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“A nossa prioridade são os SUV e crossovers”

 

Francisco Geraldes3

Pouco mais de um ano depois o Grupo Bergé ter tomado as rédeas da Mitsubishi em Portugal, Francisco Geraldes, diretor-geral da marca, explica a estratégia de expansão e antecipa o futuro. Primeira parte da entrevista exclusiva à Automonitor.

Que rescaldo faz deste primeiro ano como importador da Mitsubishi?

O passado recente foi um período difícil para as marcas automóveis e a Mitsubishi não foi exceção. Estes últimos anos trouxeram muitos desafios ao setor e as empresas viveram dificuldades, enfrentando grandes quebras do mercado. Mas a Mitsubishi tinha a empresa bem organizada em Portugal, com uma equipa de gestão boa e um negócio que estava bem montado. Ou seja, tivemos mais os desafios normais neste processo, de aprender a conhecer a marca, a rede de concessionários e a própria equipa…

Fazemos um balanço altamente positivo deste primeiro ano. Conseguimos fazer a transição com resultados económicos e comerciais positivos. Dos nossos 29 concessionários, 21 crescerem significativamente, em termos de vendas, ao longo de 2015.

A rede manteve-se estável?

A rede é um dos grandes ativos deste negócio. A Mitsubishi tem uma rede com um histórico enorme e com muita qualidade, mas que teve problemas nos anos recentes, como todas as redes de concessionários. Na nossa estratégia de começar com a atividade da marca um dos grandes ativos era a rede. Não foi necessário nenhum processo de reestruturação ou reorganização. Há coisas a melhorar, mas temos casos de enorme sucesso.

A Mitsubishi é um negócio bastante atrativos em termos do que o seu parque circulante representa para o serviço após vendas. Comercialmente teve anos difíceis, mas 2014 e 2015 já foram anos de crescimento, e acreditamos que em 2016 também teremos condições para crescer e garantir um modelo de negócios rentável, quer no após venda, quer nas vendas.

Como é o mix de vendas em Portugal? Que segmentos do mercado são estratégicos e mais importantes?

Estratégicos são todos os produtos e segmentos em que estamos presentes. As características do nosso mercado alteraram-se muito nos últimos anos. Os segmentos onde temos maiores quotas de mercado são os dos veículos comerciais, com as pickups Mitsubishi e os chassis-cabine Fuso Canter. Mas também são os segmentos que mais se contraíram nos últimos dez anos.

Em 2000, vendiam-se cerca de 18 mil pickups em Portugal e no ano passado venderam-se menos de duas mil. Isto deve-se em parte ao efeito de fiscalidade, que gerou um primeiro grande embate em 2000, quando foi alterada, e depois em 2003 e 2007, anos em que houve novas modificações, sempre com agravamentos. Há também o efeito do maior dinamismo do mercado. Hoje há mais oferta de produto, o que resulta num desvio de antigos compradores para produtos alternativos.

A pickup ainda representa para nós uma percentagem importante das vendas. No ano passado a Mitsubishi vendeu cerca de 3000 veículos em Portugal, das quais 400 foram pickups, ou seja, 15% do total. E este ano acreditamos que vamos fazer 600 unidades  com a pickup, que entretanto foi renovada.

Com a Fuso Canter fizemos 502 unidades e para este ano temos o objetivo de crescer bastante, até porque existe uma grande oportunidade, pois a Toyota, que era a líder do segmento dos chassis-cabina, vai deixar de estar presente no mercado. A Toyota Dyna deixou de ser produzida em Portugal e isso é uma oportunidade para as marcas que estão nestes segmentos e uma responsabilidade acrescida para nós.

As versões Dyna com motores que cumprem apenas a norma de emissões Euro 5 venderam-se em Portugal até ao final de 2015, com base numa derrogação que adiou a implementação das normas de emissões Euro 6. Mas esse período acabou e como a Dyna não vai ter motores Euro 6 que cumpram a nova regulamentação, a Toyota deixou de poder produzir o carro na fábrica que tem em Portugal. No princípio do ano, ainda venderam algumas unidades em stock, mas no entretanto deixaram de ter produto, o que abre novas perspetivas a quem, como nós, está neste segmento.

Nos últimos anos, os veículos ligeiros de passageiros têm ganho peso no mix de vendas da Mitsubishi. Qual é o peso, hoje?

Representam mais de 50% das vendas e a Mitsubishi continua a investir num line-up de passageiros, que já é bastante completo, mas que irá progressivamente sendo reforçado para aumentar as vendas.

Hoje, no mercado de passageiros a vossa força está sobretudo nos crossovers e SUV. Nos segmentos tradicionais contam basicamente com o pequeno SpaceStar. Há planos para reforçarem o line-up com mais modelos convencionais?

A marca mantém como prioridade estratégia focar-se nos SUV. Hoje, os SUV alargaram muito a sua oferta em relação ao que poderemos chamar de SUV tradicional. Há uns anos atrás, um SUV era um veículo desenvolvido 100% para ser utlizado em ambiente de todo-o-terreno, com um look mais agressivo. Hoje, os SUV 4×2 são veículos de passageiros com um design diferente e com uma utilização funcional semelhante à de um qualquer veículo de passageiros.

A Mitsubishi está muito empenhada em desenvolver o seu line-up de SUV e é essa é a nossa prioridade. Agora acreditamos que com esta gama vamos conseguir chegar a muito do que é hoje o mercado de passageiros.

