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Ensaio SEAT Leon ST 1.6 TDI Style: A homogeneidade como trunfo

Homogeneidade é o atributo que mais prevalece neste Leon ST, englobando um conjunto de valências que fazem dele um dos familiares mais competentes da sua classe. Mas será que homogéneo significa monótono?

Dada a quantidade e qualidade da oferta de modelos cariz familiar, de todas as formas e feitios, torna-se difícil escolher na hora de comprar novo. Contudo, optar por aquele automóvel que, numa convivência diária, nos irá proporcionar prazer de condução e satisfazer todas as necessidades de espaço, comodidade e conforto, e que de permeio não nos irá assaltar a conta bancária, já não é hoje uma ação de fé. Se é verdade que atualmente o complicado é identificar aquilo que podemos chamar de ‘carro mau’, por outro lado o nível de exigência dos consumidores está mais alto do que nunca, fruto de uma indústria que tem evoluído em todos os campos.

Contudo, surge outro problema: com os construtores (leia-se, os generalistas) a seguirem os mesmos parâmetros de satisfação de clientes e a partilharem muitas vezes plataformas tecnológicas e mecânicas, a identidade das marcas e dos seus produtos está cada vez mais escamoteada. O SEAT Leon é apenas mais um produto dessa filosofia de partilha de componentes, naquilo que se revela uma economia em larguíssima escala, mas que também tem como benefício bases competentes e muito bem desenvolvidas.

Um perfeito exemplo disso é o motor 1.6 TDI, que nesta versão tem uma potência de 110 cv, que chega às rodas via uma caixa de cinco velocidades. Aquando da sua primeira encarnação – surgiu inicialmente no VW Golf –, este motor era manifestamente anémico a baixo regime e não satisfazia maiores exigências de peso e carga. Felizmente, os engenheiros do grupo VW deram a volta ao assunto e a evolução demonstrada nesta renovada variante de 110 cv é bastante mais animadora. Tanto a baixa como a média rotação, a disponibilidade garante agora pujança, sem necessidade de estarmos sempre a socorrer-nos da caixa à procura de mais força, originando uma condução mais aprazível e até mais económica. Não é que tenha uma resposta bombástica, mas dentro do seu género é linear o suficiente e espevitado quando queremos despachar quilómetros.

No entanto, a velocidades mais elevadas, ‘estender as mudanças’ para lá das 3500 rpm não traz resultado, pois a partir desse marco este 1.6 TDI deixa claramente de progredir. O que não surpreende, pois a potência máxima desenvolve-se às 3200 rpm – enquanto o pico de binário se estende das 1500 às 3000 rpm –, pelo que é um propulsor que adapta claramente a uma condução mais fluída por estradas secundárias e zonas urbanas.

Sendo uma versão claramente com a economia em mente, conta com start/stop de série, ideal para a cidade. E mesmo considerando que uma transmissão de seis relações traz benefícios no que toca aos consumos, uma média de 5,8 l/100 km, numa utilização real e por percursos mistos, é um valor muito digno (ainda que longe dos 3,9 l/100 km oficiais), subindo para os 6,2 litros quando apressámos o passo durante o nosso ensaio.

Postura dinâmica

Se esta plataforma é usada por ‘primos’ de outras marca dentro do grupo VW, não é menos verdade que é nos pormenores que cada sigla se demarca para dar um caráter próprio aos seus produtos. Tendo a SEAT uma orientação mais desportiva, mesmo os seus modelos ‘correntes’ têm uma atitude mais dinâmica. É o caso desta versão, que não tendo um chassis propriamente desportivo, não deixa de ser um interessante de conduzir no dia-a-dia. E quando dizemos interessante, o que queremos transmitir é que a suspensão é firme o bastante para garantir uma boa postura em curva e reações previsíveis sem ser desconfortável em pisos disformes, proporcionando também estabilidade a velocidades elevadas, mesmo quando a carga é elevada.

