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Ensaio Peugeot 308 GTi 270 by Peugeot Sport: ‘Leão’ com muita raça

Tendo-se assistido ao lançamento recente de diversos compactos desportivos, a Peugeot também quis mostrar que consegue produzir um automóvel dinâmico e arrojado capaz de competir com as referências do segmento. O Peugeot 308 GTi surge assim como o herdeiro de uma já longa linhagem de modelos desportivos da casa de Sochaux, mostrando-se também como o mais avançado em termos técnicos.

Aproveitando muitos dos ensinamentos amealhados com o RCZ R, a Peugeot decidiu criar uma variante mais musculada do novo 308, cuja base é a do Carro do Ano de 2014. Mas se o RCZ R se mostrava menos adequado para uma utilização quotidiana – mercê de uma suspensão muito seca e versatilidade diminuta (era um coupé, afinal de contas…) –, o novo 308 GTi sobressai pelo lado oposto, com uma série de atributos desenvolvidos pelos engenheiros da Peugeot Sport que não renegam a vertente familiar.

Para quem não sabe, a Peugeot Sport trata-se da divisão que desenvolve e coloca nas pistas ou troços de ralis diversas variantes de competição de alta performance: o exemplo mais recente é o do 2008 DKR com que a marca triunfou na sempre exigente competição do Dakar, pelas mãos do ‘Senhor Dakar’, Stéphane Peterhansel. A par disso, claro está, a Peugeot Sport ‘empresta’ também o seu conhecimento para a produção de versões mais exigentes de modelos como o 308 e, anteriormente, do 208 GTi.

A base 308, bem-nascida, serviu como uma boa ‘tela’ para que os Franceses pudessem aperfeiçoar os traços de desportividade nesta versão. Assim, trabalharam por completo nas áreas da suspensão e da travagem, além de montar também um motor 1.6 THP capaz de debitar 270 cv de potência. A marca garante que o chassis foi “regulado por pilotos” e a eficácia do conjunto deste ‘leão’ permite confirmar facilmente a validade daquela asserção.

A força da técnica…

Este novo Peugeot 308 GTi não esconde o seu pendor para o lado do dinamismo, ao contrário do que sucedia com o anterior 308 GTi, que não apostava totalmente no seu intuito desportivo. Neste novo herdeiro da linha GTi, a tónica está mesmo colocada na eficácia do comportamento dinâmico, sendo que face ao modelo de que deriva, este GTi surge totalmente renovado em termos de acerto de suspensão e de chassis.

A Peugeot Sport procurou oferecer uma prestação mais distinta graças ao binómio de molas/amortecedores renovado (para maior firmeza e altura ao solo reduzida em 11 mm), barras estabilizadoras diferentes e vias mais largas, 17 mm à frente e 10 mm atrás. O eixo traseiro assente em barra de torção foi também melhorado, para maior rigidez.

Qual o resultado dos esforços dos engenheiros da Peugeot Sport? Muito positivos.

O 308 GTi exibe um comportamento que se pauta pela eficácia, com um chassis muito competente e que, combinado com o motor 1.6 sobrealimentado, oferece emoção q.b. em estradas sinuosas. Solidamente ‘plantado’ no asfalto, o rolamento da carroçaria é praticamente inexistente, respondendo de forma saudável e decidida aos pedidos de mudança de direção repentina. A conjugação de dianteira incisiva – mercê de direção direta – com a neutralidade de reações do eixo traseiro, permite enfrentar as curvas com afinco, sendo até algo permissivo face a eventuais abusos do condutor. O diferencial autoblocante Torsen no eixo dianteiro faz com que os níveis de motricidade sejam elevados, sobretudo quando ligado o modo Sport no túnel central, o qual altera a iluminação do painel de instrumentos, reforça a sonoridade do escape e melhora a resposta do acelerador. É nesta fase que o 308 GTi assume toda a sua competência. Desligar o Controlo de Estabilidade é possível, mas uma vez que nem sequer é muito intrusivo, é preferível deixá-lo ligado.

