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Ensaio Ford Focus RS: brilhante!

Misturar no mesmo carro elevadas performances, um comportamento delirante e ainda um modo lúdico que faz de nós aprendizes de “drift”, é algo que só a Ford Performance conseguiu, na forma de um Focus denominado RS, que é absolutamente brilhante. Custa mais de 51 mil euros, mas acredite que estão muito bem justificados!

[quote align=”right” color=”#999999″]Ás malvas os defeitos do Focus RS! As virtudes e o prazer que oferece ao volante ultrapassam qualquer coisa menos positiva. A Ford Performance tirou um coelho da cartola que, dificilmente, terá réplica a breve prazo em termos de comportamento e prazer de condução. [/quote]
Se não percebeu, diga-me que envio-lhe o livro “Entendimento para Tótós”: o Ford Focus RS – que já tinha experimentado há pouco mais de 15 meses – alvo deste ensaio é um carro fabuloso e, provavelmente, o melhor desportivo compacto que conhecia até hoje. O 30º modelo a ostentar as letras RS (Rallye Sport) é das melhores coisas que a Ford Performance fez nos anos mais próximos.

Vamos lá à técnica.

O Focus RS tem 350 CV, tração integral e um sistema de tração inteligente que abordo no final deste ensaio. Sistema este que faz de mim, de si e de qualquer outro tótó um especialista em “drift”. Lá chegaremos.

Para este membro da família RS, os técnicos da marca da oval azul deitaram mão ao motor 2.3 litros Ecoboost do Mustang para colocar no lugar do guloso, pesado e menos eficaz bloco de cinco cilindros sobrealimentado do anterior Focus RS. Afastaram das cogitações a utilização de uma caixa automática de dupla embraiagem – há quem diga que fizeram bem, talvez fosse boa ideia uma caixa daquelas com patilhas e passagens de caixa fulminantes… digo eu! –  pelo que há, apenas, uma caixa manual de seis velocidades. Mas tem tração integral com vectorização de binário, sistema “launch control” e suspensões com controlo adaptativo. Existem, também modos de condução que alteram o humor e a eficácia do Focus RS.

Veja quanto lhe pode custar este Ford Focus RS

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Começa com o modo “Normal” onde tudo é… pois claro, normal.

Segue-se o modo Sport, que torna a resposta do acelerador mais rápida e direta, aumenta o peso na direção e abre uns “flaps” no sistema de escape para que a cada vez que desaceleramos pareça que estamos ao volante de um WRC tantos os “brooo broop… Paw, Paw”… A banda sonora é fabulosa e a cada passagem de caixa lá sai um “paw, paw” e quando o fazemos na rotação certa, temos direito ao “broop” e depois a mais uns “paw, paw”. Lindo!!!!!

Depois temos o modo “Track” que faz tudo aquilo que disse para o Sport, mas mexe na afinação do sistema de quatro rodas motrizes e torna o ESP mais permissivo, além de endurecer os amortecedores. Neste modo é possível alardear dotes de condução desconhecidos, pois a traseira dança e a paródia é mais que muita, mas sempre com o cuidado angelical do ESP quando o talento desconhecido passa a inexistente…

Finalmente, temos o modo Drift, algo nunca visto em outros modelos, desportivos ou não, um modo de condução que o pode transformar o maior totó num ás do volante. Mas, já lá iremos.

Comportamento delirante

Nos modos “Sport” e “Track”, o Focus RS adota uma postura mais neutra a meio da curva, aproveitando ter quatro rodas a puxar para sair da mesma a uma velocidade balística. Nota-se, perfeitamente, a roda traseira do lado exterior da curva a receber binário, empurrando-nos para fora da curva mas sem comprometer a aderência do eixo dianteiro, mantida sob controlo pela aplicação de micro travagens na roda do lado interior da curva.

Tudo feito de forma automática e que nos obriga a mudar a forma de conduzir. Isto porque num modelo desportivo deste segmento, muitas vezes temos de travar com o pé esquerdo ou desacelerar para manter a trajetória o mais apertada possível e contrariar a sobreviragem. No Focus RS, quanto mais aceleramos, mais o carro se agarra à estrada e mais apertada fica a trajetória. Alucinante!

