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Primeiro ensaio Honda Civic 1.0 i-VTEC Turbo: totalmente diferente!

Importantíssima para a Honda esta décima geração do Civic, ficando isso claro quando sabemos que foram mobilizados os departamentos de pesquisa e desenvolvimento do universo Honda e que foi gasto um terço do orçamento total de R&D da casa japonesa, o maior investimento num só modelo em 70 anos de história da casa japonesa. Primeiro ensaio ao automóvel onde, agora, há algo totalmente diferente. Para bem melhor…

A última geração do Civic, a que está ainda à venda, foi infeliz, pois nasceu antes da crise global de 2008 e desembarcou na Europa já em plena crise. Ainda por cima, vinha com um estilo alternativo, um interior que estava a anos luz daquilo que a maioria dos rivais faziam e uma gama de motores desajustada. Foi sendo adaptado aos novos tempos, mas nunca deixou de estar atrás da concorrência, explicando-se, assim, o insucesso que o modelo conheceu. A versão carrinha não ajudou e o Type R também não. Era necessário regressar à estaca zero e trazer um novo modelo para que o Civic não implodisse e a marca sofresse danos na imagem.

Estamos perante um automóvel de qualidade que, sem favor, se posiciona entre os melhores do segmento, com o motor 1.0 litro a ser uma das mais valias deste Honda Civic, juntamente com o conforto, habitabilidade e comportamento.

José Manuel Costa, editor executivo

Foi exatamente isso que a Honda fez, mas desta feita com algumas nuances que nos conduzem até este novo Civic que acabei de conduzir nas estradas em redor de Barcelona. Primeiro, esta décima geração do Civic tem uma plataforma totalmente nova e muito melhor que a anterior. Isso prova-se com duas cifras absolutamente fantásticas, até para si que não percebe nada de engenharia. O Civic, graças à nova plataforma, tem 52% mais de rigidez torsional e 88% (!) de rigidez lateral. Depois, onde anteriormente existia um plebeu eixo de torção, agora vive um complexo e eficaz eixo independente multibraços.

Saiba tudo sobre o novo Honda Civic

Finalmente, há uma nova gama de motores a gasolina (o diesel só no final do ano), que manda para o caixote do lixo o bloco atmosférico da Honda já mais bolorento que queijo azul. O Civic exibe agora um tricilindrico de 1.0 litros sobrealimentado com 129 CV e um 1.5 litros com quatro cilindros, também turbo, com 182 CV, ambos com uma caixa manual de seis velocidades, totalmente nova.

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A plataforma do Civic merece algum destaque, pois é mais larga e, sobretudo, mais longa e baixa. Ou seja, o Civic está maior e, sobretudo, está mais apto a oferecer um comportamento eficaz e também maior conforto. Ficamos sentados mais perto do chão – sente-se melhor o carro nessa posição – e o centro de gravidade também é mais baixo. Ou seja, a premissa do caderno de encargos do Civic é evidente: melhor comportamento, maior conforto, maior envolvimento na condução. Depois disto tudo acertado, comparação com a concorrência e aqui a Honda, muito bem, não se fez rogada e procurou no mercado europeu as referências do segmento C Premium para comparar o Civic.

Honda Civic à venda em março a partir de 23.300€

Enfim, a Honda tudo fez para que o Civic tenha o sucesso de outros tempos e que as últimas gerações sejam olvidadas rapidamente.

Estilo continua oriental

Desenhar carros bonitos e sensuais continua a ser uma ciência difícil para a Honda e como a casa japonesa insistiu em colocar um estilista japonês à frente do projeto de design do Civic… não há nada a fazer. O carro é uma atarefada combinação de linhas e de formas, algumas delas sem rima, particularmente na traseira demasiado marcada pelos grupos óticos. Talvez por isso é que nas fotos o conjunto resulte menos bem que ao vivo. Porém, há uma coisa que tenho a certeza. Este Civic tem muito mais bom aspeto, é bem mais interessante que o anterior e não choca!

Abrindo a porta, abre-se a boca de espanto pois aqui a Honda conseguiu mesmo fazer melhor e mesmo que não fosse difícil, a verdade é que o habitáculo do novo Civic é um luxo! Primeiro, não há invenções nem inspirações em jogos de consola ou em naves espaciais. Depois, o tablier tem mesmo muito bom aspecto, os instrumentos estão nos locais certos e até o sistema de info entretenimento, o Honda Connect, tem bom aspeto e não é confuso. A qualidade de construção nunca foi um problema e a Honda há muitos anos que nos oferece interiores com uma construção de primeira água e materiais que até podem parecer de menor valia, mas são a toda a prova.

