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“Todas as gamas Toyota e Lexus terão motorizações híbridas”

David Reis - Toyota Caetano (3)

“A tecnologia híbrida é para já a grande aposta na Toyota, que a vai continuar a alargar a todos os seus modelos e a todas as suas gamas”, diz David Reis, Adjunto da Administração e Managing Director da Toyota Caetano, na quarta e última parte da entrevista à Automonitor. Em Portugal, os híbridos já valem cerca de 25% das vendas. Felizmente cada vez mais, temos mais clientes que procuram os nossos Concessionários que pretendem adquirir estas viaturas.

Muita da tecnologia que está instalada nos carros são fornecidos por fabricantes especialistas que os fornecem a todos as marcas. Os carros estão a ficar iguais? O que distingue hoje as marcas?

O serviço ao cliente e imagem de marca são de facto determinantes. Nós, na Toyota Caetano Portugal, passamos da satisfação do cliente, para medirmos a Sua recomendação. Uma coisa é estarmos satisfeitos enquanto cliente, outra é recomendarmos; isto é: subimos a fasquia quando avaliamos.

Temos um sistema de informação online: “online recomendation”, que foi implementado há um ano. Trata-se dum portal onde estão todos os concessionários e que exige tempos de resposta muito curtos para todos os problemas levantados pelos clientes. São inquiridos todos os clientes de viaturas novas e cerca de 20% dos clientes que passam diariamente nas oficinas da rede de concessionários. Pensamos ser este o caminho por onde se começa a construir uma boa imagem e um bom valor para as nossas marcas.

Mas aos carros de diferentes marcas são, ou não, quase iguais?

Não é bem assim. Por um lado, o grau de exigência de cada marca com os seus fornecedores em muitos casos ainda será diferente. Por outro, a longevidade e durabilidade dos veículos depende muito disso e dos níveis de exigência no que respeita á qualidade do produto final.

As novas marcas automóveis de cariz tecnológico, como a Tesla ou a Google, terão futuro na indústria? Como vê este equilíbrio de mercado entre fabricantes de automóveis de empresas de tecnologia?

O cliente decidirá. Não conseguimos prever o futuro, mas para se ocupar um lugar de destaque na Indústria tem de haver “mass production”. A indústria não avança sem fábricas, pois é nosso entender, e no caso da Toyota, que se calhar não vale a pena investir numa fábrica que não produza cerca de 100 mil carros por ano.

E quando falamos em produzir 100 mil não nos referimos à produção num único ano, é a produção anual continuada ao longo de alguns anos. E o que é que isto acarreta à indústria, quer a montante, quer a jusante? À volta de uma fábrica estão muitos interesses, muitos fornecedores, muita gente envolvida, há uma cadeia de valor extremamente importante desde o fabrico dum simples componente à utilização da viatura por parte do cliente.

A eletrificação, a conetividade, o carro autónomo, não estão a evoluir a um ritmo muito mais acelerado do que todos nós esperávamos?

É verdade. Nesse aspeto até costumo comparar duas grandes indústrias, a farmacêutica e a automóvel, que continuam a evoluir muito rapidamente e com uma capacidade extraordinária. Foram as questões ambientais (emissões, normas Euro 5, Euro 6, …), depois os Safety Systems, os Sistemas Multimédia, a conectividade, etc… Hoje para conduzir um automóvel e tirar partido de tudo o que ele nos oferece, temos de dar uma Formação bem específica a todos os nossos profissionais para que, quando o cliente nos entra pela porta sejamos capazes, de uma forma simples e clara, o elucidar a tirar o melhor proveito da sua viatura.

A Toyota Caetano Portugal possui desde a sua origem uma Academia que diariamente se dedica à contínua formação a todas as áreas operacionais da rede.

A aposta da Toyota é nas motorizações híbridas?

É um dos nossos principais ativos e a nossa estratégia, repito, passa por cimentar a nossa presença e liderança nas motorizações híbridas. Há um testemunho do cliente que prova a opção desta solução tecnológica. O híbrido traz poupanças não apenas pela redução de consumos, mas também ao nível da manutenção… Não será por mero acaso que a Toyota tem já em todo o mundo mais de oito milhões de Clientes e a Lexus já ultrapassou o milhão.

Estamos a terminar um estudo com valores reais (avaliação chassis a chassis) e a verdade é que um híbrido só muda, em média, calços de travões, por volta dos 80/90 mil quilómetros. A marca dá uma garantia de 10 anos à bateria híbrida. Em todas as oficinas temos uma baia específica só para híbridos. Tudo isto dá de facto uma “paz de espírito ao cliente” que é de facto o que pretendemos.

E porquê híbridos puros e não híbridos plug-in ou 100% elétricos?

