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Qashqai e X-Trail vão ser elétricos, anuncia CEO da Nissan

A Nissan vai dar novo impulso à sua aposta elétrica, anunciou hoje o novo CEO da marca, Hiroto Saikawa, numa entrevista à Automotive News, antecipando a futura eletrificação de modelos como o Qashqai e o X-Trail.

Foto: Nissan PressPrimeiro japonês no cargo desde há 16 anos, Saikawa (foto) promete para daqui a três meses a apresentação de um plano estratégico para a marca, sincronizado com o da Renault e Mitsubishi, seus parceiros de Grupo, para os próximos seis anos e que continuará a trajetória do Nissan Power 88, apresentado pelo seu antecessor, Carlos Ghons, em 2011.

Assegurar a liderança da Nissan nos veículos elétricos é um ponto chave deste plano estratégico, cada vez mais confrontada com a oferta de grupos rivais dos EUA, Alemanha e Coreia do Sul.

Apesar da ser um dos pioneiros na área, a oferta de veículos elétricos da Nissan está ainda muito dependente do compacto Leaf e a versão elétrica do furgão comercial e-NV200.

“Há seis anos atrás fomos vistos como uma empresa aventureira que estava a entrar numa área onde ninguém esperava”, disse à Automotive News, o administrador responsável pelo planeamento, reconhecendo que os últimos números de venda exigem um relançamento da sua oferta de elétricos. “Hoje temos uma série de rivais a fazer grandes anúncios de lançamentos e nós somos vistos como retardatários”.

Desde que lançou os seus primeiros modelos elétricos e até ao final de janeiro, a Aliança Renault Nissan colocou no mercado 350 mil automóveis e furgões comerciais, dos quais 275 mil com a marca Nissan.

O Nissan Leaf é o veículo elétrico mais vendido no mundo, mas a chegada de novos player ao mercado e de modelos de uma nova geração e com mais autonomia, justifica a desaceleração das vendas nos últimos meses.

O novo CEO promete alterar a situação e garante que a mudança se iniciará já com a próxima geração do Leaf, que chegará ao mercado no final do ano, com uma autonomia alongada que eliminará a barreira da ansiedade no Japão e na maioria dos países europeus, onde os trajetos diários normais são relativamente curtos. Hiroto Saikawa garante também que dentro de dois anos a Nissan terá um ou vários novos modelos elétricos com ainda maior autonomia e, por isso, mais apropriados às distâncias maiores dos consumidores americanos.

Até 2020, a Nissan garantirá uma autonomia real de 300 milhas (483 quilómetros) com uma única carga de bateria, o que colocará os veículos elétricos da marca em condições de competir com os veículos convencionais nos EUA. O Chevrole Bolt EV, o gémeo americano do futuro Opel Ampera-e que foi lançado no ano passado e está a ter um enorme sucesso tem uma autonomia de 238 milhas, não se sabendo ainda qual a autonomia final do Tesla Model 3, o modelo compacto da marca americana cuja chegada ao mercado está anunciada para o início do próximo ano.

“O segmento dos Veículos Elétricos está a entrar numa nova fase”, assegura Hiroto Saikawa. “Há medida que formos dispondo de baterias maiores e ultrapassando a ansiedade da autonomia, deixaremos de competir baseados na tecnologia e passaremos a apelar às emoções e ao valor das marcas”, explica.

“O período em que nos diferenciávamos pela tecnologia está a acabar” e será seguido por um mercado onde os líderes terão de ser mais agressivos na forma como alargarão a tecnologia elétrica às suas gamas de modelos. E os preços tenderão a cair há medida que um cada vez maior número de modelos de diferentes marcas for chegando ao mercado”.

“A verdadeira evolução chegará, por volta de 2025, quando tivermos um plano concreto de substituição das motorizações dos nossos principais modelos, como os SUV Rogue, Qashqai e X-Trail, que passarão a oferecer também soluções elétricas”.

A recente integração da Mitsubishi na órbita da Aliança Renault-Nissan pode acelerar este processo, com a partilha de custos de desenvolvimento e de tecnologias.

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