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“Para reduzir a sinistralidade rodoviária é necessária atuação junto das empresas”

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As palavras são do diretor geral da Prevenção Rodoviária Portuguesa, Alain Areal, que abriu o primeiro painel da Conferência ‘A Sinistralidade e a Alteração dos Comportamentos’ afirmando que Portugal está no bom caminho na redução da sinistralidade nas estradas.

A conferência, organizada pela LeasePlan na passada semana em Lisboa, contou com a participação de várias entidades que apresentaram e debateram vários estudos alusivos à sinistralidade e ao comportamento da população nas estradas portuguesas.

O objetivo foi o de perceber quais os principais indicadores de evolução na segurança rodoviária e qual o papel das grandes empresas frotistas no combate à sinistralidade.

Evolução positiva

De entre as principais conclusões, destaca-se a evolução positiva de Portugal no panorama global da sinistralidade rodoviária: “Há vinte anos tínhamos dois mil mortos por ano nas estradas portuguesas e hoje temos cerca de 600, o que é notável”, afirmou Jorge Jacob, presidente da ANSR.

Com efeito, Portugal é hoje o terceiro país da Europa onde o número de mortes na estrada mais baixou (33%) nos últimos cinco anos, segundo dados preliminares recentemente divulgados pela União Europeia, tendo até superado a meta estipulada para este indicador. Mas “quando falamos nos mortos no hospital, até 30 dias após o acidente, a verdade é que os números aumentaram”, revelou Jorge Jacob.

Entre as principais causas continuam a estar aqueles a que chama “os assassinos das estradas”, como a velocidade, o álcool e as drogas, o uso de telemóveis e a falta da utilização dos sistemas de retenção (cinto de segurança e as cadeiras para crianças) – o comportamento humano está na origem de cerca 96% dos acidentes, sendo os restantes 4% da responsabilidade do ambiente rodoviário ou do próprio veículo.

Mais fiscalização

“É fundamental apostar na fiscalização: promover a melhoria da eficácia das ações de fiscalização, mas também fazer mais e melhor, colocar as tecnologias ao serviço da segurança e estabelecer parcerias estratégicas para minorar os comportamentos inadequados, o risco e os acidentes”, afirmou o Tenente-coronel Lourenço da Silva.

A corroborar esta posição, esteve a PSP pela voz do Comissário Pedro Pereira, da Divisão de Trânsito do Comando Metropolitano de Lisboa: “Melhoraram-se as estradas, melhoraram-se as leis e as condições, agora falta mudar-se os comportamentos. (…) É nesse sentido que trabalhamos recorrentemente com as crianças, pois isso reflete-se no comportamento rodoviário delas, mas também dos pais condutores”.

A PSP aumentou em 2015 o número de operações de fiscalização rodoviária para 30.516 e também o número de veículos controlados por radar (para 2.910.105).

Os mais vulneráveis

No que diz respeito aos utentes vulneráveis, como os peões, ciclistas, crianças, idosos e cidadãos com mobilidade reduzida, os números são animadores, mas ainda há muito a fazer.

“A sinistralidade com crianças evoluiu muito positivamente, principalmente depois da legislação de 2005 que tornou os sistemas de retenção para crianças obrigatórios. No entanto, temos de mudar o nosso paradigma de mobilidade”, afirmou a presidente da Associação Portuguesa de Segurança Infantil, Sandra Nascimento.

A sinistralidade dentro das localidades é altíssima, apontando os últimos dados para as 200 vítimas mortais em acidentes dentro das localidades. As causas apontadas são várias: excesso de velocidade, a não paragem após 3 segundos de o sinal ficar vermelho, atravessamentos de peões a menos de 50 metros das passadeiras, a não paragem nos sinais STOP, e outros erros tanto dos condutores, como dos peões ou da própria infraestrutura rodoviária.

Formação

Existem programas para melhorar as estradas portuguesas, “mas as nossas ruas ainda não são amigas dos utentes”, afirmou Sandra Nascimento para quem a aposta na formação a na sensibilização é essencial.

Para Luís Rodrigues, da Associação Salvador, as campanhas na primeira pessoa são as mais eficazes. E explica: “Procuramos sensibilizar faixas etárias dos 20-30 anos através de campanhas e ações de rua que muitas vezes são chocantes. Aparecemos quando eles estão com o copo na mão e o efeito é evidente, pois trabalhamos muitas vezes com pessoas com mobilidade reduzida e até dificuldades de comunicação e as pessoas não esquecem facilmente”.

Importância das empresas

No encerramento do evento, dados apresentados pela ANSR revelaram que cerca de 33% da sinistralidade laboral se deve a acidentes rodoviários. Para  Jorge Jacob é de grande importância que as grandes empresas tenham cursos de condução defensiva, como forma de reduzir a sinistralidade, organizados em grupos homogéneos e, idealmente, acreditados pelo IEFP.

De facto, segundo os resultados do estudo ‘Mobility Monitor 2015’ apresentado por Ricardo Silva, Diretor Comercial Adjunto da LeasePlan, na estrada, os aspetos comportamentais são na grande maioria das vezes os principais responsáveis pela sinistralidade no mundo, sendo que 62% dos condutores inquiridos anda em excesso de velocidade e 71% utiliza o telemóvel enquanto conduz.

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