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O início do fim dos diesel?

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O escândalo com os motores turbodiesel da Volkswagen projeta uma sombra sobre o futuro dos automóveis Diesel na Europa, trazendo de novo para o debate a relação entre custos e benefícios deste tipo de combustível, sobretudo em termos ambientais.

A descoberta de que, sem o software, os motores da VW podiam ser 35% a 40% mais poluentes do que o anunciado causou grande impacto no mercado europeu, onde o Diesel domina sobre a gasolina.

Mas o mercado está a mudar e os problemas da VW nos EUA podem acelerar a mudança. Nos últimos anos, as melhorias tecnológicas nos motores gasolina melhoraram a eficiência em termos de consumos e emissões, reduzindo a vantagem de custos face aos Diesel.

O downgrading do parque automóvel, com o aumento de penetração dos modelos de segmentos mais baixos (onde o Diesel tem menos peso nas vendas) e a redução da cilindrada dos motores, também jogam a favor dos motores gasolina.

E o facto de na maioria dos países a gasolina ser mais barata do que o gasóleo, é mais um fator a contribuir para a mudança. Em países como Itália, França, Alemanha, Reino Unido, Espanha e Portugal, a taxa de dieselização já atingiu o seu máximo. A gasolina está a ganhar mercado.

Na Europa, onde o Diesel ainda representa cerca de metade da procura de produtos refinados, já se nota uma mudança para a gasolina nos registos de caros noivos, garante o Financial Times.

As toxinas produzidas pelos veículos Diesel têm estado sob o escrutínio crescente dos reguladores europeus. Apesar de emitirem menos dióxido de carbono do que os carros a gasolina, os Diesel produzem muito maiores quantidades de outros poluentes e isso pode levar a alterações nas leis sobre emissões. Em Londres e Paris, por exemplo, as autoridades metropolitanas já estão a preparar legislação para limitar a circulação de veículos Diesel no centro da cidade. E isto é apenas o começo.

O Financial Times recorda que os elevados custos das próximas gerações de tecnologias anti-poluição vão tornar os motores Diesel ainda mais caros, reforçando a tendência favorável aos modernos propulsores gasolina, que tem consumos já próximos do que era normal nos Diesel.

Os legisladores na Europa estão cada vez mais adeptos da gasolina em detrimento do Diesel, até porque há uma preocupação crescente sobre os efeitos na saúde das emissões de partículas.

Apesar disso, o Diesel manter-se-à como um componente essencial do mix dos transportes na Europa. A procura de Diesel não está a diminuir, está apenas a crescer a um ritmo mais lento, garante um analista de mercado ao Financial Times. Nos primeiros seis meses do ano, a procura mundial de gasolina aumentou 2,6% e a de Diesel 1,9%.

Em Portugal, dos automóveis nos oito primeiros meses, o Diesel continuou a dominar, valendo  67% das vendas face aos 31% da gasolina. Mas enquanto o Diesel perdeu 4% de quota, a gasolina recuperou 3. E nos dois segmentos mais baixos do mercado, onde o peso das frotas é menor e a escolha dos particulares vale mais, a gasolina já representa mais de metade das vendas.

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