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Ensaio Kia Picanto 1.0 MPI: um belíssimo citadino

Chegou à terceira geração e como a Kia nos tem habituado, elevou a fasquia seja para uma utilização iminentemente citadina ou extra urbana. Será este o novo “rei” dos pequeninos?

[quote align=”right” color=”#999999″]Não é dos mais baratos, não é dos mais caros, está no coração do segmento, com um bom nível de equipamento e todas as mais valias no que toca à qualidade, comportamento, conforto e espaço (mala recordista do segmento) e será rival mais que suficiente para os líderes do segmento, o seu “irmão” i10 da Hyundai e os produtos do grupo VW, VW Up, Skoda Citigo e Seat Mii.

José Manuel Costa[/quote]

Recuemos até 2004, altura em que a Kia lançou a primeira geração do Picanto, trazendo para a Europa a experiência de fazer pequenos carros para as cidades. Não sendo particularmente bonito nem com qualidades acima da média, a verdade é que o Picanto estabeleceu o padrão para aquilo que mais tarde se tornaria na oferta europeia de modelos puramente citadinos. Falo dos Citroen C1, Peugeot 107 e mais tarde o VW up, Skoda Citigo e Seat Mii, entre outros.

Veja quanto lhe pode custar este Kia Picanto 1.0 MPI

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Os anos passaram e chegámos à terceira geração com algumas alterações no panorama dos citadinos. Primeiro, o Fiat 500 continua, mas o Ford Ka desapareceu, pelo menos na forma que todos conheciam. Depois, o Smart ForFour votou travestido de Renault, com o Twingo a deixar de lado aquilo que o fez vender bastante ao longo da sua vida. Finalmente, há mais ofertas a preços baixos que fazem alguns hesitar entre um ctadino ou um “low cost” como o Dacia Sandero ou o novo Ford Ka+. Ou seja, o Kia Picanto poderia correr o risco de chegar ao terceiro andamento e desaparecer no fundo do quintal deste segmento cada vez mais povoado e com qualidade. Mas a Kia sabia que era preciso mais do que aquilo que já oferecia e por isso deu-se ao cuidado de tocar todas as teclas certas para voltar a destacar-se entre os pequeninos.

Primeiro, deu-lhe uma estrutura mais leve, mas muito mais rígida que o anterior modelo. Mantendo as mesmas dimensões exteriores, ofereceu-lhe mais espaço entre os eixos, remodelou suspensões, a direção, um estilo atraente e diferenciador, melhorou o espaço interior e a bagageira, colocou um painel de instrumentos que está mais ao nível do segmento superior e, ainda, um novo motor com 1.0 litros sobrealimentado. Que ainda não está disponível em Portugal, pelo que a gama nacional é composta pelo bloco de 3 cilindros 1.0 litros com 67 CV e o 1.25 litros com 84 CV

Como o motor 1.0 T-GDI só chega no final do ano, a escolha óbvia para este ensaio foi o 1.0 litros de 67 CV, com caixa manual de cinco velocidades, até porque o 1.25 litros será mais caro. Vamos lá conhecer o novo Picanto.

A marca coreana reclama para o Picanto o estatuto do modelo mais maduro e refinado do segmento, apoiando-se no forte investimento feito para desenvolver algumas das áreas do modelo. Uma delas foi a insonorização. A anterior geração era algo barulhenta, especialmente com o bloco de três cilindros, algo que ficou resolvido nesta geração. Não só porque a insonorização foi totalmente revista, mas também porque o motor é mais suave e consegue funcionar com valores de ruído perfeitamente aceitáveis. Naturalmente que quando apertamos com o tricilindrico acima das 4 ml rotações, ele faz barulho e faz-se ouvir dentro do carro. Mas bem abaixo daquilo que acontecia anteriormente. Já agora, dizer que os ruídos aerodinâmicos e de rolamento estão, agradavelmente, controlados.

Outra área onde a Kia trabalhou foi no chassis e na carroçaria. Além de redesenhar o carro, sem o fazer totalmente diferente, para melhor, os engenheiros da Kia reforçaram o chassis e a carroçaria, conseguindo escovar 21 quilogramas ao peso total do carro. Claro que esse ganho acaba por se esboroar quase na totalidade porque há mais equipamento e mais eletrónica embarcada.

No interior, há mais mexidas. Além de ter descontinuado a versão de três portas, residual em termos de vendas, o Picanto ao exibir nova plataforma tem agora mais espaço entre eixos, mantendo o mesmo tamanho ao colocar as rodas nos extremos da carroçaria. Contas feitas, há mais 15 mm de espaço para os joelhos dos ocupantes do banco traseiro e mais 25 mm no espaço para a cabeça. O encosto de braços entre os bancos dianteiros desliza 55 mm (uam estreia no segmento) escondendo um pequeno porta luvas, que complementa aquele que está no tablier e ainda um espaço de arrumação colocado na consola central. Detalhe: os espelhos de cortesia das palas do sol estão iluminados por luzes LED que simulam um espelho de maquilhagem.

