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Ensaio Mercedes-Benz C 250 d Coupé: Curvas sedutoras

Ponto prévio: todos sabemos que gostos estéticos são meramente subjetivos. No entanto, não há como negar um certo poder de atração que emana da carroçaria do Mercedes-Benz C Coupé. Sobretudo, quando pintado numa enigmática cor matizada capaz de chamar a atenção por onde quer que se passe. Assumindo-se como uma das traves-mestras da renovação da gama do Classe C, encetada há dois anos com a versão berlina e que entretanto foi já agraciada com as chegadas das versões carrinha, coupé e, brevemente, cabrio, reside sobre este C Coupé a aura mais desportiva e, naturalmente chamativa.

Volte-se um pouco atrás para abordar a imagem deste Classe C Coupé: à frente pouco muda, notando-se essencialmente a grelha desportiva e o para-choques de aberturas desportivas (complementado pelo muito interessante Pack AMG, uma ‘obrigatoriedade’ com custo de 1550 euros), mas é a partir daí que tudo ganha maior relevância em termos de diferenciação. Tejadilho com inclinação suave rumo ao compartimento da mala com pilar C estilizado. Na traseira, na tampa da bagageira, desponta o discreto spoiler superior que remete para o bem mais exclusivo AMG GT. No para-choques as aplicações AMG reforçam o visual musculado também preconizado pelas imponentes jantes raiadas de 19 polegadas. Uma autêntica conjunção de curvas sedutoras.

Mas, atributo que verdadeiramente o fez destacar da multidão – um tanto ou quanto ironicamente na medida em que a cor é usualmente conotada com uma pretensão mais ‘stealth’ – foi a pintura Designo (cinzento Selenite Magno). Polícias, outros condutores (como o de um Volkswagen Passat CC que deu a sua aprovação ostensiva com o polegar bem estendido pela janela do seu carro) e juventude à porta de escolas viraram cabeças à passagem deste C Coupé.

Qualidade interior

Campo no qual a Mercedes-Benz volta a estar em grande forma é no da construção e qualidade do interior, com materiais irrepreensíveis (nota para as várias aplicações em alumínio) e junção dos painéis à prova de falhas. Irrepreensível é também a posição de condução assegurada pelos bancos desportivos com bom apoio lateral do tronco e bom suporte para as pernas. Na consola central – avantajada – os comandos surgem dispostos de forma racional e funcional, ainda que o controlo tátil do sistema de infoentretenimento seja inadvertidamente tocado quando, por exemplo, se aumenta o volume ou roda o seletor colocado logo por baixo. Nada de relevante a que o hábito não se sobreponha.

A funcionalidade acaba por estar em bom nível graças aos espaços de arrumação disponíveis nos lugares da frente – nas portas e no túnel central – mesmo que o espaço do porta-luvas seja exíguo.

Viajar a bordo do C Coupé pressupõe lotação apenas para quatro passageiros, mas o design esbelto desta carroçaria obrigou a algumas concessões: o acesso ou saída dos bancos traseiros não é propriamente a tarefa mais simples e, uma vez sentados, o espaço disponível é apenas adequado para passageiros de estatura média. Mais de 1,80 metros e a cabeça estará em contacto com o forro do tejadilho. Em contraponto, o espaço para as pernas é bastante aceitável. Seja como for, a bordo vive-se uma experiência plena de refinamento e de qualidade com imagem desportiva que marca muitos pontos. A capacidade da mala está longe de ser referencial atendendo aos quase 4,7 metros de comprimento da carroçaria, mas os 380 litros são mais do que suficientes para levar as malas de família em viagem.

Diesel ao poder

Não será certamente a versão que a maior parte dos entusiastas de modelos de visual desportivo esperariam, mas o motor 2.1 a gasóleo de 204 cv de potência é muito bem-vindo em termos comerciais e dá-se muito bem a um equilíbrio assinalável entre prestações e economia. Associado a caixa 9G-Tronic, este bloco exibe fôlego assinalável desde baixas rotações, sendo fácil de explorar até a um patamar em redor das 3500 rpm, denotando nesse intervalo uma reatividade enérgica muito competente.

