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Ensaio Abarth 124 Spider: doce picada do escorpião

Não é barato e de certeza que vai ser o primeiro defeito que encontra neste carro, mas a emoção, diversão e prazer de condução que oferece justificam cada cêntimo investido e verá que após meia hora ao volante nem se lembra que este Abarth 124 Spider custa quase 42 mil euros.

[quote align=”right” color=”#999999″]É verdade que é um dois lugares, capota de lona, barulhento (mas delicioso…), a mala não tem espaço para mais que um saco de fim de semana e não é propriamente económico. Mas, Meu Deus!!! que diversão ao volante, que gozo é conduzir o Abarth 124 Spider[/quote]
Após alguns anos em que a Fiat pura e simplesmente explorou o nome Abarth, permitindo que um nome com tamanho peso fosse inscrito em carros facilmente olvidáveis, chegou a hora de honrar a memória de Carlo Abarth. Finalmente pode descansar em paz, pois o seu nome está agora bem visível em carros como este Abarth 124 Spider.

A Fiat tem sido especialista nesta coisa do revivalismo e depois do 500, eis que se vira para os seus arquivos e depois de muito remexer tirou de lá o Fiat 124 Abarth, um carro que chegou a ser inscrito no Mundial de Ralis e que venceu, entre outros, o Rali de Portugal. Lembram dos carros esguios de hardtop com o vidro traseiro ao contrário (ai a segurança…) e o capot pintado de preto mate com quatro faróis suplementares pendurados na frente?

Olhe bem para a foto do Abarth 124 Spider. Os homens da Fiat fizeram um belíssimo trabalho com aquilo que lhe deram, neste caso um Mazda MX-5. Mudaram a frente que invoca o modelo original e também a traseira, mas sempre com bom gosto e a necessária ligação ao passado. O capot pintado de negro com as duas bossas (que no modelo original serviam para fazer caber o motor) são detalhes que deixam claro o cuidado colocado na realização do carro.

Veja aqui quanto lhe pode custar este Abarth 124 Spider

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Por baixo do longo capot encontramos o bloco 1.4 litros Multiar da Fiat, aqui com sobrealimentação mais puxada e com algumas alterações que levam a potência para os 170 CV e o binário para os 250 Nm. Tenho de lhe dizer, já, que o 124 Spider tem de série um escape equipado com o “Record Monza” o sistema que faz o Abarth 124 soar como se tivesse um motor de um R5 do Mundial de Ralis. É um tração traseira e está equipado com caixa manual de seis velocidades ou em opção uma unidade automática. Esqueça que existe esta opção… esqueça! No diferencial traseiro está lá um autoblocante e os pneus são uns excelentes Bridgestone Potenza RE050.

Colocado em funcionamento, acredite que apanha um susto! Principalmente se não souber que lá à frente está um quatro cilindros com apenas 1.4 litros. Começa logo com voz grossa porque o ralenti fica nas 2 mil rotações. Se acelerar parece mesmo que está num carro de competição. Mas melhor é mesmo coloca-lo em andamento. A banda sonora sem sempre “broooopppp, brooopppp”, “pow, pow” “vrooooommmm” “broop” “paw, paw”. E se acelerar desde baixas rotações, começa por rosnar acabando aos gritos quando passamos os limites de velocidade.

Curiosamente, o Abarth 124 Spider não é um velocista puro, nem no modo normal nem quando escolhemos o Sport. No primeiro modo, sente-se um pequeno tempo de resposta do turbo, no Sport, isso é atenuado e o carro dispara rapidamente. Mas como sucedeu com muitos Abarth do passado, o principal não é a velocidade máxima nem a aceleração de deixar cair o queixo, mas sim o divertimento ao volante e a agilidade. E a verdade é que este Abarth parece, mas não é um velocista com 6,8 segundos dos 0-100 km/h e 232 km/h. O Mazda MX-5 2.0 litros faz mais ou menos o mesmo, perdendo ligeiramente para o 124. Mas isso não interessa para nada, porque um Abarth de boa cepa é para se desfrutar na estrada.

Sentados exatamente como no Mazda MX-5 – a diferença é o símbolo no volante e os grafismos dos instrumentos – com uns belos bancos a dizer Abarth, ficamos pertinho do chão e com as rodas traseiras nos nossos ombros. Colocado o motor em funcionamento (broop, broop, brrrrrrr, broop, paw, paw) lá fui para uma estrada sinuosa, aproveitando para perceber como funciona a caixa, uma unidade suave, bem escalonada e com um guiamento preciso, ajudado por uma grelha curta. As passagens de caixa são rápidas e não preciso mexer muito a mão.

Após os primeiros quilómetros fica claro que os “ragazzi” da Abarth mexeram, bem, na suspensão com os amortecedores Bilstein e as molas Eibach a trazerem qualidade ao controlo da carroçaria e até ao conforto, sempre relativo num carro destes. A direção precisa e linear ajuda a posicionar a frente e o controlo de estabilidade ajuda os menos capazes sem ser intrusivo ou incomodativo. Mas, a diversão começa a sério quando passamos para o modo Sport e desligamos o controlo de estabilidade e tração. Oh Yeah!!!!

Passamos a conduzir o Abarth 124 Spider com o acelerador, ajudados pelo diferencial autoblocante. As saídas de traseira são facilmente controláveis e quando se acaba o talento, basta levantar o pé do acelerador que o carro para. Se tiver coragem e talento, tente enfrentar uma estrada verdadeiramente sinuosa e salte de curva para curva em deriva usando apenas o acelerador. A fundo para descolar, levantando o pé para recuperar. É um jogo divertido, mas que requer alguma atenção e jeito para a coisa… Por isso o melhor é deixar tudo ligado que, ainda assim, se pode divertir pois o controlo de estabilidade é daqueles fixes.

Veredicto

Por este preço, acredito que poderá comprar desportivos mais velozes, mas duvido muito que sejam tão divertidos como este Abarth 124 Spider. É verdade que é um dois lugares, capota de lona, barulhento (mas delicioso…), a mala não tem espaço para mais que um saco de fim de semana e não é propriamente económico. Mas, Meu Deus!!! que diversão ao volante, que gozo conduzir o Abarth 124 Spider e face a Mazda MX-5, o Abarth é melhor no que toca ao comportamento. E não se esqueça, se estiver interessado num Abarth 124 Spider NÃO compre o automático. Poupa dois mil euros e evita a maior desilusão da sua vida. E já agora dizer-lhe que a diferença entre o Abarth 124 Spider e o Mazda MX-5 2.0 litros com nível de equipamento semelhante fica em pouco mais de mil euros. Preciso de lhe dizer qual é que compraria?!

Gostou do Abarth 124 Spider? Então, que tal configurar já o seu aqui?

FICHA TÉCNICA

Abarth 124 Spider

Motor 4 cilindros em linha, injeção multiponto, turbo; Cilindrada (cm3) 1368; Diâmetro x curso (mm) 72 x 84; Taxa compressão 9,8; Potência máxima (cv/rpm) 170/5000; Binário máximo (Nm/rpm) 250/2500; Transmissão e direcção Tração traseira, caixa manual de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  4054/1740/1233; distância entre eixos 2310; largura de vias (fr/tr) 1496/1503; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1060; Capacidade da bagageira (l) 140; Depósito de combustível (l) 45; Pneus (fr/tr) 205/45 R17; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 6,8; velocidade máxima (km/h) 232; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 5,1/8,5/6,4 (consumo real medido 7,8 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 148; Preço da versão ensaiada (Euros) 41.994

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