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Especial Volkswagen Golf GTI: Da ‘sociedade secreta’ à conquista global

Esta é a história de um carro que nasceu numa “sociedade secreta” no seio da própria marca, fruto da paixão de meia dúzia de pessoas que trabalharam nas horas livres para o desenvolver sem que a administração soubesse… Foi assim, há exatamente 40 anos, que surgiu o Volkswagen Golf GTI. Este é o primeiro artigo de um especial de três que abordam a história, o legado e o presente do Golf GTI, modelo que em Worthersee, na Áustria, vai contar com um evento de comemoração em sua homenagem. 

Volkswagen feiert den 40. Geburtstag des Golf GTI

O Volkswagen Golf GTI está a celebrar 40 anos. Foi em junho de 1976 que chegaram ao mercado as primeiras unidades daquele que se viria a tornar num dos maiores ícones da indústria automóvel do Século XX. A sigla ‘GTI’ ultrapassa hoje os limites da marca ou do modelo e define um tipo de carro imbuído de uma vertente desportiva de condução capaz de elevar a adrenalina e aliar performances elevadas à versatilidade do quotidiano. Menos conhecida, porém, é a origem do conceito. O Golf GTI começou por ser um projeto “rebelde”, mas ao qual ninguém conseguiu resistir. Nem mesmo os patrões da marca quando o experimentaram em pista…

Em 1974, ano de lançamento do primeiro Golf, ninguém queria ouvir falar em carros desportivos na administração da Volkswagen. Era um tabu daqueles que ninguém se atrevia a desafiar. O mundo sentia os efeitos da crise petrolífera do começo da década e muitos ainda se lembravam do “mandamento” de Heinrich Nordhoff, o antigo diretor-geral da marca até 1968: “no sports”, ou seja, nada de desportivos. Além disso, a ‘cruzada’ do advogado Norte-Americano Ralph Nader contra os pequenos carros “com potência a mais” lançava a desconfiança junto da opinião pública do outro lado do Atlântico, com réplicas suficientes para terem colocado em causa, por exemplo, simples edições especiais como o Carocha Gelb Schwarzer Renner (GSR). Podia ser incómodo, mas a visão era politicamente correta: a Volkswagen era o ‘Carocha’ e o Golf era o seu sucessor. Assim mesmo, sem grandes alaridos, antes apostando na robustez, na fiabilidade, no sentido prático.

Projeto ‘incógnito’

Todavia, seis apaixonados pelos automóveis não ‘entendiam’ os automóveis da mesma forma e decidiram seguir um rumo muito próprio, depois de se aperceberem do potencial para criar um “sport Golf”, como foi conhecido o projeto inicialmente. O ‘padrinho’ desta “sociedade secreta” foi Anton Konrad, na altura diretor de comunicação da Volkswagen e ele próprio um ávido entusiasta de desporto automóvel. O mítico homem da comunicação de Wolfsburgo recorda hoje a ideia que um dia lhe entrou pelo gabinete.

“Éramos um grupo de seis pessoas que tinha visto o potencial do Golf para uma versão desportiva: Horst-Dieter Schwittlinski, do marketing, que seria de resto o autor da sigla ‘GTI’; Hermann Hablitzel, líder de projeto do Golf; Gunther Kuhl, da divisão de desporto automóvel; Jürgen Adler, do design de interiores; Herbert Schuster, líder do departamento de testes de carros de passageiros; e eu próprio. Pouco depois juntar-se-ia a nós o engenheiro de testes Alfons Löwenberg, enquanto Schuster se dedicava à passagem da ideia para conceito viável de produção”, recorda aquele elemento, hoje longe dos holofotes.

Volkswagen feiert den 40. Geburtstag des Golf GTI

Konrad aborda aquelas primeiras reuniões do conjunto de homens pouco ligados ao processo de decisão de novos modelos: “Acertámos que iríamos trabalhar nas nossas horas livres e manter o processo reservado ao grupo. Na verdade, ninguém tinha coragem para levar um projeto destes à administração num contexto tão avesso a loucuras”. Apenas uma decisão de base ficou bem clara: “O ‘sport Golf’ teria de ser absolutamente contido nos custos”.

Não perca, em breve, o próximo capítulo deste especial dedicado ao Volkswagen Golf GTI.

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