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Ensaio Alfa Romeo Giulia 2.2 Diesel Super: Sedução à Italiana

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A caixa de seis velocidades tem um manuseamento firme, mas é precisa na engrenagem de relações, além de contar com um escalonamento indicado para o motor 2.2 diesel. Porém, nem tudo são rosas. Ou melhor, também há um espinho aqui e ali, sendo que o mais relevante é mesmo o do ruído do motor, que é algo intrusivo no habitáculo, sobretudo em cidade, onde o binário é mais solicitado, deixando transparecer igualmente algumas vibrações para o interior (aqui mais a frio).

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Quanto a consumos, são altos, mas não exagerados: 6,1 l/100 km de média no nosso ensaio (60% de circulação urbana e os restantes 40% entre nacionais e vias rápidas a velocidades legais constantes). Adequado à sua utilização, todavia.

Passo em frente no habitáculo

Com isto fora do caminho, o Alfa Romeo Giulia tem um habitáculo com medidas capazes de levar quatro passageiros com bastante comodidade. Atrás, a experiência é bastante positiva, mas também tem as suas particularidades: os bancos são fundos e oferecem bastante espaço em altura até ao tejadilho (95 cm), o mesmo sucedendo com a amplitude para as pernas, que é igualmente muito boa. Mas o túnel central (configuração de tração traseira oblige) bastante elevado e largo desaconselha a transportar um terceiro passageiro atrás que não apenas em soluções de recurso. Além disso, as partes laterais dos bancos são muito inclinadas para dentro, ou seja, acomodam bem mas a saída dos mesmos é dificultada. O que aliado ao parco ângulo de abertura das portas torna a saída dos lugares posteriores algo estranha… Outro espinho.

Ainda a bordo, destaque-se o enorme salto dado pela Alfa Romeo em termos qualitativos, com um interior bem concebido, lógico, em que tudo parece estar no sítio ‘certo’. Ainda não é perfeito (percetível por exemplo na pega de abertura das portas), mas a maioria dos materiais e a construção estão num nível muito elevado, ombreando com os Alemães graças à profusão de elementos em pele e superfícies macias ao toque. Faltam, porém, espaços de arrumação para objetos mais pequenos – há nas portas, na consola central e túnel central (compartimento coberto), mas são pequenos. Além disso, os bancos traseiros não rebatem, sendo esta possibilidade relegada para o leque de opcionais por 250 euros (bem-vindos a 1999…).

A configuração do sistema de infoentretenimento tem por base o comando rotativo no túnel central e aqui, num lamento mais particular do que outra coisa, admita-se que a mão tende a carregar no botão para dentro quando se vai ao comando do volume (do lado direito da consola) com um pouco mais de veemência. O sistema de infoentretenimento é de fácil apreensão em termos de funcionamento, apresentando o ecrã de 8.8″ boa leitura e sendo o ponto central de controlo para a vastidão dos sistemas.

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Entrando de rompante pelo equipamento, diga-se que o Alfa Romeo Giulia surge bem equipado de série, estando munido de ar condicionado automático bi-zona, sistema de alerta de colisão, aviso de desvio da faixa de rodagem (atuando através de um ruído emitido de cada lado do veículo pelos altifalantes), sensores de chuva e de luminosidade e cruise control. Da parte dos opcionais, nota para o sistema multimédia Connect 3D Nav 8,8″ (1850 euros) e para o Pack Driver Assistance, que contém sensores de estacionamento dianteiro e traseiro com câmara incluída (500 euros). O preço da versão base Super é de 44.400 euros, em linha com a grande maioria dos seus rivais Premium. Note-se, ainda, que a Alfa tem uma versão 2.2 de 150 cv, mais acessível.

VEREDICTO

Assistir ao regresso da Alfa Romeo ao segmento das berlinas Premium (médio-alto) com o Giulia é como assistir a um filme em que o personagem principal, após um caminho atribulado (no processo, estabelecendo um páthos com o espectador), surge exultante no final. A Alfa atravessou um momento complicado nos últimos anos, esteve quase no ‘tapete’, mas levantou-se, agarrada às ‘cordas’ esticadas por Marchionne. Paralelismos metafóricos à parte, o novo Giulia promove um muito relevante regresso a um segmento do qual a marca esteve demasiado tempo afastada. Salto qualitativo a todos os níveis, estética sensual – e técnica elaborada contribuem, num conjunto de virtudes, para o colocar como alternativa válida a qualquer um dos players deste segmento, do A ao V, passando por tudo o que está no meio.

Recupere-se a pergunta do início: terão as marcas concorrentes razões para temer esta Giulia? Sim, algumas. O modelo de Arese tem pontos a melhorar (o ruído do motor, a acessibilidade à bagageira que poderia ser melhor e até mesmo a acessibilidade dos lugares traseiros), mas no seu cômputo serve o propósito de se tornar numa real alternativa às marcas Alemãs. Isto, sem contar que se oferece como um modelo de dinamismo quase sobrenatural, para reutilizar um termo usado mais acima, bem equipado e com motor competente. Pode não ser o melhor no geral, mas está perto, muito perto. Um regresso em grande. E, está garantido, não se lembrará de nenhum dos seus pecadilhos quando enfrentar aquela estrada sinuosa no regresso a casa às 19h00 de uma sexta-feira.

FICHA TÉCNICA
Alfa Romeo Giulia 2.2 Diesel Super CM6

Motor
Tipo       4 cilindros em linha, posição longitudinal, injeção direta, turbo, intercooler
Cilindrada (cm3)               2143
Diâmetro x curso (mm)                83,0 x 99,0
Taxa compressão    15,5:1
Potência máxima (cv/rpm) 180/3750
Binário máximo (Nm/rpm)    380/1500
Transmissão e direcção
Tração            Traseira
Caixa            Manual de 6 velocidades
Direção        Pinhão e cremalheira, com assistência elétrica
Dimensões e pesos
Comp./largura/altura (mm)   4643/1860/1436
Distância entre eixos (mm)    2820
Largura de vias fte/tras. (mm)    1557/1625
Travões fr/tr.    Discos ventilados/discos
Peso (kg)    1449
Capacidade da bagageira (l)    480
Depósito de combustível (l)    52
Pneus série – equipados     225/5R17 – 255/40 R18 (Pirelli Cinturato P7)
Prestações e consumos
Aceleração 0-100 km/h (s)    7,2
Velocidade máxima (km/h)    230
Extra-urb./urbano/misto (l/100 km)    3,5/5,2/4,2
Emissões de CO2 (g/km)    105
Preço versão base D3 (Euros)    44.400
Preço versão ensaiada (Euros) 50.730*

*Equipamento opcional

Sistema multimédia Connect 3D Nav 8,8″ (1850€)
Jantes em liga leve de 18″ turbina escurecidas com pneus Runflat (1200€)
Pack Driver Assistance (inlcui: sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro, traseiro com câmara – 500€)
Pack Sport APS (inclui: limpa faróis, acabamento de luxo, volante desportivo revestido em couro, pedais desportivos, faróis dianteiros bi-xénon, controlo de faróis, faróis direcionais, automática e variável com velocidade – 1500€)
Pintura metalizada – Azul Montecarlo (980€)

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