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Volkswagen com perdas de 127 milhões de euros no último trimestre de 2015

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O Grupo Volkswagen revelou hoje os seus dados financeiros para o Ano Fiscal de 2015, tendo o último trimestre ficado marcado de forma indelével pelo prejuízo causado pela questão da manipulação das emissões nocivas (NOx) nos seus veículos a gasóleo.

Segundo o mais recente exercício fiscal, as perdas registadas pela marca Alemã ascenderam a um total de 127 milhões de euros nos últimos três meses de 2015, numa baixa tremendamente significativa face aos 780 milhões de euros de lucros obtidos no ano anterior, contribuindo globalmente para resultados finais bastante negativos.

Fundamentalmente, estes resultados surgem como tradução efetiva “das medidas de apoio aos mercados afetados pelo problema das emissões”, como indica a companhia em comunicado, explicando dessa forma os valores hoje anunciados para o ano passado. Outras razões apontadas pela marca prendem-se com a quebra de mercados como o Russo ou o Brasileiro, afetados por crises – no primeiro caso motivadas pelas sanções impostas pela União Europeia e, no segundo, por instabilidade política e financeira.

Acautelamento de 16.2 mil milhões de euros

No total, o Grupo Volkswagen entregou 9.9 milhões de veículos no Ano Fiscal de 2015, 2,0% menos do que no ano anterior, embora tenha conseguido aumentar os lucros totais decorrentes das vendas. Assim, atingiu-se uma receita de 213.3 mil milhões de euros (contra 202.5 mil milhões no AF de 2014), excedendo assim os números neste ponto em 5,4%. Excluindo os itens especiais, o Grupo Volkswagen obteve um lucro operacional ao nível de 2014, de 12.8 mil milhões de euros.  

Por outro lado, a questão dos diesel levou à reserva de um montante total de 16.2 mil milhões de euros em 2015, incluindo as provisões para as modificações técnicas pendentes para os veículos afetados e para as recompras que ascendem a 7.8 mil milhões de euros no total.

Outros 7 mil milhões de euros foram colocados de parte como provisão para riscos legais a nível mundial, precavendo já ações judiciais que poderão vir a ser interpostas contra a marca. Com esta medida, o Grupo Volkswagen acredita “ter garantido provisões para todas as repercussões conhecidas e quantificáveis relativas ao assunto dos diesel em 2015″. No geral, os itens especiais negativos reconhecidos no resultado operacional do Ano Fiscal de 2015 atingiram um total de 16.9 mil milhões de Euros. Contabilizando os lucros operacionais (12.8 mil milhões de euros) e os itens especiais (16.9 mil milhões de euros), o lucro operacional foi negativo em 4,1 mil milhões.

Apesar dos 16.2 mil milhões de euros colocados de parte, a venda de alguns bens da companhia não está posta de parte, mesmo que tal não deva implicar a saída de qualquer uma das 12 marcas que atualmente compõem o grupo.

“O financiamento necessário para cobrir os riscos poderá levar à venda de bens devido à situação e às verbas equivalentes destinadas podem não ser alcançadas em resultado”, lê-se na secção de riscos e oportunidades. Tal deriva da possibilidade de mais processos legais e dos custos daí derivados.

Otimismo inabalado

No entanto, o Grupo permanece bastante otimista quanto ao realinhamento em termos financeiros e estruturais, apresentando esforços acentuados no âmbito da recuperação de marca e de novos produtos.

“O ano de 2016 será de transição para a Volkswagen. No entanto, será também o ano em que iremos acelerar a transformação e conceber as fundações para uma nova e melhor Volkswagen”, referiu Matthias Müller, presidente do Conselho de Administração da Volkswagen, apontando inclusive para uma transformação profunda da própria indústria automóvel ao longo dos próximos anos.

“Estamos numa boa posição de partida para esta transformação profunda. E temos muitos pontos fortes para lançar”, acrescentou, enaltecendo características importantes como a “qualidade, força de trabalho empenhada e finanças saudáveis”.

A marca previa um lucro operacional de 6% nas vendas antes da crise, mas nos resultado hoje revelados surge um lucro de apenas 2% em 2015, refletindo assim os efeitos do Caso Volkswagen.

Ambições renovadas

Com base num início de ano relativamente positivo em termos de vendas (+0,8% no primiero trimestre, ou seja, um total de 2.5 milhões de veículos vendidos), o Grupo Volkswagen espera regressar um patamar de lucros este ano. Com exceção da divisão de Veículos de Passageiros da Volkswagen, todas as marcas do grupo aumentaram as suas entregas no primeiro trimestre face a igual período do ano passado, dando assim azo para uma estimativa de vendas ao nível do ano de 2015, mesmo com as condições “desafiantes”, destacando a prestação positiva e em crescendo na China.

O grupo destaca, além da questão das emissões, o ambiente altamente competitivo bem como as taxas de juro de câmbio bastante voláteis e o preço das matérias-primas como elementos que podem colocar fortes desafios às suas marcas, ainda que os programas de eficiência colocados em prática por todas as marcas possam ter efeitos positivos. Assim, são esperados resultados das vendas do Grupo Volkswagen inferiores a 5% em relação ao exercício anterior, embora a margem de lucro operacional possa crescer entre 5 e 6% em 2016.

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