O eixo dianteiro acutilante agrada em percursos enrolados, com margem para perdoar os pequenos exageros sem que se pague com trajetórias muito largas. Do mesmo modo, a direção, embora não seja um primor de feeling com a estrada, é suave e minimamente informativa, embora seja necessário desligar o Lane Assist (manutenção na faixa de rodagem) para eliminar o tato altamente artificial – impulsos na direção – que este dispositivo provoca quando deteta traços contínuos e descontínuos na estrada sem que acionemos o ‘pisca’. É sem dúvida um acrescento de segurança, mas os condutores mais confiantes hão de preferir desligá-lo numa condução mais empenhada.

No geral, e mérito dos comandos precisos (seletor de caixa e pedais) e do posto de condução ideal, o Leon ST 1.6 TDI é daqueles automóveis que cumpre na perfeição face a um condutor exigente. Pode não ser propriamente ‘estimulante’ em termos dinâmicos, até porque é a base da oferta Diesel dentro da gama, mas está longe de ser entediante e cinzento numa utilização diária, evidenciando-se face a modelos de ergonomia melhorável, de suspensão bamboleante e de mecânica ‘amorfa’.

Família feliz

Em qualidade de acabamentos e materiais de revestimento, já não há discrepâncias entre o Leon e os seus primos germânicos. O ambiente tem um toque clean e hi-tech sem ser demasiado requintado, mas a palavra correta para empregar seria mesmo ‘agradável’.

Como carrinha, sobressai pelo bom espaço habitável com que presenteia os ocupantes, realçando-se a área para joelhos. Não é necessário recuar muitos anos para ver o quanto evoluíram modelos do segmento C nesta matéria. Atualmente, já não são necessários compromissos quando toca a sentar dois adultos de 1,75m à frente e atrás, e este ST é um espelho disso mesmo. Se juntarmos a isto os quase 600 litros de volumetria da bagageira, é fácil perceber o quanto esta carrinha satisfaz as necessidades de uma família exigente.

Há uns quantos pozinhos que podemos acrescentar opcionalmente para tornar as coisas ainda mais práticas e cómodas, como os tabuleiros das costas dos bancos dianteiros e cortinas para as janelas posteriores (pacote Família, por €253), a rede divisória (€162) ou o rebatimento do banco do passageiros (€67). Ainda no que concerne ao equipamento, também o sistema de som pode sofrer um upgrade (com preços a partir de €253) e podemos incluir itens como a navegação (a partir de €719) e mesmo um gancho de reboque (€610).

Já no âmbito da segurança, o Leon está bem apetrechado… mas sempre em opção. Alguns dos sistemas de apoio à condução, como o referido Lane Assist, o Front Assist, o Cruise Control Ativo, o detetor de fadiga do condutor e o reconhecimento de sinais de trânsito ou mesmo os airbags laterais traseiros poderiam fazer parte da lista dos equipamentos de série.

VEREDICTO

Definitivamente, homogéneo está longe de se equivaler a monótono. Aglomera virtudes que fazem com que sobressaia face à média dos seus concorrentes diretos. Pelo que, se espaço, conforto, economia e uma competitiva relação preço/equipamento fazem deste Leon ST uma proposta monótona, então monotonia é algo de que realmente gostamos.

FICHA TÉCNICA
SEAT Leon ST 1.6 TDI Style S&S
Motor
Tipo       4 cilindros em linha, transv., injeção direta, TGV, intercooler
Cilindrada (cm3)               1598
Diâmetro x curso (mm)                79,5 x 80,5
Taxa compressão    16,2:1
Potência máxima (cv/rpm) 110/3200
Binário máximo (Nm/rpm)    250/1500-3000
Transmissão e direcção
Tracção            Dianteira
Caixa            Manual de 5 velocidades
Direcção        Pinhão e cremalheira, com assistência elétrica
Dimensões e pesos
Comp./largura/altura (mm)    4535/1816/1454
Distância entre eixos (mm)    2636
Largura de vias fte/tras. (mm)    1544/1514
Travões fr/tr.    Discos ventilados/discos
Peso (kg)    1305
Capacidade da bagageira (l)    587
Depósito de combustível (l)    50
Pneus série – equipados     205/55 R16
Prestações e consumos
Aceleração 0-100 km/h (s)    10,9
Velocidade máxima (km/h)    194
Extra-urb./urbano/misto (l/100 km)    3,5/4,6/3,9
Emissões de CO2 (g/km)    102
Preço versão Style (Euros)    27.496

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