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Ensaio Kia Sportage 1.7 CRDi: Vontade de ser referência

A evolução que algumas marcas automóveis têm registado é particularmente impressionante. Pegue-se no exemplo da Kia, que há pouco mais de uma década era vista como uma marca de modelos de estilo algo desinspirado e que hoje é uma marca completamente renovada para melhor. Integrada no grupo da sua conterrânea Hyundai, a Kia surge hoje no mercado com um leque apelativo de produtos, avançado tecnologicamente e com relação preço/qualidade altamente interessante. Mas estes são considerandos que terão de ser deixados para o final. Volte-se à perceção geral da marca, algo que muito deve a Peter Schreyer, o homem-forte do desenho que o Grupo Hyundai contratou ao Grupo Volkswagen e que colocou a marca Sul-Coreana como uma daquelas com melhor visual no panorama atual da indústria.

Não deixa, por isso, de ser importante notar que o novíssimo Kia Sportage seja uma das propostas visualmente mais interessantes do segmento dos SUV compactos, que continua a crescer e a merecer uma maior atenção por parte dos construtores. Evoluindo a sua tradicional grelha de estilo ‘Tiger Nose’ e fazendo munir-se de faróis estilizados colocados em posição mais elevada na secção dianteira, o Sportage tem um aspeto robusto e dinâmico, algo que o seu perfil com linha de cintura ascendente e traseira com farolins ligados na horizontal por uma fina tira cromada permitem enfatizar.

Na medida certa

Como atrás foi referido, o Sportage surge num segmento em constante evolução, o dos SUV compactos – que representou 6,2% do mercado nacional em 2015, tendo crescido 46% face ao ano anterior para quase 11 mil unidades vendidas – e em que novos ‘players’ vão surgindo com frequência. Assim, este modelo reveste-se de grande importância para a Kia em termos comerciais, pelo que a sua aposta principal no mercado nacional se faz com um bloco 1.7 CRDi de 115 cv de potência e 280 Nm de binário, valores mais do que suficientes para conferir ao Sportage bons andamentos e condução despachada quanto baste.

Com tração dianteira e caixa manual de seis velocidades, o bloco de 1685 cc mostra boa elasticidade desde regimes mais baixos, facilitando desta forma a retoma de velocidade e ‘atirando’ o Sportage para ritmos mais elevados sem demasiado esforço – a sua faixa de utilização mais interessante reside entre as 1250 e as 2800/3000 rpm, sendo que esticar o motor além dessa fasquia é pouco proveitoso. A ajudar está o bom escalonamento da caixa manual, com um manuseamento também correto, num conjunto que acaba por ser interessante de explorar. O binário de 280 Nm disponível desde um patamar tão baixo auxilia no campo das recuperações, evitando dessa forma o recurso demasiado recorrente à caixa – continuará a ser necessário, mas de forma muito espaçada, o que é um atributo positivo deste Sportage. Nota, ainda, para o bom trabalho feito pela marca na supressão dos ruídos e das vibrações em andamento, conferindo ao habitáculo um ambiente de maior tranquilidade.

Pecadilho? Quiçá a sua ‘gula’. Talvez motivado pela ainda baixa quilometragem, o Kia Sportage revelou-se algo sequioso com consumo médio do ensaio a cifrar-se, no computador de bordo, nos 6,4 l/100 km, o que fica longe dos 4,6 anunciados pela marca.

O comportamento dinâmico está também num patamar mais evoluído, com movimentos da carroçaria controlados (embora percetíveis) e, sobretudo, com tato da direção que se aproxima mais do de um ‘segmento-C’ tradicional, mesmo que o ‘feedback’ fique um pouco aquém do esperado. A versão ensaiada equipava jantes de 19 polegadas, o que contribuía para um pisar mais firme, mas o conforto geral nunca é colocado em causa, denotando bom funcionamento da combinação de suspensão McPherson à frente e multilink atrás para equilíbrio competente entre conforto e dinâmica.

Todavia, mais do que um modelo para tiradas desportivas em estradas sinuosas (papel que fica para propostas de outras marcas como o Mazda CX-5, num patamar idêntico, ou o Mercedes-Benz GLC, num mais Premium), o Sportage está mais orientado para viagens tranquilas, o que cumpre com apreciável solidez de rolamento.

Interior espaçoso

Partilhando a sua plataforma com o ‘irmão’ Hyundai Tucson, as melhorias a bordo voltam a ser evidentes, com construção cuidada dos elementos e materiais mais cuidados, em especial na parte superior do tablier, enquanto a disposição dos comandos na consola central segue uma lógica de funcionalidade – sistema multimédia acima dos comandos do ar condicionado. De facto, importa salientar a evolução dos materiais macios ao toque no habitáculo e a montagem, que se coloca num nível muito forte dentro do próprio segmento.

No habitáculo, cinco passageiros viajam com relativo desafogo, sendo que os lugares atrás merecem nota muito positiva pela largura oferecida e pelo espaço para as pernas dos ocupantes, revelando-se adequado para uma jovem família que procura um modelo espaçoso e de habitabilidade acrescida. Os espaços de arrumação são em bom número, tanto na consola central, como nas portas, ao passo que a bagageira oferece 503 litros com os cinco lugares em posição normal ou 1480 litros com o rebatimento dos encostos dos bancos posteriores (proporção 60:40), convertendo-o num dos modelos da classe com maior capacidade de carga.

Nota para a possibilidade de regular o ângulo dos encostos dos bancos traseiros (em 39 graus), o que é bem-vindo tendo em conta que de base os passageiros acabam por ir muito reclinados.

De resto, menção também para o bom nível de equipamento. No caso da versão mais equipada, a TX, pode-se contar de sistema de infoentretenimento com sistema de navegação com Connect Services, que fornece informações de radares, trânsito, sistema de leitura dos sinais de trânsito (embora em autoestrada, teimosamente, preferisse sempre o sinal de 50 km/h quando este surgia associado, como usual, ao de limitação de 120 km/h), ou assistente de manutenção na faixa de rodagem (LKAS). De resto, o nível TX fornece ainda as jantes de 19 polegadas, sistema Smart Key Entry, Assistente de máximos e sensores dianteiro e traseiro com câmara traseira. O preço base desta versão é de 34.141 euros, mas com uma campanha de lançamento fica por muito competitivos 30.641 euros.

VEREDICTO

O Kia Sportage acerta nos pontos considerados chave para um modelo de sucesso, sendo que o primeiro é bem visível: o estilo. Jovial e vincadamente mais Europeu, este Sportage condensa atributos que lhe vão valer o sucesso, como a habitabilidade, boas performances, dinâmica segura e bom nível de equipamento. Não sendo um bloco ‘sprinter‘, o motor turbodiesel revela-se competente e perfeitamente à altura das necessidades, sendo sem grandes dúvidas o principal escolhido no seio da gama deste SUV compacto. Tudo isto sublinhado por mais dois parâmetros de relevo: a garantia de sete anos proposta pela marca e uma campanha de desconto de 3500 euros no lançamento (sem fim à vista…) que torna o Sportage quase imbatível na relação preço/equipamento (a versão base do motor 1.7 CRDi tem um custo de 31.141€, ou 27.641€ com campanha). A evolução fez bem à Kia e a prova está no Sportage, que se apresenta como um competente rival para o Nissan Qashqai.

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