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‘Lei fundamental dos engarrafamentos”: Como a economia explica o trânsito

Traffic Jam on the HighwayPossivelmente já terá estado num ao longo desta manhã, distraindo-se com o rádio ou com a paisagem enquanto esperava por chegar ao seu destino. Os engarrafamentos são um dos flagelos mais comuns no trânsito urbano, ‘roubando’ tempo importante a muitos dos condutores e passageiros, bem como tempo de produtividade. Outro malefício óbvio prende-se com os efeitos sob o meio ambiente, já que as emissões poluentes enquanto o veículo está no denominado ‘para-arranca’ tendem a ser maiores (embora os automóveis mais modernos apresentem sistemas start-stop precisamente para evitar esses efeitos).

Uma das soluções, por exemplo, seria aumentar o número de vias para tentar escoar o trânsito, mas de acordo com um estudo efetuado pelos economistas Matthew Turner e Gilles Duranton, da Universidade de Toronto, essa estaria errada. A premissa por detrás desse estudo é que a causa dos engarrafamentos está na própria rede viária.

Turner e Duranton indicam que as redes viárias existentes – ou até mesmo as novas – concorrem para um conceito denominado ‘procura induzida’. Ou seja, cria-se uma necessidade a partir de uma maior oferta. No caso premente, quantas mais estradas existem, mais as pessoas tenderão a percorrê-las. Para comprovar este facto, os dois economistas puseram à prova em 2009 este conceito, quando decidiram levar a cabo uma comparação entre o número de novas estradas construídas em cidades distintas dos Estados Unidos da América (EUA) entre 1980 e 2000 e o número total de quilómetros que os condutores percorreram naquele mesmo período nessas cidades.

Os resultados dessa pesquisa, ainda que surpreendentes, foram esclarecedores para Turner e Duranton: se a rede viária de uma cidade aumentou em 10% naquele período, o número de quilómetros percorridos aumentou precisamente 10%. E assim sucessivamente.

Assim, desenvolveram a chamada ‘lei fundamental dos engarrafamentos’: mais estradas apenas criam mais condutores, o que vem assim anular qualquer espécie de vantagem do aumento da rede viária. As pessoas, ao saberem de uma nova estrada, consideram a sua utilização (cumprindo-o) e, pior ainda, podem mesmo passar a usar ainda mais o automóvel nas suas deslocações.

Os autores do estudo indicam que esse aumento de condutores na rede viária deriva de quatro áreas: mudanças comportamentais, migração interna e atividade económica, aumento no setor dos transportes comerciais e desvio de tráfego de outras estradas.

Turner e Duranton apontam mesmo que “a ‘lei fundamental dos engarrafamentos’  requere que a nova capacidade viária seja completa com aumento proporcional na condução. Um corolário é que se tirássemos uma série de condutores urbanos das estradas da cidades, outros tomariam o seu lugar”.

Veja-se o caso de Lisboa, por exemplo, que no mais recente estudo realizado pela TomTom foi considerada a 31ª cidade mais congestionada da Europa, dentre 295 cidades em todo o mundo em 38 países. Se se tiver em contao período do dia, verifica-se que da parte da manhã – em hora de ponta – os condutores lisboetas demoram mais 53% do tempo a percorrer a mesma distância que levariam em horário normal. Isto apesar das diversas obras levadas a cabo nos últimos anos para desanuviar o trânsito da capital, como a conclusão do Eixo Norte-Sul ou da CRIL entre Algés e Sacavém.

Uma das soluções poderia passar pela aposta nos transportes públicos, mas também aqui os dados apontam que o aumento dos transportes públicos não consegue acompanhar o aumento populacional que tem existido nas grandes urbes, além de que os engarrafamentos não se alteraram nas suas dimensões.

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