Notícias actualizadas ao minuto sobre o sector automóvel

Sérgio Ribeiro: “Infelizmente, no tema da fiscalidade automóvel, os anos negros não acabaram”

sergio ribeiro

Com a entrada em vigor do novo Orçamento do Estado alterou-se também o enquadramento fiscal para o setor automóvel em Portugal, com um aumento generalizado nos preços dos veículos novos.

As marcas encaram este dado com alguma apreensão, uma vez que poderá atenuar o ritmo de crescimento verificado até aqui pelo mercado automóvel nacional, seriamente afetado pelo período de crise, mas também com relativo otimismo, assentando a sua confiança em gamas de modelos novos adequadas aos gostos dos consumidores Portugueses.

Esse é o caso da Hyundai Portugal, com o seu Administrador-delegado e CEO, Sérgio Ribeiro, a considerar que o setor automóvel tem sido ao longo dos anos um dos principais prejudicados pelas decisões de sucessivos governos em taxar a indústria automóvel e os combustíveis, sendo este um dos que mais contribui para as receitas do Estado. Na parte final da entrevista concedida ao site Automonitor, lança também o repto: olhe-se para os bons exemplos de Espanha no que a esta matéria diz respeito.

Resta falar, ainda, do tema da fiscalidade e do mercado nacional: como é que vêem o
estado atual do mercado após uma série de anos ‘negros’ para o setor automóvel nacional?

Infelizmente, no tema da fiscalidade, os anos negros não acabaram. Aliás, até houve recentemente um novo reforço da carga fiscal, não só diretamente sobre os automóveis, mas também nos produtos petrolíferos. E houve até uma diminuição nos incentivos à aquisição de viaturas “verdes” e menos poluentes. Ou seja, uma clara penalização para
quem adquire qualquer tipo de viatura automóvel. Se a isto somarmos uma legislação despropositada ao nível da definição de classes de tarifas de portagens (onde temos uma diferenciação entre classe 1 e classe 2 com base num critério de medição de altura vertical do primeiro eixo, e não, como deveria ser, com base no peso bruto dos veículos
que é o verdadeiro fator de desgaste dos pisos), parece-nos que, a esse nível, o mercado não irá mudar muito.

Mas um bom exercício para perceber, rapidamente, a questão da fiscalidade direta sobre o setor é olhar, por exemplo, para Portugal e Espanha: dois países vizinhos, tendo Portugal um poder de compra bem abaixo de Espanha. Mas, se pegarmos num mesmo modelo de uma dada marca, exatamente igual e com os mesmos acessórios e especificações, o modelo em Portugal pode ser 35% mais caro… Portanto, acho que sobre este tema este exemplo é clarificador
Preveem efeitos nefastos da introdução em vigor do novo OE e do aumento de impostos?

Efeitos nefastos não… A palavra é demasiado forte. Mas é preciso equacionar a forma como se olha para este setor. Porque algumas medidas sucessivamente tomadas sobre o setor parecem-nos indicar que, por um lado, o setor automóvel é visto quase sempre pelos efeitos negativos: um setor importador, que contribui para o aumento das
importações, da carga poluente, sempre ligado a uma área “consumista” da sociedade.

Mas, curiosamente, quando é preciso ir buscar receita, é sobre esta área que caem as soluções de “curto prazo”. Até aqui é preciso lembrar que este efeito imediato não é eternamente elástico: um aumento sucessivo da carga fiscal pode travar de tal forma a procura que não sirva para resolver qualquer questão de receita para o país. É preciso,
sobretudo, lembrar que este setor é fonte de produtividade e desenvolvimento para Portugal: emprega diretamente muita gente em Portugal, se pensarmos em toda a parte produtiva, mas também na distribuição, retalho, etc., à volta do setor assentam uma série de pequenas e médias empresas ao nível de fornecimento de acessórios, peças,
componentes, serviços diversos.

E também de desenvolvimento tecnológico, etc, etc…E que, muitas vezes, quando se fala no aumento de exportações em Portugal fala-se do aumento das exportações das empresas que, no nosso país, estão a produzir veículos, peças e componentes para outros países do Mundo… O que é preciso é olhar de uma forma diferente para esta realidade e ter em consideração uma visão muito mais lata e de longo prazo.

Ler Mais
OUTRAS NOTÍCIAS
Comentários
Loading...

Multipublicações

Human Resources
Estas profissões vão desaparecer já a partir deste ano. Saiba se a sua é uma delas
Marketeer
O Boticário lança perfumes criados com a ajuda de IA