O amortecimento, apesar de maior firmeza, não prejudica em demasia o conforto dos ocupantes. Em estradas com desníveis, é natural que a suspensão revele algumas dificuldades para lidar com essa condicionantes, mas não chega ao mesmo patamar de desconforto de um Honda Civic Type R ou de um Renault Mégane R.S. 275.

Por outro lado, é o já referido carácter de permissividade que torna os seus dois principais rivais, o Civic e o Mégane, em modelos mais intensos de conduzir face a um 308 GTi que é divertido, mas não nos transporta para uma dimensão extrema. Tanto no Renault como no Honda é necessário, por vezes, jogar com acelerador e volante numa interessante e cautelosa conjugação sensorial que leva a abordar troços sinuosos com uma gota de suor na testa. O Peugeot 308 GTi é eficaz, divertido e tremendamente competente na forma como descreve curvas, só que não é tão emotivo no momento de cerrar os dentes em condução ‘serra acima’.

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Não é defeito, é mesmo feitio, uma abordagem distinta que terá os seus adeptos e que não é desprimorosa, essencialmente porque oferece outra compensação: a versatilidade está num nível superior à dos dois modelos acima citados: mais confortável e refinado do que Honda e Renault, mercê de amortecimento – como já referido – mais composto e cuidado. Apenas o SEAT Leon Cupra 290 consegue rivalizar com este Peugeot nesse campo e na eficácia, mas o modelo da marca de Martorell conta com amortecimento variável (sistema Cupra Driver Profile). No Peugeot esse tipo de elementos não existe.

… E a técnica da força

No compartimento do motor está uma pequena surpresa: um bloco 1.6 sobrealimentado com 270 cv de potência. Olhando-se para o universo da competição, modelos com motor de quatro cilindros e potências elevadas, mas de baixa cilindrada, são comuns. No caso do Mundial de Ralis (WRC), por exemplo, os motores de 1.6 litros passarão a debitar muito em breve cerca de 380 cv e no Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCC) também os motores sobrealimentados excedem a fasquia dos 300 cv de potência.

Mas em automóveis de estrada tal exemplo é raro. Uma vez mais, recorra-se aos exemplos dos rivais (é impossível não o fazer): Honda, SEAT, Renault e Volkswagen (Golf GTi e Golf R) contam com blocos turbo de 2.0 litros e a Ford recorre mesmo a um EcoBoost de 2.3 litros, mas já com 350 cv de potência para o Focus RS. Obra de engenharia, o motor 1.6 THP sobrealimentado deste GTi demarca-se pela resposta rápida e progressividade assinalável, exibindo enorme fôlego a partir das 1500 rpm, numa faixa muito ampla de rotações que lhe concede prestações deveras interessantes. O exercício de aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 6,0 segundos, dando validade às pretensões desportivas da Peugeot para este modelo.  Acaba mesmo por ser uma das grandes surpresas da experiência de condução, não só pelas respostas como também pela facilidade com que consegue acelerar e recuperar velocidade (330 Nm de binário), evidenciando enorme elasticidade. A caixa manual de seis velocidades tem um escalonamento muito adequado para extrair o potencial deste bloco, mesmo que o manuseamento pudesse ser um pouco melhor.

Nestes modelos em que as prestações são o principal, o tema dos consumos acaba por ser ‘dano colateral’: andar depressa e bem consome mais combustível. Para o 308 GTi, a Peugeot aponta um valor de 6,0 l/100 km, mas é difícil baixar dos oito litros se aportarmos um estilo mais aguerrido ao volante. No ensaio conseguimos registar uma média de 7,9 l/100 km. Não se poderia deixar de mencionar o excelente funcionamento do sistema start-stop, no qual a PSA continua a mostrar enorme competência.