A travagem merece nota de excelência, pois o Focus RS tem motor para dar e vender, chega ás 6800 rpm e chegamos, sempre, muito, mas mesmo muito depressa às curvas. O tato e a potência dos travões da Brembo é excelente, e liquida velocidade a um ritmo impressionante. Podemos atrasar a travagem até bem dentro da curva, levando para dentro dela muito mais velocidade do que eu julgava possível num carro de estrada.

Depois é deixar o sistema de tração integral do Focus trabalhar. E quando se olha para o velocímetro e lemos valores de três dígitos em estradas semelhantes às da Serra de Sintra ou da subida ao Sameiro, em Braga, os olhos ficam esbugalhados. Os meus ficaram!

Números e sensações

Querem números? Se não são crentes naquilo que vos digo, aqui vai: 0-100 km/h em 4,7 segundos, com uma velocidade máxima de 266 km/h, curva de binário plana com 440 Nm (que podem ser 470 Nm com a função overboost durante 15 segundos). Então?

Vamos agora para o volante

O Focus RS é muito agradável de utilizar, seja em ritmo de passeio seja em ritmo de competição. Acreditem em mim: um Civic Type R dificilmente foge ao Focus RS e um Mercedes A45 AMG nunca o conseguirá. E sei do que falo…

Apesar de ser muito mais duro que um Focus comum, o RS não é absurdamente desconfortável e aceita fazer tiradas a velocidades normais, sem nos massacrar. As suspensões adaptativas dão uma bela ajuda, mas o trabalho feito pelos homens da Ford Performance merece elogios.

Comparando com rivais como o Mercedes A45 AMG ou o VW Golf R ou ainda o Honda Civic Type R, o Focus RS exibe um maior rolamento da carroçaria, mas isso não significa menos eficácia, pois o adornar da carroçaria ajuda a direção a manter a trajetória e permite um maior conforto sem perda de eficácia, graças ao sistema de tração integral com vectorização do binário.

Por tudo isto, o Focus RS é soberbo!

Seja em curvas lentas, seja em encadeados curtos de muito apoio ou em estradas com curvas sucessivas para um lado e para o outro, o Focus RS revela-se imperial! Muda de direção com uma rapidez alucinante, mantém o eixo dianteiro agarrado à estrada da forma que acima expliquei e solta a traseira na exata medida para ser o mais rápido possível. A saída é feita sempre em força, com o chassis rígido a lamber todas as irregularidades, mas com uma compostura impressionante e a devolver aderência lateral de forma alucinante. Acreditem que só experimentando é que percebem as sensações que este carro oferece.

Está isento de críticas? Nem por isso…

Não há carros perfeitos, já todos sabemos. E o Focus RS também não foge a essa maldição. Começa na posição de condução pois os bancos Recaro (que podem ser mais ou menos semelhantes aos de competição) estão colocados muito alto em deixamos de ter o volante à exata altura dos ombros, mas mais em cima dos joelhos.

Depois, temos este interior que se diferencia do Focus turbodiesel, somente, pela presença de um pedaço de plástico colocado em cima do tablier para albergar mais três instrumentos – manómetro da pressão do turbo e do óleo e temperatura do óleo – que não rima muito com o resto do tablier, pelos pedais em alumínio, o mesmo material do punho da alavanca da caixa de velocidades e pelos referidos bancos Recaro.

Tudo o resto é igual e quero aqui destacar o facto de o volante estar totalmente desenquadrado do que é o Focus RS. A espessura e a pega não critico, faço-o apenas em relação ao desenho. Caramba! este carro merecia mais no que toca ao interior.

Finalmente, dizer que o exterior do Focus RS é discreto quanto baste. Mesmo que a gente seja mais profunda, as rodas bem grandes e a traseira exiba um vstoso spoiler e duas saídas de escape que, além de parecerem dois tubos de morteiro, têm uma sonoridade ruidosa. O resto é Focus as usual.

Modo Drift

Vamos lá então conhecer o modo Drift.