Ativando o modo Sport+ no Seletor de Condução Dinâmico (de um total de cinco: Eco, Comfort, Sport, Sport+ e Individual), as respostas assumem uma maior prontidão (atribuível aos 500 Nm de binário às 1600 rpm), sentindo-se de forma veemente o impulso concedido pelo motor a este conjunto com peso na ordem dos 1600 kg. Quando se procura maior suavidade de condução para o dia-a-dia, a qualidade e suavidade do motor diesel (antigamente denominado CDI) permitem viagens tranquilas e económicas q.b. A média obtida foi de 6,7 l/100 km, algo longe dos 4,2 l/100 km anunciados pela Mercedes-Benz, mas que se coadunam bem com o nível de prestações oferecidas.

Nota, ainda, para a eficácia das passagens de caixa, com bom ‘entendimento’ das necessidades do motor em cada momento e, sobretudo, quando em modo sequencial (com patilhas atrás do volante), permitindo rápidas trocas de relação à ‘vontade do freguês’.

De igual forma, sobressai o comportamento dinâmico deste C Coupé. Apontar o volante (desportivo e com excelente pega) leva, quase instantaneamente a frente para o lado desejado, aliando precisão ao nível elevado de informação proveniente das rodas. Equipado com suspensão opcional Airmatic (de série surge com suspensão metálica desportiva e sistema Agility Control), o rolamento da carroçaria é bem neutralizado, levando a passagens velozes em curva com segurança e neutralidade. Aqui, inversão do título: deixamo-nos seduzir pelas curvas… da estrada. O equilíbrio nessa tarefa é também assegurado pelo controlo de estabilidade que é um pouco interventivo em excesso, impedindo grandes veleidades à traseira, mas compreensível e, em última instância, não impede que se tire prazer de condução ‘viva’.

No modo Comfort, prima o… conforto, bem conseguido, mesmo que se note alguma secura do amortecimento em pisos mais degradados.

Equipamento… bem pago

De série, o C Coupé é algo mais modesto em termos de equipamento, montando jantes de 17” em vez das de 19” e contando com visual não tão ostentatório como o providenciado pelos kits AMG. Ainda assim, conta com Aviso de Proximidade ao veículo da frente, ar condicionado automático bi-zona, cruise control, sensores de chuva e de luminosidade e sensores de estacionamento nas duas extremidades da viatura. O preço de base da versão 250 d C Coupé é de 50.850 euros, mas com os extras como os já mencionados da AMG (1550 euros do exterior e 650 euros do interior), a cor da carroçaria (2500 euros), o sistema de estacionamento ativo (900 euros) ou o pack de Condução Dinâmica (1500 euros), entre outros, o preço da versão ensaiada ascende aos 71.970 euros. O único ‘senão’ desta ‘bela’…

VEREDICTO

Numa carroçaria que apela a uma veia desportiva, o casamento com a mecânica diesel de 204cv e a caixa 9G-Tronic resulta muito bem. Não tanto pelas prestações oferecidas, que não são de espanto, mas porque permite retirar já algum divertimento de um chassis tremendamente bem conseguido, com movimentos de carroçaria contidos e seguros e direção que prima pela precisão. Exige algumas concessões práticas, por exemplo, ao nível da habitabilidade traseira ou da volumetria da mala, mas este C Coupé promete encher as medidas a quem procura um coupé desportivo eficiente e de ‘encher o olho’. Como já atrás foi referido, os opcionais podem ser o seu pecadilho mais evidente, agravando a fatura final caso se seja muito… descuidado.

FICHA TÉCNICA
Mercedes-Benz C 250 d Coupé
Motor
Tipo            4 cilindros em linha, long.,injeção direta, TGV, intercooler
Cilindrada        2143
Diâmetro x curso (mm)    83,0 x 99,0
Taxa compressão    16,2:1
Potência máxima (cv/rpm) 204/3800
Binário máximo (Nm/rpm)    500/1600-1800
Transmissão e direcção
Tracção            Traseira
Caixa            Automática de 9 velocidades
Direcção        Pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica
Dimensões e pesos
Comp./largura/altura (mm)    4686/1810/1405
Distância entre eixos (mm)    2840
Largura de vias fte/tras. (mm)    1563/1546
Travões fr/tr.    Discos ventilados/discos
Peso (kg)    1645
Capacidade da bagageira (l)    380
Depósito de combustível (l)    66
Pneus série – equipados     225/50 R17 – 225/40 R19 (Continental ContiProContact SSR)
Prestações e consumos
Aceleração 0-100 km/h (s)    6,7
Velocidade máxima (km/h)    247
Extra-urb./urbano/misto (l/100 km)    3,8/4,8/4,2
Emissões de CO2 (g/km)    109
Preço base (Euros)    50.850
Preço versão ensaiada (Euros)    71.970

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