No momento de travar, a tarefa fica a cargo de imponentes discos de travão com 380 mm de diâmetro na frente com quatro pistões, sendo este outro dos seus atributos essenciais. As jantes de 19 polegadas (mais leves) de desenho especial são um dos elementos mais chamativos do novo 308 GTi, cujo estilo se pauta pela discrição. Nota, ainda, para a elevada aderência proporcionada pelos pneus Michelin Pilot Super Sport.

Familiar rápido

No interior, o 308 GTi conta com elementos distintivos, como o volante com base achatada específico e pega perfeita (a pele perfurada confere uma outra sensação), ao qual não falta mesmo o indicador superior em vermelho. Revestimentos das portas mais cuidados, bancos de estilo ‘bacquet’ da Peugeot Sport (com suporte exemplar das costas), alavanca da caixa específica, pedais em alumínio e botão ‘Sport’ junto ao do travão de estacionamento elétrico saltam à vista. No tablier, portas, bancos e fole da alavanca da caixa nota ainda para os pespontos em cor vermelha contrastante com o negro do forro do tejadilho. Ao abrir as portas, a soleira revela inscrição ‘GTi Peugeot Sport’, demarcando esta versão das demais.

Por outro lado, a habitabilidade é boa, mesmo que os lugares atrás não sejam espaçosos por aí além. O espaço para as pernas é reduzido mas é mais do que suficiente para transportar quatro adultos. Já o lugar central traseiro é prejudicado pelo túnel central mais saliente que se intromete para a área que o passageiro necessita para passar com o pé de um lado para o outro. A bagageira permite albergar 470 litros, um valor que comprova de forma liminar a sua vertente familiar, mas que pode ser ampliada até aos 1309 litros. Quem viaja neste 308 GTi pode beneficiar ainda da boa capacidade de isolamento acústico, o qual está muito bem conseguido.

Entre o equipamento de série, o 308 GTi apresenta elementos como o cruise control, diferencial autoblocante Torsen, ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro, ar condicionado automático bi-zona e sistema multimédia e de navegação associado a ecrã tátil de 9.7 polegadas. A marca indica um custo de 41.480 euros para a versão de base do 308 GTi, embora exista um desconto em vigor de 3000 euros que torna este desportivo mais acessível por tempo limitado.

VEREDICTO

Vivem-se tempos áureos no segmento dos desportivos compactos. O Peugeot 308 GTi é, porventura, um dos mais completos desportivos compactos do mercado, aquilo que os Ingleses chamariam de ‘all-rounder’, ou seja, um modelo extremamente versátil e muito competente nas tarefas a que se propõe. Rápido e potente graças ao motor 1.6 turbo, acompanhado por dinâmica eficaz proporcionada pelo chassis bem concebido com amortecimento equilibrado, o 308 GTi não abdica totalmente das suas raízes de familiar compacto – algo que Honda e Renault assumiram quando desenvolveram os seus ‘extremistas’ para o segmento.

Em termos de prestações, nada fica a dever aos seus rivais, mas para um entusiasta dos desportivos compactos pode não ser o mais aguerrido disponível no mercado, sendo essa a sua principal pecha. Adotando um estilo mais racional na sua vivência, o 308 GTi é apelativo para condutores que querem eficácias, mas também conforto para o quotidiano, sabendo-se que quem vai para um modelo deste segmento procura, na grande maioria das vezes, o elemento irracional que acelera as batidas cardíacas.

Contudo, poucos servem melhor o propósito de combinar a tónica desportiva com a familiar, além de ser discreto. O Peugeot 308 GTi afigura-se como o regresso da marca de Sochaux a um segmento que é hoje mais orientado para a vertente da imagem do que para a das vendas. Seja como for, embora lhe falte um pouco da emotividade de alguns dos rivais, o 308 GTi é uma adição muito bem-vinda, mostrando que o ‘leão’ continua a ter raça sem virar a cara à luta.

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