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Conselhos AUTOMONITOR: como comprar um usado… elétrico?

Com uma aceitação crescente, os veículos elétricos têm vindo a aumentar as suas vendas e, naturalmente, isso reflete-se no mercado de usados com a chegada de alguns desses modelos aos espaços de venda. Pesámos os prós e os contras de comprar um modelo elétrico em segunda mão.

A palavra chave num elétrico é… baixo. Baixa quilometragem, baixos custos de manutenção, baixos consumos, baixas emissões, tudo argumentos mais que suficientes para tornar a compra de um modelo elétrico em segunda mão como uma proposta tentadora.

Os preços é que ainda não são tentadores, embora seja possível comprar um Peugeot iOn por menos de 10 mil euros (com menos de 35 mil quilómetros) ou um Renault Zoe por menos de 15 mil euros (menos de 10 mil quilómetros) ou um Nissan Leaf com menos de 65 mil quilómetros por 15 mil euros. No outro extremo estão os Tesla, com um Model S 85D Performance a custar 70 mil euros (e já com mais de 65 mil quilómetros) ou um Roadster com quase 50 mil quilómetros a ser vendido por 79 mil euros. Depois ainda pode comprar um Renault Fluence com 33 ml quilómetros por 11.500 euros ou um BMW i3 com extensor de autonomia e quase 95 mil quilómetros por menos de 30 mil euros.

A verdade é que comprar um carro elétrico usado coloca alguns desafios que o AUTOMONITOR lhe vai ajudar a ultrapassar.

Para lá da óbvia questão da autonomia – menos nos modelos mais antigos, maior nos mais modernos – a bateria é de suprema importância quando se compra um usado. Algumas marcas incluem no preço final as baterias, outras preferem cobrar o aluguer das mesmas. No primeiro caso estão os BMW e os Tesla, no segundo marcas como a Renault, Citroen ou Peugeot e a Nissan, dependendo dos modelos e dos contratos feitos pelos compradores originais.

Pagar o aluguer das baterias não é barato e se é verdade que essa modalidade de compra está, claramente, a entrar em desuso, a verdade é que no mercado de usados ainda estão vários modelos com essa despesa extra incluída. Vamos a um exemplo prático.

A Renault preconiza para o Zoe o aluguer de baterias em duas modalidades. Aluguer com limite de quilometragem/ano com preços, mensais, que vão dos 69€ para 7500 quilómetros aos 109€/mês para 17 500 quilómetros/ano. Para 10 mil quilómetros anuais, a bateria custa 79€ e para 15 mil quilómetros fica por 99€ por mês. Poderá optar pela quilometragem ilimitada, pagando mensalmente 119€. Contas feitas, 1428 euros por ano.

Vamos agora ao outro lado da moeda. Se tiver um automóvel a gasolina com um depósito de 40 litros, atestá-lo com gasolina sem chumbo 95 custa-lhe 62 euros. Se o atestar todas as semanas, vai gastar, por ano, 3.225 euros. Carregar um veículo elétrico é bem mais barato. Se o carregar á noite, custa-lhe cerca de 1,5 euros, 4,5 euros durante o dia por cada 100 quilómetros. Contas feitas, isso dar-lhe-á um custo anual entre os 650 e os 900 euros, em média, em carregamentos. Ou seja, a partir dos 30 mil quilómetros, o carro elétrico já compensou o preço pago a mais. Se comprar um usado, esse retorno é ainda mais serôdio.

Claro que terá de ter em atenção a duração da bateria e a sua substituição. Não foram reportados, até agora, dados que evidenciem que as baterias não tenham uma alargada longevidade. Quando a capacidade de armazenamento das baterias já afeta de forma clara a autonomia, ser-lhe-á colocada uma decisão difícil de tomar: trocar as baterias e pagar um valor que pode exceder o valor residual do veículo, ou abater o mesmo apesar de ainda estar bem longe do prazo final de validade, pois os motores elétricos e as caixas e demais peças estão pensadas e resistem a milhares e milhares de quilómetros.

Esta é uma questão muito importante e em alguns fóruns internacionais de proprietários de modelos elétricos, a maioria está disposta a abater o veiculo, mesmo que com pouca quilometragem, assim que acaba o “leasing” das baterias ou assim que estas comecem a dar mostras de estarem exauridas. Renovar o contrato pode não se justificar, pois o valor residual dos veículos elétricos ainda é baixo.

A Nissan está a começar a oferecer em alguns países outras soluções para a segunda leva de baterias dos carros usados como o Leaf, levando a um aumento do valor residual. Ou seja, fica evidente que os clientes preferem que seja a marca a ajudá-los que uma financeira com os seus contratos de aluguer.

Naturalmente que o mercado de usados de veículos elétricos é ainda imberbe e dá os primeiros titubeantes passos. Nas pesquisas que efetuamos não encontramos mais de duas cheias de modelos puramente elétricos, juntando-se a eles alguns com extensor de autonomia como o Opel Ampera, perfazendo pouco mais de uma trintena de veículos disponíveis.

Ou seja, a escolha é, ainda, pouca e muitos destes modelos trazem atrelado o contrato de aluguer das baterias. Mas já começam a surgir e nos próximos meses haverá mais oferta e, espera-se, dentro dos programas de usados das próprias marcas.

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