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Ensaio Opel Astra Sports Tourer 1.6 BiTurbo CDTI: Competência assegurada

A mais recente geração do Opel Astra teve o condão de mexer com o segmento dos compactos familiares do segmento C. Percebe-se porquê. Saído de uma folha totalmente em branco (idealizado pelo Português Pedro Lazarino), o novo Astra perdeu peso, ganhou qualidade transversal a todos os seus elementos e ambições à liderança do seu segmento.

Todas essas alterações, mais do que meramente saídas do compêndio de jargão técnico, têm um efeito prático: mercê da sua nova plataforma, o novo Astra sente-se mais ágil, mais competente no pisar e com uma qualidade de construção que coloca os rivais ‘em sentido’. Por comparação com o modelo anterior, a nova Astra Sports Tourer apresenta uma redução de peso que pode chegar até aos 190 kg, dependendo da versão, o que prova bem o trabalho levado a cabo pela Opel na elaboração desta nova carrinha (só a construção da carroçaria representa uma redução de 85 kg). É obra! Revela, igualmente, que a grande ‘guerra’ dos construtores automóveis na atualidade é travada contra o peso.

Também a carrinha beneficiou dessa ‘luta’, mostrando maior habitabilidade sem, no entanto, largar as características que fizeram do compacto de cinco portas o Carro do Ano Internacional e de Portugal.

Motor vigoroso

Com um leque de motores renovado, o destaque diesel está no bloco 1.6 BiTurbo de nova geração, um bloco de construção em alumínio e dois turbos para respostas mais contundentes. Afinal, tratam-se de 160 cv e de 350 Nm de binário disponíveis logo às 1500 rpm. Entre-se no livro de jargão técnico.

Com arquitetura em alumínio e injeção direta ‘common rail’, este bloco compacto recorre a sobrealimentação com dois turbocompressores, sendo esta a opção mais volumosa a caber no compartimento do motor do novo Astra. Motores maiores do que o 1.6 não  ‘entram’ naquele espaço.

A primeira turbina é de geometria variável (TGV) e assegura pronta resposta nas rotações mais baixa, ao passo que a segunda, fixa, é ativada em velocidades mais elevadas. Face a isso, o motor presta-se a uma resposta quase imediata qualquer que seja a relação engrenada na caixa de velocidades, motivando uma tónica quase desportiva na sua condução e na forma como se consegue extrair a potência. Disso é exemplo a aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 8,9 segundos, que lhe proporciona uma ‘aura’ mais dinâmica em utilização quotidiana.

2016 Opel Astra Sports Tourer

O ‘turbo lag’ (efeito do atraso na resposta do turbo) é praticamente inexistente e há neste modelo uma grande suavidade na forma como progride na faixa de rotações (mais do que o anterior 2.0 CDTI). A essa suavidade junte-se um impressionante cuidado com o isolamento acústico e das vibrações, que são praticamente inexistentes. Em velocidade de cruzeiro – 120 km/h – dificilmente notará no motor a funcionar e o ruído aerodinâmico está igualmente bem ‘abafado’. Tudo isso lhe atribui um epíteto de senhor rolador, competente nas acelerações e na forma como retoma a velocidade, mesmo em 6ª e em subida. A caixa de seis velocidades é um bom auxiliar na apreciação global deste novo modelo da marca Alemã, sendo precisa e com tato curto.

Posto isto, seria de pensar que os consumos teriam tendência a disparar devido aos 160 cv e à sua disponibilidade para acelerar e nas retomas… Puro engano. Com um consumo anunciado de 4,2 l/100 km, a média do nosso ensaio – com 60% de percurso urbano e restantes 40% entre nacionais e autoestrada a velocidades de cruzeiro legais – foi de 5,1 l/100 km! Esse valor é conseguido com o auxílio do sistema Start-Stop que para o motor em filas de trânsito ou nos semáforos e pela eficácia aerodinâmica, característica muito trabalhada pelos engenheiros da marca. Nota, todavia, para o funcionamento algo irregular do start-stop, que por vezes entrava em ação quando o que se queria era mesmo… andar.