A posição de condução melhorou, não só porque estamos sentados mais baixo 34 mm (é muito!) mas porque o depósito de combustível desapareceu debaixo do nosso rabo! Passou para debaixo do rabo dos passageiros do banco traseiro. Com a nova plataforma, há mais espaço no banco traseiro e desapareceu a sensação de claustrofobia – e a bagageira está maior, estando agora o Civic perto das referências do segmento no que toca ao espaço habitável e à bagageira. A forma descendente do tejadilho, porém, não prejudica a visibilidade, mas os mais altos poderão bater com a cabeça no forro do teto.

Comportamento eficaz

Verdadeiramente impressionante o trabalho feito pela Honda no comportamento do Civic. As virtudes oferecidas pelas mudanças operadas nas suspensões e na plataforma, ficam vem evidentes quando levamos o Civic para a estrada. O carro tem um equilíbrio fantástico em quase todas as situações e um comportamento excelente que não prejudica o conforto. A suspensão absorve de forma impressionante os ressaltos da estrada e mesmo em ritmo forte, o Civic não exige especial atenção ou empenho para curvar depressa e bem.

O Civic muda facilmente de direção, sempre controlado e equilibrado com alguma sensibilidade na direção, algo sempre bem-vindo nos dias que correm, mas sempre com uma precisão e um equilíbrio que asseguram dinamismo competente e um excelente conforto.

Sem opções para fazer face à moda dos tricilindricos com um litro de cilindrada sobrealimentados, a Honda aderiu à moda e fez um bloco novo. Nestas coisas de motores, a Honda leva tudo muito a sério e tal como sucedeu com o propulsor 1.6 litros turbodiesel, pode estar a chegar atrasada à festa, mas chega com fogo de artificio. O motor conta com o célebre sistema VTEC e por isso o turbo é ligeiro e não muito agressivo para evitar entrar em choque com aquele sistema. A verdade é que tudo está muito equilibrado e nem parece um tricilindrico. Potente e disponível, o bloco Honda é muito utilizável rimando perfeitamente com este Civic.

O ruído emanado pelo motor não incomoda, a vivacidade a subir de rotação surpreende e a capacidade para mexer de forma competente o Civic deixou-me espantado. Um excelente motor muito bem acompanhado por uma caixa excelente.

Veredicto

Difícil, difícil seria não conseguir fazer um Civic melhor que o atual e se depois de gastar um terço do valor total do investimento em pesquisa e desenvolvimento para desenvolver esta nova geração do Civic, falhassem, seria um escândalo. Não falharam e está à vista o excelente trabalho feito e o cuidado dispensado a todos os pormenores. Faltou cuidar mais do estilo, mas ai poder-se-ia correr o risco do Civic ser apenas mais um. E como até não choca e mostra-se diferente, perdoa-se alguns desvios. Contas feitas, estamos perante um automóvel de qualidade e que no segmento se posiciona entre os melhores, sem favor absolutamente nenhum, com o motor 1.0 litros a ser mais uma das mais valias deste Honda, junto da qualidade de construção, do excelente comportamento e ótimo conforto.

FICHA TÉCNICA

Honda Civic 1-0 i-VTEC Turbo

Motor 3 cilindros em linha, injeção direta, turbo; Cilindrada (cm3) 988; Diâmetro x curso (mm) 73 x 78,7; Taxa compressão 10,0:1; Potência máxima (cv/rpm) 129/5500; Binário máximo (Nm/rpm) 200/2250; Transmissão e direcção Tracção dianteira, caixa manual de 6 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente, tipo McPherson; independente, multibraços; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  4518/1799/1434; distância entre eixos 2697; largura de vias (fr/tr) 1537/1565; Travões (fr/tr) Discos ventilados/discos; Peso (kg) 1275; Capacidade da bagageira (l) 420; Depósito de combustível (l) 46; Pneus (fr/tr) 215/55 R16 (235/45 R17); Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 8,4; velocidade máxima (km/h) 200; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 5,0/7,9/6,1; emissões de CO2 (g/km) 139; Preço versão ensaiada (Euros) 25.530

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