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O futuro do automóvel, segundo Carlos Ghosn

Carlos-Ghosn-Frankfurt-9-10-13Três forças – a eletrificação, a condução autónoma e a conectividade – vão mudar a indústria automobilística de formas que por enquanto podemos apenas imaginar, garante Carlos Ghosn, CEO da Aliança Renault-Nissan

Se tem lido alguns dos comentários mais recentes sobre a indústria automobilística, pode achar que ela está a caminho de um longo, turbulento e difícil inverno. Muito tem sido dito sobre “disrupção” e sobre os novos concorrentes que prometem uma nova abordagem para a utilização do automóvel.

Muito deste mal-estar em torno de uma possível disrupção é resultante do rápido surgimento das novas tecnologias e serviços de mobilidade, que estão a competir para estabelecer uma nova visão do futuro de setor automóvel. Além disso, estas tecnologias estão a desenvolver-se a uma velocidade que era até então desconhecida pela indústria.

Seja a condução autónoma, as tecnologias do veículo conectado, os serviços de carsharing ou as tecnologias de propulsão alternativas, o facto é que ninguém na indústria sabe ao certo qual delas se tornará a corrente dominante.

As empresas podem fazer – e têm feito – algumas suposições, com base em factos ou apostas bem calculadas, mas na verdade são os clientes que decidirão que tecnologias e modelos de negócios sobreviverão.

Sim, o futuro ainda é incerto e as principais dúvidas giram em torno de como se produzirão estas mudanças potencialmente disruptivas:

  • Que obstáculos regulatórios poderão surgir?
  • Qual será o papel das empresas de tecnologia?
  • Que empresas terão sucesso ou fracasso na condução destas mudanças?
  • E quais terão condições de mudar rapidamente e de se adaptarem, num contexto tecnológico em constante mudança?

Eu não pretendo saber todas as respostas a estas questões. Mas em vez de temer a disrupção, acredito que nosso setor não tem outra opção senão aceitar a mudança.

Antevejo que a indústria automobilística mundial sofrerá mais mudanças nos próximos cinco anos do que teve nos últimos vinte. E estas mudanças trarão enormes oportunidades para as empresas que tiverem as competências e a capacidade para antecipá-las.

Em vez de temer o interesse das empresas de tecnologia, acredito que esta nova concorrência será saudável para o setor. Temos muito que aprender com elas, e elas têm muito para aprender connosco, o que é evidente tendo em vista o número de talentos que elas têm recrutado na indústria automobilística.

No meu discurso na edição de 2012 do Salão Internacional do Automóvel de Nova Iorque, a nossa indústria ainda estava a tentar adivinhar se os veículos elétricos seriam o futuro. A Nissan tinha acabado de lançar o LEAF, no ano anterior, e tínhamos vendido 30 mil unidades.

NissanLeaf

Desde então, a Aliança Renault-Nissan lidera o segmento, com mais de 300 mil veículos elétricos vendidos em todo o mundo – não tanto quanto gostaríamos, mas certamente um início bastante promissor.

De maneira mais significativa, hoje quase todos os grandes grupos têm em curso projetos ambiciosos para o segmento de veículos elétricos e dos outros modelos com zero emissões. Está claro que os VE vieram para ficar e há inúmeras razões para estarmos confiantes no futuro deles.

Para poder lidar com as ameaças das mudanças climáticas, o mundo exige que nosso setor invista mais na mobilidade zero emisões. Os governos de todo o mundo estão a impor restrições cada vez mais severas em termos de emissões de CO2, e uma das respostas mais importantes para este desafio deve ser a eletrificação.

Mas a tecnologia da mobilidade elétrica já faz sentido por si só, independentemente da regulamentação ambiental.

Já temos visto, na Nissan e na Renault, como o custo de produção dos VE continua a baixar à medida que vamos conseguindo ganhar economias de escala que se aproximam dos motores de combustão interna.

Os VEs também são máquinas relativamente simples (uma bateria e motores elétricos), exigem menos manutenção (não é preciso trocar o óleo ou os filtros, por exemplo) e também são extremamente confiáveis.

Com a melhoria das tecnologias associadas às baterias e a expansão da infraestrutura de carregamento em boa parte do mundo, estamos a aproximar-mo-nos de um ponto de convergência em que os VE se tornarão mais do que uma opção disponível para todos.

Também houve outra mudança importante desde 2012. Até então, ninguém falava sobre os veículos de condução autónoma.

Em janeiro, visitei o centro de investigação & desenvolvimento da Nissan, em Silicon Valley, na Califórnia. E passei um tempo considerável a passear pelas ruas de Sunnyvale num carro autónomo, com as mãos livres e sem precisar de prestar atenção no caminho a ser seguido.

A condução autónoma permitirá em breve que os carros mudem sozinhos de faixa, percorram centros urbanos e andem pelas cidades gerindo automaticamente o para-a-arranca no trânsito. A Aliança Renault-Nissan vai lançar até ao final da década pelo menos 10 modelos com alguma funcionalidade associada à condução autónoma. Estes carros serão muito mais conectados do que aqueles que circulam hoje nas ruas. Eles serão muito mais um espaço pessoal, uma extensão de nossas vidas, como são os smartphones atualmente.

Os VE são a plataforma perfeita para o futuro da condução autónoma e da tecnologia do veículo conectado. Ao mesmo tempo, isso ajudará a acelerar a própria utilização dos VE.

A tendência em relação a carros mais conectados também é fundamental para satisfazer as expectativas de nossos futuros compradores – aqueles que estão hoje a tirar as suas cartas de condução.

Os benefícios dos carros altamente conectados, que permitem uma condução autónoma, são simples: A condução será mais segura, menos stressante, mais eficiente e mais satisfatória. Assim como já fizemos com os VE, a Aliança colocou estes carros do futuro no centro da comercialização em massa. Em cada novo salão do automóvel realizado no mundo, mais grupos apresentarão as suas visões e apostas no futuro. E isso é muito bom.

Mas ainda há muita coisa em jogo. Sim, porque ainda há muitas incertezas.

Nunca houve tanta oportunidade no nosso setor para aqueles que estão abertos a novas ideias e novas maneiras de fazer as coisas, bem como para atender melhor as necessidades da sociedade.

A iminente fusão de novas tecnologias e novos modelos de negócios cria não apenas novas oportunidades de negócio, mas principalmente um sistema de transporte mais seguro e eficiente, com menores custos para a sociedade.

Três forças – a eletrificação, a condução autónoma e a conectividade – vão mudar a indústria automobilística de formas que por enquanto podemos apenas imaginar.

Para mim, é como se estivéssemos a assistir ao despertar de uma nova primavera, e estou ansioso para ver como esta nova era vai despontar.

(O post acima é um trecho do discurso de Carlos Ghosn feito na abertura do Salão Internacional do Automóvel de Nova Iorque 2016, no passado 23 de março)

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