Para “encaixar” os 350 CV, os homens da Ford Performance mexeram na direção, na suspensão e engendraram um sistema para o diferencial traseiro – não existe diferencial central nem autoblocantes – com duas embraiagens secas (não há banho de óleo para maior durabilidade e menor manutenção) que abrem e fecham consoante haja a necessidade de enviar binário para a roda traseira esquerda ou direita, o mesmo sucedendo na frente. Ou seja, o sistema da Ford consegue enviar binário para cada roda, individualmente.

Exatamente por isso é que a Ford pode oferecer este lúdico modo Drift. Pode parecer idiota da parte da marca da oval azul oferecer um modo de condução – ainda por cima na primeira vez que tem um carro com esta possibilidade – que contraria a tendência atual de diabolizar os desportivos e apostar tudo na condução defensiva.

Apoiado no sistema de vectorização de binário e no controlo da embraiagem, o “launch control” ativa-se através do volante – escolhendo a função no menu dedicado – coloca-se a embraiagem a fundo e carrega-se no acelerador a fundo. Solta-se o pedal de uma vez só e o Focus RS sai disparado que nem bala, tendo apenas de ter o cuidado de não deixar o motor ir além das 8000 rpm, pois entra em ação o limitador e não é bom isso acontecer.

Lançado o Focus RS, deixemos o sistema de vectorização de binário trabalhar por nós e basta acelerar a fundo e dar pequenos, mesmo pequenos golpes no volante para o Focus RS rolar pendurado na traseira de forma perfeita. Basta apenas que tenhamos a coragem de manter o acelerador a fundo que a traseira descola sempre com graciosidade. E depois, o ESP está lá, vigilante para recolocar tudo no seu local certo se ele entender que estamos a exagerar. Mas se entender que é talentoso o suficiente, pode sempre desligar, totalmente, o ESP que no Focus RS tem três funções: controlo de tração, de estabilidade e ajuda na vectorização do binário. Quando escolhemos os modos Track e Drfit, o ESP desliga o controlo de tração, mas deixa a vigilância ligada. Mas uma vigilância educada com sentido de diversão, deixando-nos ampla liberdade para desfrutar do modo Drift.

Se quiser ser ousado, use o modo Drift e cada curva é feita em “power slide” sem precisar ser um piloto de mão cheia. Naturalmente que se abusar, verdadeiramente, da velocidade de entrada na curva e nos movimentos no volante e o ESP estiver totalmente desligado, aí não há talento que lhe valha. Felizmente que antes de chegar a esse limite a maioria já levantou o pé há muito tempo. Pode é ter desfeito um joguinho de pneus…

Veredicto

Ás malvas os defeitos do Focus RS! As virtudes e o prazer que oferece ao volante ultrapassam qualquer coisa menos positiva. A Ford Performance tirou um coelho da cartola que, dificilmente, terá réplica a breve prazo em termos de comportamento e prazer de condução. Permite-nos ir muito mais longe do que o esperado. Haverá, certamente, propostas mais baratas, mais potentes, mais velozes, mas não conheço Nenhum que chegue aos calcanhares do Focus RS no que toca à compatibilização de uma utilização tranquila com um comportamento que envergonha alguns carros de competição. Não é perfeito, custa mais de 51 mil euros, mas que se dane o dinheiro!

Gostou deste Ford Focus RS? Então porque não configurar já o seu no sítio de internet da Ford?

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FICHA TÉCNICA

Ford Focus RS

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo; Cilindrada (cm3) 2261; Diâmetro x curso (mm) 87,5 x 94; Taxa compressão 9,4; Potência máxima (cv/rpm) 350/6000; Binário máximo (Nm/rpm) 440/2000 – 4500; Transmissão e direcção Tração integral, caixa manual de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo multibraços; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  4390/1823/1472; distância entre eixos 2647; largura de vias (fr/tr) 1564/1539; travões fr/tr. Discos ventilados; Peso (kg) 1424; Capacidade da bagageira (l) 260/1045; Depósito de combustível (l) 51; Pneus (fr/tr) 235/35 R19; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 4,7; velocidade máxima (km/h) 266; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 6,3/10,0/7,7 (consumo real medido 10,3 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 175; Preço da versão ensaiada (Euros) 51.272

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