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Ensaio Kia Niro: dois alvos com uma seta

O primeiro modelo exclusivamente híbrido da Kia é uma forma inteligente de matar dois coelhos com uma só pedra ou acertar em dois alvos (SUV e Híbridos) com uma seta (o Niro). O problema é que nisto dos híbridos, depressa e bem, à primeira, há poucos que o conseguem…

[quote align=”right” color=”#999999″]A Kia quis fazer tudo certo à primeira e até prescindiu da caixa CVT que atormenta o Toyota Prius. Mas em uso real, o Niro não é melhor que um Prius apesar de bem arrumado no interior e de estar mais bem equipado.[/quote]
No mundo perfeito do marketing, o Niro é um achado: por um lado é um crossover, ou pseudo SUV, pertencendo ao segmnto onde estão as vendas, por outro é um defensor do ambiente e dos ursos polares pois é um híbrido dedicado, ou seja, a gama Niro só tem este carro. Terá mais um, quando chegar o “plug-in”, ou seja, o mesmo carro, mas com capacidade para carregar as baterias externamente. Ou seja, o Kia Niro cabe nos dois segmentos mais lucrativos do mercado europeu!

E para que não fiquem dúvidas que este Niro não é nem um Sportage nem um Sorento, a Kia ofereceu-lhe uma plataforma exclusiva pensada, apenas, para os híbridos e para os futuros modelos elétricos. Por isso e pelo peso das baterias, a Kia decidiu utilizar alumínio no capot motor, tampa da mala e nas fixações do para choques dianteiro.

Veja quanto é que lhe pode custar este Kia Niro

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Debaixo do banco traseiro, está um pacote de baterias de iões de lítio que serve para alimentar um motor elétrico de 43 CV que, por sua vez, ajuda o motor de combustão interna, no caso, o 1.6 litros a gasolina com injeção direta. Tudo isto chega ás rodas dianteiras (não há Niro 4×4) através de uma caixa de seis velocidades de dupla embraiagem.

Contas feitas, a mecânica híbrida debita 140 CV e um binário de 264 Nm. Em Portugal só há uma versão e aquela que tem rodas grandes e tem um consumo combinado de 4,4 l/100 km e emissões de 101 gr/km de CO2. Se o Niro não tivesse jantes de 18 polegadas com pneus Michelin Pilot Sport 4, mas com as jantes de 16 polegadas com pneus Michelin Energysaver, os valores seriam bem diferentes (3,8 l/100 km e apenas 88 gr/km de CO2). O que é um nadinha incómodo, pois a promessa de defesa dos ursos polares fica ameaçada.

O Niro é um dissimulado! Primeiro é mais pequeno que um Sportage – eu sei não parece nada! – mas tem as formas típicas de um SUV. Mas… olhe bem. Pois é, não é tão alto como devia ser e a distância ao solo está mais perto de uma carrinha que de um SUV. Quer um exemplo? Sabe qual é a altura do Niro? São 1535 mm, pouco mais de metro e meio e esta cifra está mais perto daquilo que mede, por exemplo, um Nissan Pulsar (1520 mm) do que do seu rival direto, o Nissan Qashqai (1590 mm). Mais! Num Niro caímos para o banco, não subimos para o interior. Se quiser um crossover ou um SUV não é isso que quer, pois não? Senhores da Kia, onde estavam com a cabeça?!

Lá dentro, porém, o Niro volta a ser um SUV ou crossover, com espaço suficiente e conforto abundante, mesmo que os bancos sejam um nadinha lisos, ou seja, com pouco suporte nas coxas. São algo duros, mas ainda assim confortáveis. Atrás há muito espaço e o Niro não tem rivais no que toca à distância entre o banco e o tejadilho. Na bagageira há 421 litros de capacidade que não são prejudicados pela presença das baterias, estando no topo da classe.

Destaque, ainda, para o interior muito bem arrumado e com muita informação. Ergonomia excelente, comandos fáceis e intuitivos de utilizar e uma qualidade de construção em alta com matérias de qualidade. E quando digo qualidade, é mesmo isso, pois mesmo onde há plásticos mais duros e sem revestimento suave ao toque, são peças sólidas e bem acabadas, nada de restos de moldagem.

Silencioso e suave, o Niro impressiona pelo excelente refinamento mecânico e pela oportunidade que oferece de conduzir relaxadamente. No modo Eco, acionado por defeito quando se liga o carro, o acelerador e a caixa ficam no modo mais calmo e mistura os ciclos entre Otto e Atkinson para uma combustão mais económica, desligando o motor durante períodos significativos quando a carga no acelerador é ligeira ou quando rolamos em cidade e há carga na bateria.

Ativado o modo Sport, o acelerador fica mais rápido na resposta, a direção fica mais pesada e o carro fica mais veloz e menos “lento” na resposta à solicitação do acelerador. Porém, não fique já entusiasmado, pois o Niro não é dado a grandes correrias e sempre que o espicaçamos, parece mais um daqueles cavalos cansados que não corre nem que a cenoura seja do tamanho da Sé de Braga. Os 0-100 km/h em 11,5 segundos e 162 km/h contam quase toda a história. Mas, também, um híbrido é para poupar e proteger o ambiente, certo?

Como disse acima, as jantes de 18 polegadas com pneus carregados de aderência, não rima com as credenciais do Niro e, contas feitas, os consumos e as emissões não são, afinal, nada de absolutamente espetacular. E eu andei a fazer consumos que acabaram algo longe daquilo que a Kia reclama. Ficou sempre acima dos cinco litros de gasolina por cada centena de quilómetros.

Veredicto

Com a campanha que a Kia está a fazer, oferecendo 2500 euros de desconto, o Niro fica, chaves na mão, por 29.991,89 euros, um preço muito simpático a que se junta a inédita e única garantia de 7anos. Ou seja, com um nível de equipamento muito interessante, é competitivo face aos seus rivais a gasóleo. Mas a escolha das jantes grandes acaba por estragar um pouco a ideia de económico e amigo do ambiente, juntando-se a isso um comportamento perfeitamente normal sem nenhum rasgo. A Toyota preciso de quatro gerações do Prius para o maturar e conseguir que ele fosse um carro “normal” de conduzir. A Kia quis fazer tudo certo à primeira e até prescindiu da caixa CVT que atormenta o Prius. Mas em uso real, o Niro não é melhor que um Prius apesar de bem arrumado no interior e de estar mais bem equipado. O estilo é atraente, o interior acolhedor, mas o fator economia/defesa do ambiente não é o mais forte do Niro. O que é um contrassenso num híbrido que, supostamente, defende esses valores. Desilude por aí este Niro, mas como crossover, é dos mais recomendáveis.

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FICHA TÉCNICA

Kia Niro

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta; Cilindrada (cm3) 1591; Diâmetro x curso (mm) 72 x 97; Taxa compressão 13:1; Potência máxima (cv/rpm) 141/5700; Binário máximo (Nm/rpm) 265/1000 – 2400; motor elétrico 45 CV, 170 Nm; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa dupla embraiagem de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; duplo triângulo; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4355/1800/1535; distância entre eixos 2700; largura de vias (fr/tr) nd/nd; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1425; Capacidade da bagageira (l) 421; Depósito de combustível (l) 45; Pneus (fr/tr) 205/45 R18; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 11,5; velocidade máxima (km/h) 162; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) -/-/3,9 (consumo real medido 5,7 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 101; Preço da versão ensaiada (Euros) 29.992

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