em associação à unidade eléctrica, que ‘oferece’ o seu binário máximo logo desde o arranque. Assim, o lado das prestações está perfeitamente salvaguardado no caso deste Mondeo, tanto em aceleração (mostrando-se vigoroso), como nas recuperações. No entanto, a sua vantagem está fundamentalmente na cidade, onde é frequente rodar sem gastar gasolina e com base apenas na propulsão eléctrica. Já em vias rápidas, o modo eléctrico entra em funcionamento quando a velocidade é estável e a pressão no acelerador é diminuta, mas a necessidade de ultrapassar em auto-estrada ou as subidas frequentes das nacionais lusas acabam por obrigar ao funcionamento do motor térmico.

Não obstante, o Mondeo HEV é poupado. Muito poupado. Com 187 cv de potência, este modelo, unicamente disponível na carroçaria de quatro portas, consegue uma média de consumo de apenas 5,4 l/100 km, algo que é muito mais usual em pequenos motores Diesel em redor dos 1.6 litros e com peso mais contido. A condução, em si, oferece uma particularidade na forma do modo ‘L’ da alavanca da caixa, sinónimo de ‘Low’, a qual providencia uma maior recuperação de energia para as baterias, e de uma pequena ‘tecla’ lateral presente no punho da alavanca da caixa, que serve para o mesmo efeito em descidas.

O lado menos positivo de toda esta equação tem uma designação: CVT (transmissão contínua variável). É mais eficiente, mas, por outro lado, resulta ruidosa (embora seja de enaltecer o trabalho feito pelos engenheiros da Ford na supressão do barulho) e parece não providenciar uma relação directa entre as rotações do motor térmico e a velocidade do veículo, algo que salta mais à vista nas recuperações. Não sendo defeito, é mesmo característica deste tipo de caixas, alternativas às por vezes bruscas e menos lineares caixas automáticas.

Em termos dinâmicos, o Mondeo HEV surpreende pela agilidade e pela resposta do chassis, sinais exemplificativos de que o trabalho da Ford na concepção desta variante foi bem executado. A combinação entre conforto e comportamento assume um bom patamar, cabendo aos pneus de baixo atrito da Michelin (em medidas 215/60 R16) um bom contributo na hora de manter os ocupantes protegidos das irregularidades do asfalto, ainda que penalizem ligeiramente a aderência em curvas feitas de forma mais ‘despachada’. O peso superior do conjunto (1579 kg) também lhe retira algum dinamismo, sentindo-se sobretudo na transferência de massas em curva, mas a suspensão gere bem esse mesmo esforço.

Conforto a bordo

Olhando para o exterior, o Mondeo HEV destaca-se pelas dimensões generosas. Neste caso, apresenta um comprimento total de 4867 mm, o que se reflecte numa habitabilidade exemplar no interior, com espaço a rodos para todos os ocupantes, em especial nos lugares posteriores e em todas as vertentes – espaço para as pernas, largura e altura. Ainda a respeito do interior, este Ford aposta na qualidade de montagem e no requinte dos materiais, a par de disposição racional e eficaz dos comandos. Já na bagageira, surge um outro inconveniente da versão híbrida: o posicionamento das baterias rouba capacidade e funcionalidade à mala. Com efeito, esta versão Hybrid disponibiliza apenas 383 litros, além de um degrau pouco funcional na parte junto aos bancos traseiros.

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Nota, ainda, para o painel de instrumentos diferenciado das restantes versões, existindo dois ecrãs distintos, com alguns dos mostradores dedicados ao funcionamento do sistema híbrido e o já habitual grafismo de ecologia com folhas verdes a mostrarem o nível de eficiência da condução.

Contas de subtrair

Além da eficiência, conforto e habitabilidade, o Mondeo HEV destaca-se, também, por uma particularidade: o equipamento. A Ford dotou esta berlina de fortes atributos em termos de equipamento, propondo de série ar condicionado automático bi-zona, bancos dianteiros aquecidos, sistema SYNC II com Assistência de Emergência e ecrã táctil de 8”, estacionamento automático, aviso de saída de estrada, reconhecimento dos sinais de trânsito e alerta ao condutor. Adicionalmente, é ainda oferecido o sistema de navegação, faróis LED adaptativos e sistema de som Premium.