[message_box title=”SABIA QUE?” color=”blue”]O segmento C recebeu nos últimos meses uma estranha guerra de carrinhas em que a designação é quase idêntica? Entre a Renault Mégane Sport Tourer e a Opel Astra Sports Tourer há, à partida, apenas um ‘s’ de separação. Mas, muitos pontos diferenciam estes dois modelos. Além disso, num ponto curioso, os genes Lusos estão presentes em ambas. Do lado da Opel, pela mão e liderança de Pedro Lazarino, que supervisionou o desenvolvimento da nova geração Astra; do lado da Renault pela opinião que os concessionários Portugueses deram ao longo do processo de desenvolvimento da carrinha, os quais foram quase todos aceites pela marca.[/message_box]

Entre as mais espaçosas

Com um comprimento de 4702 mm, largura de 1871 mm (com os espelhos rebatidos) e uma altura de 1510 mm, a nova geração Sports Tourer exibe praticamente as mesmas dimensões que o modelo anterior mas disponibiliza mais espaço para ocupantes e bagagem. A ‘culpa’ está no aumento da distância entre eixos (2662 mm) que providencia mais 28 mm no espaço para as pernas dos ocupantes dos bancos traseiros.

2016 Opel Astra Sports Tourer

A bordo não existem grandes segredos: qualidade geral irrepreensível, bons materiais (como os revestimentos em pele) e espaço que o coloca a par das referências, sobretudo atrás, em que a altura e a amplitude para os joelhos dos passageiros é exemplar. O desafogo permite-lhe destacar-se igualmente na bagageira, com os seus 530 litros, que o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros (proporção 40/20/40) pode elevar para 1630 litros. Na consola central, destaque para o novo ecrã tatil de 7″ aglutindor das principais funções e que simplifica a vivência a bordo, sobretudo porque elimina a diversidade de botões da geração anterior.

Dieta em prol da agilidade

Já atrás se abordou a ‘dieta’ forçada a que este Astra foi sujeito. E é de salientar que essa vicissitude se reflete na competência dinâmica da nova geração. Estável em curva, mesmo com abusos, o Astra evidencia segurança digna de registo sem que disso se ressinta o conforto. Sem necessidade de sistema de controlo dinâmica de chassis (garantem os engenheiros da marca que isso só serviria para acrescentar peso e que o modelo não precisa disso para uma condução desportiva), a versão carrinha também se mostra muito equilibrada na maneira como absorve as irregularidades e transmite conforto aos ocupantes. Um equilíbrio que acaba por ser um dos seus pontos fortes e que faz deste Astra uma das referências dinâmicas do segmento.

Quanto a equipamento, o destaque desta versão – e noutros modelos da marca – é o sistema IntelliLink de nova geração, mais competente nas suas funções de conectividade e de controlo de diversos parâmetros dos sistemas de infoentretenimento. Mas não é o único. A Opel deposita ainda grande fé na tecnologia OnStar, revolucionária pela capacidade de interactividade que disponibiliza ao colocar o condutor em contacto útil e permanente com um centro de assistência (24/7, 365 dias por ano). Situado no Reino Unido, este sistema concece aos utilizadores uma série de informações à distância de um botão, mas também um maior acompanhamento de segurança, por exemplo, em caso de acidente (com o despoletar dos airbags, o centro de contacto entra em contacto com os passageiros e, em caso de ausência de resposta, ativa os meios de segurança).

Também em plano de evidência está o novo sistema Opel Eye (de série no nível Innovation), que por ação de uma câmara dianteira consegue coordenar uma série de ajudas, como a travagem autónoma de emergência, alerta de saída da faixa de rodagem e reconhecimento dos sinais de trânsito. Por todo, este conjunto, a Opel pede 33.600 euros no nível Innovation, um valor que se assume como justo pela combinação de motor e pela dotação de equipamento, acrescendo apenas no caso da versão ensaiada o custo da pintura metalizada (500 euros) e o pack Matrix (1700 euros) que inclui o sistema IntelliLux de iluminação de matriz LED, bancos traseiros rebatíveis em 40/20/40, câmara traseira e vidros traseiros escurecidos.

VEREDICTO

É difícil não ceder às competências da carrinha apresentada pela Opel. Um dos seus pontos de destaque é mesmo a ligeireza do seu chassis que torna a experiência de condução num dos pontos mais dignos de referência. A precisão da direção e o excelente equilíbrio da suspensão tornam a Astra Sports Tourer num exemplo de competência dinâmica, algo que este motor bi-turbo vem, apenas, sublinhar. Elástico, pujante e surpreendentemente económico, o bloco 1.6 com dupla sobrealimentção é um reforço de peso para esta gama, mesmo que a sua utilização seja mais adequada, até pelo posicionamento de preço, para quem faça imensos quilómetros e dê muito valor à elasticidade nas prestações. Seja como for, não há volta a dar: o Astra tem uma competência que o posiciona nos lugares de topo do seu segmento.

 

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