Neste momento a Toyota quer continuar a apostar na massificação dos híbridos e mais de 30% das vendas de veículos de passageiros na Europa já são com motorizações híbridas. Mesmo em Portugal, num passado bem recente o peso das viaturas hibridas era de 7% e estamos agora a caminhar para os 25% de quota de híbridos, que será com certeza alcançada já este ano. Se tudo correr como o previsto, este ano vamos vender em Portugal mais de 2000 viaturas híbridas.

Quem é que vai ser penalizado com as novas motorizações?

A legislação das emissões está a apertar os prazos de cumprimento, e é um fato que já estamos a assistir a um peso cada vez maior de viaturas a gasolina e híbridas.

A aposta nos híbridos é, portanto, uma questão de estratégia de maturação do investimento?

Sim, claramente.

Mas híbridos puros, porquê, se muitos analistas garantem que que o futuro passará sobretudo pelos híbridos plug-in?

Sim, esse é o melhor de dois mundos, pois permite funcionar em modo 100% elétrico nos percursos pendulares de 20/30 quilómetros do dia-a-dia, mas se quisermos distâncias maiores garante-nos as vantagens de um motor de combustão, sem problemas de autonomia.

Mas a Toyota no campo das propulsões alternativas já deu um passo de gigante, com o lançamento do Mirai, movido a hidrogénio, do qual já se venderam as primeiras 50 unidades a clientes finais. Há apoios muito significativos em alguns países, como por exemplo a Dinamarca, Inglaterra, que já estão a alavancar as vendas do Toyota Mirai.

O caso das emissões que rebentou no ano passado afetou uma marca em particular ou a imagem de todo o sector?

Acho que vai afetar a indústria no seu todo, quer pela negativa quer pela positiva até porque ainda não sabemos realmente a verdadeira dimensão do problema.

A questão é que a legislação inerente às emissões existe, é para cumprir, e o espaço temporal com todas estas exigências torna-se cada vez mais curto e, naturalmente, os fabricantes terão de se adaptar a estas novas realidades.

Por que é que a fiscalidade verde em Portugal não incluiu os híbridos puros?

Não faz sentido.

As marcas generalistas não têm em Portugal uma imagem envelhecida?

Gradualmente, essa imagem tem-se vindo a alterar. Seria verdade há dez, quinze anos atrás, mas no nosso caso em particular, tivemos de fazer um volte face completo em Portugal, pois 75% das nossas vendas eram por essa altura veículos comerciais e 25% de passageiros. Face à política da Toyota em investir fortemente em novas carroçarias de viaturas de passageiros, tivemos de nos adaptar e vamos terminar este ano com cerca de 85% passageiros (todos os modelos com a gama renovada) e 15% comerciais. Os nossos concessionários adaptaram-se rapidamente e conseguiram com todo o mérito conquistar novos clientes. Conforme referi, veja-se o peso dos híbridos, nomeadamente no Yaris e Auris ou no recentemente lançado novo Prius  onde estamos a conquistar clientes mais jovens para a marca. Também estamos mais fortes com a nova geração do Aygo, no segmento A, onde praticamente todos os compradores são novos clientes para a marca.

Como é gerir duas marcas, como a Toyota e a Lexus?

O alicerce está na Toyota, e a Lexus que até agora era a marca premium da Toyota, ganhou o seu próprio espaço e é hoje uma unidade totalmente exclusiva. A Lexus está a apontar para vender 100 mil carros em 2020 na Europa. Este ano, já deverão chegar às 70 mil unidades. Neste momento a Lexus já tem sete modelos, todos híbridos, e irá ver reforçada a sua oferta no segmento dos compactos. A própria perceção de que a Lexus era extremamente cara, é uma imagem que estará hoje ultrapassada.

Porque é que a Lexus não consegue, na Europa, a mesma projeção e sucesso que tem nos EUA e na Ásia?

Foram decisões estratégicas da Toyota Motor Corporation, É importante contextualizar  a vários níveis o que representa a Europa, versus EUA e Ásia.

Naturalmente que a Europa vai atingir a projeção desejada, pois os modelos comercializados são basicamente os mesmos nestes Continentes e percentualmente o crescimento na Europa estará já apontar para ser superior.

Que novidades vão apresentar este ano?

Além da Hilux e da Proace, iremos ter uma novidade de impacto que será o C-HR (Coupe High Rider. É um SUV do Segmento C (segmento onde passaremos a estar representados) com look de coupé e duas motorizações, uma das quais híbrida e outra gasolina 1.2 turbo. Terá como base a plataforma modular TNGA (Toyota New Global Architecture), que vai ser utilizada nos modelos compactos e médios. Há uma forte aposta neste modelo a nível mundial.

Este novo modelo não canibaliza o RAV4?

Não, de todo, pois trata-se de um conceito completamente diferente e é mais compacto. O C-HR é um crossover. O RAV4 é um SUV com motorização híbrida e diesel, e tem sido um enorme sucesso em vendas com sete meses de espera em alguns países.

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