O sistema SYNC II agrupa de forma inteligente os quatro eixos de funcionalidades do automóvel, desde a climatização ao telefone, passando pela navegação (como já se referiu, uma oferta da marca para a versão Titanium) e sistema de áudio. Além disso, a sua grande mais-valia prende-se com a qualidade da resposta aos comandos vocais.

Depois, surge outro factor capaz de desequilibrar a balança a favor do Mondeo HEV – o preço e os seus descontos. Isto é, aos 37.030 euros propostos pela Ford para esta versão Titanium, a marca propõe um valioso desconto directo de 2050 euros, a que pode ser acrescentado um outro, muito mais generoso, na forma do Financiamento Ford Crédito, de 3350 euros. Ou seja, no total, o Mondeo HEV pode ficar por interessantíssimos 31.630 euros…

Veredicto

O Mondeo HEV embarca na onda dos híbridos, naquela que é – ainda – uma das soluções mais objectivas para a questão da mobilidade sustentada, enquanto a tecnologia eléctrica ou de pilha de combustível a hidrogénio não dão os passos decisivos para se imporem. Assim, este Ford assume-se como uma proposta tremendamente competente, com baixo consumo, de fácil utilização diária e bem equipada. Além de que não tem verdadeiramente concorrência no seu segmento em termos de tamanho e relação preço-equipamento. O preço quase de arromba torna este Mondeo numa proposta verdadeiramente singular e atractiva para quem procura algo ecológico mas com a ‘rede de segurança’ de um motor tradicional.

FICHA TÉCNICA

Motor a gasolina
Tipo 4 cilindros em linha, transv., inj.indirecta
Cilindrada 1999
Diâmetro x curso (mm) 87,5×83,1
Taxa compressão 12,3:1
Potência máxima (cv/rpm) 140/6000
Binário máxim0 (Nm/rpm) 173/4000
Motor eléctrico
Potência máxima (cv/rpm) 120/-
Binário máximo (Nm/rpm) 240/-
Bateria/Autonomia  Iões de lítio de 1.4 kWh/-
Potência conjunta (cv/rpm)  187/6000
Binário máximo (Nm/rpm)  -/1750-4500
Tracção Dianteira
Caixa Contínua variável (CVT)
Direcção Pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica
Dimensões e pesos
Comp./largura/altura (mm) 4867/1852/1501
Distância entre eixos (mm) 2850
Largura de vias fte/tras. (mm) 1599/1595
Travões fr/tr. Discos ventilados/discos
Peso (kg) 1579
Capacidade da bagageira (l) 383
Depósito de combustível (l) 53
Pneus série Michelin Energy Saver – 215/60 R16
Prestações e consumos
Aceleração 0-100 km/h (s) 9,2
Velocidade máxima (km/h) 187
Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 5,0-/2,8/4,2
Emissões de CO2 (g/km) 99
Preço (Euros) 37.030 (31.630 após descontos)

Equipamento

Série

ABS – Sistema de travões anti-bloqueio com EBD
ESP – Controlo electrónico de estabilidade (inclui EBA)
Airbags condutor e passageiro; Airbags laterais à frente; Cortinas laterais insufláveis
Cruise control
Imobilizador electrónico do motor
Sistema Stop/Start
Sistema de Controlo em curva
Indicador de pressão dos pneus
Sistema EasyFuel
ISOFIX
Ar Condicionado automático bi-zona
Coluna de direcção ajustável em inclinação e profundidade
Banco dianteiros aquecidos com ajuste lombar
Vidros escurecidos
Vidros eléctricos à frente e atrás
Sistema SYNC II com Assistência de Emergência Ford
Ecrã Táctil de 8”
Punho da alavanca das mudanças forrado a couro com friso cromado
Travão de parque eléctrico
Retrovisor interior electrocromático
Apoio de braços telescópico do lado do condutor
Espelhos retrovisores eléctricos aquecidos
Espelhos rebatíveis electricamente
Faróis de nevoeiro dianteiros
Controlo de médios automático
Sensor de luminosidade
Sensor de chuva
Sistema de Chave Inteligente
Aviso de saída de estrada
Assistência à saída de faixa de rodagem
Reconhecimento dos sinais de trânsito
Sistema auxiliar de estacionamento à frente e atrás
Alerta ao Condutor

Opcionais da versão ensaiada
Estofos parcialmente em couro (1423€)
Câmara de visão traseira (356€)
Sistema de Navegação + SYNC II + Sistema de som Premium com 9 altifalantes (Oferta)

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