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Carlos Tavares: “‘Push to Pass’ tem como objetivo libertar o potencial e energia do Grupo PSA”

AUTOCAR_Carlos Tavares

Um dos homens-fortes da indústria automóvel do momento é Carlos Tavares que, desde que assumiu as rédeas do Grupo PSA, responsável pelas marcas Peugeot, Citroën e DS, conseguiu recolocá-lo na senda do sucesso económico. Em entrevista ao programa Grande Entrevista da RTP1, o responsável Português levantou o véu sobre aquilo que espera o grupo para o futuro e qual a sua visão estratégica para a PSA e até para a indústria automóvel.

Destacando o “elevado nível de competitividade da indústria automóvel atual”, Carlos Tavares recorda que chegou à PSA a 2 de dezembro de 2013, mas só em fins de março tomou posse, tendo encontrado a companhia numa posição “bastante má, numa situação crítica em termos de tesouraria com rentabilidade negativa. Era uma situação muito difícil, quase de pré-falência. Em março de 2014 tivemos de aumentar o capital da empresa com novos acionistas como o Estado Francês e a chinesa Dongfeng, o que nos deu um pouco mais de tempo para reconstruir o modelo de negócios da empresa, o que fizemos durante 2014 e 2015. Um trabalho que está agora feito graças ao plano ‘Back in the Race’ e que nos dá o privilégio de estar hoje com zero dívidas e rentabilidade de cinco por cento”

Entre as decisões mais importantes tomadas após a sua entrada no cargo de CEO do grupo PSA, Carlos Tavares destacou três medidas: “a redução dos custos fixos, a comunicação de forma mais eficiente com os mercados para reduzir o número de descontos dos nossos automóveis (aumento da receita unitária) e a produtividade da nossa área industrial, ou seja, reduzir os custos variáveis com os fornecedores. Conseguimos, com isso, voltar a ser uma empresa rentável”, enalteceu, lembrando que o sucesso do plano estratégico ‘Back in the Race’ assentou em “objetivos ambiciosos, mas exequíveis que permitiu dar a volta à empresa em dois anos”.

Ofensiva em três eixos

Estando a indústria automóvel numa encruzilhada em termos de objetivos e de desenvolvimento tecnológico, Carlos Tavares sustenta o futuro a curto-prazo da PSA com o novo plano ‘Push to Pass’ de metas a dois anos e que permitirão tornar a posição da empresa ainda mais forte no mercado.

“O nosso plano tem como objetivo libertar o potencial e energia do Grupo PSA. Será uma ofensiva em três eixos: ofensiva de produtos e de tecnologia –  com 28 novos modelos em seis anos na Europa através das três marcas; 20 na china, 23 na África e Médio Oriente e 17 na Ásia –, ofensiva internacional para entrar em novos mercados, como a Índia ou América do Norte, onde não estamos presentes e podemos ser fortes e, por último, preparar a empresa para um novo paradigma da indústria automóvel, numa transição de um sistema de propriedade do automóvel para apenas a utilização do mesmo, ou seja, o carsharing. Temos de criar empresas específicas para utilizar este tipo de práticas”, explicou, dando exemplos neste último aspeto do sistema Multicity já em funcionamento em Paris, mas também a parceria com a Koolicar, uma empresa especializada para o género.

Sobre a fábrica de Mangualde, Tavares assegura a manutenção da infraestrutura enquanto “integrante na estratégia europeia da PSA. Vamos continuar a ser a segunda empresa automóvel Europeia e vamos proteger essa posição importante. A fábrica de Mangualde faz parte do sistema industrial Europeu, tem uma performance económica e de qualidade que é de bom nível, mas nesta área nada pode ficar parado e tudo tem de avançar no sentido da performance, o que quer dizer que vamos continuar a melhorar a produtividade e a tentar exportar automóveis de forma eficiente”.

O responsável máximo do Grupo PSA destaca, no entanto, algumas condicionantes para uma melhoria da produtividade da fábrica de Mangualde, como os custos da energia, algo que recentemente já foi abordado, mas sobretudo “as dificuldades em exportar os nossos automóveis de forma eficiente do ponto de vista logístico. Temos que exportá-los do porto de Vigo e ainda tem de ser feito algum trabalho no sistema logístico ferroviário para isso”.

Por fim, falando sobre o estado do país e a situação política, Carlos Tavares destaca que “o tempo para e dar a volta a um país depende dos conssenos que existam”, ainda que revele também o sistemático para a melhoria do país: “criar riqueza, mas, para tal, é preciso que seja mais competitivo, o que, por sua vez, obriga a que cada um de nos tenha o sentido de qualidade do que está a fazer e possa elevar o rigor do que está a fazer para que todo o país possa melhorar e começar a discutir a partilha eficaz da riqueza que se cria”.

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