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Recorde do Nurburgring: é assim tao importante?

Hoje foi a vez da Honda anunciar que o recorde do Nordschleife para carros de tração dianteira tinha sido batido pelo seu Civic Type R. Antes tinha sido a Lamborghini a anunciar que o seu Huracan Performante tinha batido o batido o recorde da volta mais rápida para um carro produzido em série com 6m52s. Acha que este tipo de anúncio é importante para si na hora de escolher o seu carro?

Não há uma certeza sobre quem tem razão, as marcas que dão tudo por tudo para andar depressa no Nurburgring ou aquelas que nem sequer desenvolvem os seus carros na mítica pista alemã. Há, até, uma corrente de opinião que diz serem os piores carros em termos de comportamento, aqueles que foram desenvolvidos no “Inferno Verde”.

A verdade é que cada vez que alguém bate o recorde seja de que categoria for, as notícias surgem em catadupa. E os mais fervorosos adeptos do traçado alemão, rejubilam pelo facto de viverem numa geração que vê um carro legalizado para andar na estrada ficar a somente 41 segundos do melhor tempo de sempre registado no traçado germânico pelo alemão Stefan Bellof ao volante de um Porsche 956 em formato de qualificação, com o tempo de 6m11,13s. Do outro lado da barricada estão os céticos que não acreditam que um carro com “apenas” 640 CV seja capaz de “oferecer” cinco segundos a um Porsche 918 Spyder com 900 CV.

A resposta à pergunta deste artigo é simples: pelo empenho das marcas em batê-lo, o recorde do Nordschleife é muito importante. Os riscos que correm o que gastam para conseguir inscrever o seu nome no topo da lista dos mais velozes, seja em que categoria for, mostra isso mesmo, é muito importante ser recordista no Nurburgring.

Esta busca pela posse do melhor tempo no circuito alemão, permitiu que o recorde da pista para carros de estrada tenha sido reduzido em praticamente um minuto nos últimos 10 anos. Ou seja, os carros estão cada vez mais velozes e a tecnologia está a proporcionar mais velocidade, não sendo raro os superdesportivos estarem, todos, abaixo dos 3,5 segundos dos 0-100 km/h e com velocidades acima dos 320 km/h. Quem não conseguir estar dentro deste patamar e fazer um bom tempo no Nurburgring, não faz parte da elite.

Porém, nesta saga contra o recorde do Nurburgring, há aqui uma espécie de elefante no meio da sala: não existe um protocolo oficial ou uma norma para se homologar os recordes feitos. A maioria destes recordes são reclamados graças à cronometragem dos próprios e com base nas imagens que todos gostam de exibir – piloto e marca envolvidos não deixam de ser vaidosos… – e os carros são modificados sem nenhum controlo ou protocolo de alterações permitidas.

Veja-se o exemplo do Honda Civic Type R. Bateu o VW Golf GTI Clubsport S por mais de 5 segundos e a Honda refere que instalou um rol-bar (ou arco de proteção) sem fins de aumentar a rigidez da carroçaria e que para compensar o peso ganho, retirou o sistema de info entretenimento e os bancos traseiros. Ficou mais leve o carro ou não? Alguém viu o rol bar antes de ser instalado? Naturalmente que ninguém duvida da seriedade dos construtores, mas há algumas coisas que não se compreendem e outras que tresandam a aldrabice. Mas, como não há forma de controlar, os recordes vão caindo e sendo homologados e as marcas usam o resultado desse esforço feito para bater o recorde na sua comunicação.

Para acabar com estas incertezas, dúvidas, suspeitas e outras, um americano, Jim Glickenhaus, propõe que os recordes sejam batidos de outra forma. Para o americano, só serão aceites carros com matrícula legal, registados em nome de alguém, têm de vir de Colónia para o Nurburgring com os pneus com que o carro sai do stand de vendas, não poderá mudar de pneus e tentará o recorde depois das qualificações para as 24 Horas de Nurburgring. Todos fazem duas voltas à pista e quem for o mais rápido passa a ser o detentor do recorde. Tudo isto feito dentro de uma espécie de troféu Glickenhaus.

Ideia peregrina, que não iria ser aceite e que nem sequer foi proposta aos proprietários do circuito ou a qualquer federação. Mas Glickenhaus não deixa de ter razão em alguns pontos e apesar de ainda não haver nada pensado, o americano não tem problemas em financiar esse troféu, pois foi ele quem encomendou à Ferrari o P4/5, um modelo único feito pela Pininfarina e depois encomendou uma versão Competizione. Ora, como gastou mais de 20 milhões de euros para fazer o SCG 003 (Scuderia Cameron Glickenhaus) um supercarro homologado para andar na estrada, não lhe custa muito financiar uma ideia destas. Até porque ele acredita que o SCG 003 será capaz de bater o recorde da volta do Nurburgring.

Veremos os próximos desenvolvimentos e se o Aston Martin Valkyrie e o Mercedes AMG Project One (que Glickenhaus comprou tal como o Aston Martin) vão ou não reduzir os mais de 40 segundos para o recorde absoluto do Inferno Verde.

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