A clientes que antigamente estavam em carros convencionais. É isso?

Exatamente. Mas quase todas as marcas estão hoje a lançar SUV que vão buscar clientes aos modelos de passageiros convencionais.

A Mitsubishi tem um SUV compacto (ASX) e um médio (Outlander), mas o segmento que mais cresce em Portugal e na Europa é o dos mini SUV. Está previsto algum produto para esse segmento?

Está previsto que a Mitsubishi aumente progressivamente a sua gama de SUV. Possivelmente para baixo e para cima. A marca está atenta a vai apostar onde é que o mercado está a crescer. Penso que se irá focar onde haja maior potencial de crescimento.

Em Portugal, o vosso modelo mais vendido no ano passado foi o citadino Spacestar, o que foge um pouco a essa lógica dos SUV…

… A nossa responsabilidade é a de desenvolver o potencial de todos os veículos e cada segmento tem o seu potencial próprio. O Spacestar é um modelo com bastante sucesso, posicionado entre o segmento A e o segmento B, com cinco verdadeiros lugares, um preço atrativo e um nível de equipamento muito completo E portanto tem aumentado significativamente as suas vendas. Também é um carro que em Portugal tem algum peso nas vendas ao Rent-a-car, que fizeram sensivelmente um terço das vendas totais do modelo no ano passado. O que justifica em parte esses volumes de vendas. Já este ano, o Spacestar será renovado, o que pode fazer aumentar ainda mãos o sucesso do modelo.

Mas a verdade é que SUV são o foco da Mitsubishi. O ano passado foi um ano difícil para a gama Outlander, que estava em renovação, mas desde o início do ano que o estamos a relançar, já com produto renovado, alvo de um facelift com uma atualização profunda por fora e no interior.  Além disso, vamos ter o Outlander disponível todo o ano, o que no ano passado não foi possível, e acreditamos que as vendas vão crescer significativamente e que podemos tirar partido de uma oferta que se mantém por agora quase única: O Outlander PHEV, com tecnologia Plug-in híbrida. É o único modelo no mercado que tem o espaço de um veículo familiar e que oferece esta tecnologia com um custo viável para a grande maioria dos clientes.

Não está, portanto, previsto o alargamento da gama Mitsubishi a outros tipo de veículos mais convencionais?

Neste momento não. Pelo menos no curto prazo.

O que significa que na Europa ficam de fora dos dois maiores segmentos do mercado: o B e o C?

Parcialmente sim, mas acreditamos que os SUV podem captar uma parte grande desse mercado. Já hoje olhamos para os SUV do segmento C e eles são maioritariamente 4×2 e funcionalmente semelhantes aos carros convencionais do segmento C.

Acreditamos que podemos estar numa parte grande do mercado. Mas temos de levar em conta o tipo de SUV. A que preços se vão vender os SUVs de um determinado segmento, comparativamente com os veículos convencionais desse mesmo segmento? Essa mobilidade de clientes existe. Por exemplo quando ouvimos falar do crescimento do segmento B e vamos analisar as vendas verificamos que o crescimento do segmento tem sido sobretudo alimentado pelos SUV do segmento que custam pouco mais que os carros desse segmento, Os SUV mais caros do segmento não crescem tanto. E o mesmo se passa no segmento C. A diferença do preço é fundamental.

Notaram o impacto da fiscalidade verde nas vendas do Outlander, no ano passado?

Sim, muito. No ano passado vendemos mais Outlander PHEV do que diesel, mas também houve algumas limitações. Esta ano o nosso plano é que ambas as motorizações deverão representar cerca de 50% das vendas do modelo. A fiscalidade verde é um incentivo grande, mas a maior parte do benefício é para as empresas, pois o cliente particular não tem benefícios da dedução do IVA, que é a maior vantagem da fiscalidade verde. Acreditamos que vamos continuar a assistir a um crescimento das vendas deste tipo de veículos, quer por efeito da fiscalidade verde, quer porque cada vez há maior aceitação no mercado deste tipo de tecnologias, até pelas preocupações ambientais ou de consumos por parte dos clientes. Mas o diesel também irá continuar a crescer. No Outlander diesel dispomos de 7 lugares (contra os 5 do Plug-In), o que lhe garante a homologação como um monovolume.

O perfil de utilização dos PHEV não é adequado a todo o tipo de clientes. Um cliente que faça muita autoestrada o produto mais adaptado a esse perfil será o diesel, enquanto os mais urbanos, com trajetos diários mais curtos e que tenham facilidade de acesso a postos de carregamento elétrico, conseguem ter consumos no PHEV que não são possíveis num veículo de combustão normal. Com estas duas ofertas vamos conseguir maximizar as vendas do Outlander.

Como conseguem, no segmento das frotas, competir com a vantagem de valores residuais das marcas premium?

O problema dos valores residuais afeta mais as marcas de menor volume, do que as de maior volume. Acredito, no entanto, que temos também vantagens no caso dos PHEV, pois somos a marca que está há mais tempo no mercado com os plug-in e porque o nosso carro tem uma garantia superior à das que é oferecida pelas marcas premium – 5 anos para o automóvel e 8 para as baterias -, o que permite dar mais confiança para os valores residuais. Além disso, acreditamos que quanto maior for o conhecimento do mercado sobre este tipo de veículos, maiores serão os seus valores residuais.

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