A bagageira cresce dos 200 para os 255 litros, a maior do segmento, oferecendo ainda um fundo de mala duplo que permite rebaixar mais 145 mm o fundo da bagageira e assim encontrar ali mais uns litros de capacidade. O banco traseiro rebate 60:40 (a maioria é 50/50) e com os bancos rebatidos, o Picanto chega aos 1010 litros.

Outra área que mereceu a atenção dos engenheiros da Kia foi o conforto e o comportamento. Ninguém espera de um citadino puro comportamento desportivo, mas a Kia decidiu endurecer em 2% a barra estabilizadora dianteira e coloca-la ligeiramente mais abaixo, enquanto atrás o endurecimento chegou aos 5% e, aqui, colocada mais acima que anteriormente. A verdade é que, reclama a Kia, a carroçaria inclina menos 1 grau, mas para mim parece-me bem mais pois o carro deixou de praticamente adornar. A maior distância entre eixos e as rodas colocadas ainda mais nos extremos, também contribuem para a ótima compostura do Picanto em estrada.

Mas foram feitas mais alterações. O eixo de torção foi redesenhado, tem novos braços de ancoramento, o que reduziu o peso total em 1,8 quilogramas, sem que se tenha perdido rigidez. A direção também foi alterada sendo 13% mais rápida que o anterior modelo, sendo agora mais direta com apenas 2,8 voltas de um topo ao outro. E porque o motor está situado ligeiramente atrás do eixo dianteiro, o peso sobre o eixo é menor e a agilidade maior. De salientar que a Kia oferece com o ESP uma vectorização de binário na travagem. Um detalhe que poderá ser interessante com o motor 1.0 T-GDI, pois com este bloco de 67 CV… nem se dá por isso.

A qualidade dos materiais subiu um patamar e nas partes visíveis e utilizáveis, tudo parece suave, mas robusto e as ligações e montagem parecem boas e duráveis. As versões à venda em Portugal não contam com o sistema de info entretenimento dotado de um ecrã de 7 polegadas sensível ao toque com Apple CarPlay e Android Auto.

Gostei muito do Picanto em estrada, pois é confortável e muito fácil de conduzir, sendo bem diferente do anterior modelo. Mais ágil, mais filtrado, mais intuitivo e mais veloz em curva, claramente, o novo Picanto é um salto qualitativo enorme que o coloca entre os melhores do segmento. Não é demasiado sensível aos ventos laterais e os níveis de aderência são ótimos para um carro pequeno e onde com pouca potência há que dar rédea solta aos poucos cavalos disponíveis. Ou seja, permite que nos entusiasmemos e abusemos do Picanto em uma ou outra situação. O problema é mesmo o anémico motor, mas também não podemos esperar muito de um bloco com 67 CV, verdade?

Veredicto

O preço continua a ser uma mais valia em Portugal e neste segmento, o cliente conta tostões para ter um carro que o leve daqui para acolá com o máximo conforto e com o máximo de equipamento que for possível. O Picanto com este motor 1.0 litros com 67 CV é vendido, na versão ensaiada (a EX), por 12.420 euros, sendo que há uma variante mais barata por 11.720 euros. Não é dos mais baratos, não é dos mais caros, está no coração do segmento, com um bom nível de equipamento e todas as mais valias que acima refiro no que toca à qualidade, comportamento, conforto e espaço (mala recordista do segmento). Pena que o motor seja algo anémico, mas para uma utilização apenas citadina, está na boa medida. Será mais caro, certamente, mas o Picanto com o motor 1.0 T-GDi com 100 CV será rival mais que suficiente para os líderes do segmento, o seu “irmão” i10 da Hyundai e os produtos do grupo VW, VW Up, Skoda Citigo e Seat Mii. E com o excelente argumento dos 7 anos de garantia Kia!

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FICHA TÉCNICA

Kia Picanto 1.0 MPI EX

Motor 3 cilindros em linha, injeção multiponto; Cilindrada (cm3) 998; Diâmetro x curso (mm) 71 x 84; Taxa compressão 10,5; Potência máxima (cv/rpm) 67/5500; Binário máximo (Nm/rpm) 96/3500; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 5 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  3595/1595/1485; distância entre eixos 2400; largura de vias (fr/tr) 1420/1423; travões fr/tr. Discos/tambores; Peso (kg) 958; Capacidade da bagageira (l) 255; Depósito de combustível (l) 35; Pneus (fr/tr) 185/55 R15; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 14,3; velocidade máxima (km/h) 161; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) -/-/4,0 (consumo real medido 4,9 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 90; Preço da versão ensaiada (Euros) 12.420

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