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“Temos de ser competitivos também nos segmentos mais baixos”

 

Anders Gustafsson, Senior Vice President EMEA Region

A estratégia da Volvo para se afirmar como alternativa às marcas premium alemãs passa por um controlo dos custos, a afirmação da marca em territórios como a segurança, a eletrificação e a condução autónoma e uma forte ofensiva de produto, com a entrada em força no segmento dos veículos compactos. Em quatro anos, toda a gama da Volvo será renovada.

“É muito fácil vender carros, mas e mais difícil ganhar dinheiro com isso. A nível industrial, é fundamental o controlo apertado dos custos e daí o investimento da Volvo Cars em novas plataformas que servirão de base a todos os futuros modelos da marca e que nos permitirão obter grandes sinergias de custos de desenvolvimento”, explicou à Automonitor Anders Gustafsson, que no ano passado assumiu o cargo de vice-presidente sénior do Grupo Volvo para a região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA).

A região EMEA responde hoje por 62% das vendas do grupo, ou sejas, por mais de 300 mil veículos dos mais de meio milhão que a companhia vendeu no ano passado. O Objetivo é atingir vendas globais de 800 mil unidades até 2020 e chegar ao milhão, cinco anos depois. E se hoje a Volvo vale cerca de 1/4 dos seus rivais premium alemães, dentro de apenas oito anos terá reduzido a diferença a metade.

Os novos acionistas da companhia, os chineses da Geely, investiram mais de 7 mil milhões de dólares na modernização e construção de novas das fábricas, no desenvolvimento das novas plataformas e na atualização e alargamento da gama de modelos.

A fábrica americana na Carolina do Sul vai entrar em breve em operação, reforçando a presença da Volvo nos EUA, um dos principais mercados da marca, a par com a China, onde o Grupo também tem aumentado a produção local. No primeiro trimestre do ano, a China ultrapassou os EUA, passando a figurar como o maior mercado fora da Europa.

Em termos de produtos, a aposta passará pelo lançamento de uma gama completa de veículos compactos. A estratégia da Volvo para modelos compactos é um elemento essencial na transformação operacional e financeira que a marca tem já em curso, a nível mundial.

“Para sermos rentáveis precisamos de ser competitivos também em segmentos do mercado mais baixos, que nos permitem maiores escalas e volumes de vendas. Daí a nossa aposta numa gama completa de veículos compactos, o segmento com maior crescimento de vendas”, refere Gustafsson.

Aposta nos modelos compactos

Num horizonte a três anos e meio todos os modelos Volvo serão novos ou renovados, fazendo com que o XC 90, lançado há apenas um ano, seja o mais antigo da gama.

No segmento do luxo, o XC90 terá a companhia da berlina S90 e da carrinha V90, que chegam ao mercado daqui a algumas semanas e que passarão a constituir o topo da gama Volvo. O XC60 e toda a gama de modelos familiares S60 e V60 será alvo de uma atualização e no segmento dos compactos o atual V40 será completado com o SUV XC40 (ilustração abaixo) e a berlina S40. Estes modelos serão os primeiros a utilizar a plataforma Compact Modular Arquitecture (CMA), que o Grupo desenvolveu para os modelos compactos. e que se juntará à Scalable Product Architecture (SPA), que a marca estreou no XC90, e que é a plataforma para os modelos médios e grandes.

Volvo XC40 illustration

O vice-presidente do Grupo acredita que a entrada nos segmentos mais populares do mercado, em concorrência direta com as marcas generalistas, não afetará o estatuto de marca premium da Volvo. “Tal como um hotel de 5 estrelas pode ter vários níveis de quatros – da suite presidencial no último andar aos quartos mais standard, mas sempre com um serviço excelente – também as marcas premium podem estar presentes em vários segmentos, desde que garantam os seus níveis de qualidade e requinte”, assegura.

Já em 2017, a condução semi-autónoma será uma realidade. “A condução assistida já é standard na indústria, mas isso ainda não é ainda condução autónoma”, refere Gustafsson, garantindo que os Volvo que estarão à venda no próximo ano estarão na linha da frebtes neste campo.

A Volvo está também fortemente empenhada em ser um dos fabricantes pioneiros nas motorizações elétricas. Até 2020 a marca terá a oferta de versões 100% elétricas e plug-in híbridas elétricas (PHEV) em todas as suas gamas.

“O problema da atual geração de veículos 100% elétricos é a autonomia”, diz Gustafsson, adiantando que a “ela terá de rondar os 500 Km para nos libertarmos da angústia de autonomia. Temos de estar seguros de que o carro elétrico nos pode levar do ponto A ao Ponto B”.

“A verdade é que os nossos produtos estão a ficar mais complexos, com a electrificação dos motores, a conectividade e a condução autónoma”, conclui.

Personal Trainer para cada cliente

“Hoje, já não ganhamos tanto dinheiro a vender carros, mas em tudo o que esta a volta do carro, dai precisarmos de cuidar do cliente”, adianta Gustafsson,, justificando a aposta da marca no Volvo Personal Service, um inovador serviço de assistência personalizado, que garantirá a cada cliente Volvo o seu próprio técnico de manutenção pessoal, e que a marca vai começar a introduzir nos vários países em que está presente, já a partir de Julho.

“A razão porque algumas marcas estão numa corrida às vendas, mesmo não ganhando dinheiro co isso, é porque elas embora não ganhem dinheiro a vender carros, ganham-no no após venda e para isso e preciso ter parque circulante”, assegura.

A Volvo está também atenta ao mercado das frotas, muito importante para as marcas premium. “Para ser competitivo nas frotas e preciso ser competitivo em todos os segmentos”, avança Gustafsson. “Hoje, 17% das nossas vendas são a frotas e, para isso, precisamos de ter uma marca forte e garantir bons custos de utilização (TCO) e bons valores residuais”

“Trabalhando os produtos e os valores residuais e com uma marca de que o cliente gosta podemos ganhar quota nas frotas, mas para isso precisamos de estar mais forte no segmento dos veículos compactos e não entrar na loucura das promoções e descontos, que esmagam as margens do negócio e retiram valor à marca”.

 

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