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Ensaio Renault Grand Scénic dCi 130: ilusionista!

Este é um SUV ou um monovolume? A Renault insiste que este é um SUV com um estilo moderno e arrojado, que oferece a versatilidade e a praticabilidade que as famílias modernas exigem. Ou seja, o Grand Scénic é uma espécie de ilusionista que consegue acotovelar-se no povoado segmento dos SUV com um monovolume. Ou será o contrário?

[quote align=”right” color=”#999999″]Se está a pensar trocar o seu monovolume por um SUV e precisa de sete lugares – ou se for daqueles “não preciso, mas dá sempre jeito” – com um estilo interessante e rodas grandes, o Grand Scénic é uma escolha acertada. Mesmo que tenha uma direção infeliz, não seja particularmente excitante de conduzir e tenha o problema dos ruídos aerodinâmicos.[/quote]
Na realidade, nem uma coisa nem outra, pois a palavra chave do Grand Scénic é “crossover”, em português, cruzamento. O modelo da Renault que se junta ao Espace na gama de modelos “crossover” da casa francesa, é um cruzamento entre um monovolume, uma carrinha e um SUV, tentando satisfazer uma alargada faixa de clientes, também eles, algo confusos com as novas tendências

Curiosamente, ou talvez não, a Renault olhou para o segmento dos monovolumes compactos e elegeu o Volkswagen Touran como a bitola em termos de praticabilidade, versatilidade e qualidade. Laurens van der Acker, responsável máximo pelo estilo na Renault, não escondeu isso quando revelou o carro há uns meses. Porém, lembrou que o modelo alemão era daqueles carros práticos, mas sem chama e com um estilo teutónico que dificilmente ganhará um concurso de elegância, numa altura em que pouco querem ter à porta de casa um “caixote” pensado para maximizar o espaço, mas sim um produto de design apurado pensado para maximizar espaço e versatilidade.

Ora, a Renault foi a primeira marca a tentar a fusão entre um monovolume e um SUV com o Espace. Querendo afastar da pele o estigma de ser a mãe dos MPV, a marca francesa voltou à carga com o substituto do Scénic, seguindo a mesmíssima receita. E para que não ficasse ninguém de fora, há um Scénic de cinco lugares e este Grand Scénic com sete lugares, com um estilo divertido, pintura de dois tons e as enormes cavas das rodas bem preenchidas com jantes de 20 polegadas. Um monovolume com um espetacular aspecto! Mas o Scénic não se vende em Portugal porque é um carro de classe 2 e não pode ser classe 1 nas portagens com via verde.

Veja quanto lhe pode custar este Renault Grand Scénic 1.6 dCi 130

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Para lá do estilo e das jantes, o Grand Scénic manteve muitos daqueles que eram os pontos fortes do anterior modelo. Pode encontrar no piso os alçapões onde a criançada guarda a bonecada ou a plasticina para inventar múltiplas coisas, em cima das mesinhas de aviação colocadas nas costas dos bancos dianteiros.

Retrocesso experimenta-se no banco traseiro, que deixa de ter lugares individuais em favor de um mais económico banco corrido com rebatimento 60/40. Continua a mover-se sobre calhas para ajustar o espaço para as pernas ou o tamanho da bagageira. Ou deixar as crianças mais perto dos lugares da frente para poderem levar uma palmada quando estão em modo birrento…

O acesso aos dois lugares da terceira fila de bancos é ligeiramente mais complicado, mesmo que o banco rebata e levante abrindo um acesso mais ou menos razoável, e os lugares não são lá grande coisa em termos de conforto. É mesmo uma solução de emergência quando as sogras se juntam e decidem infernizar o fim de semana, empurrando os miúdos lá para trás.

Lá na frente, encontramos um interior muito à imagem do Espace, faltando apenas o ligeiro arrojo da consola central e a qualidade dos materiais que está um nadinha abaixo do modelo topo de gama. Para falar de conforto, tenho de falar de outra coisa… das jantes de 20 polegadas!

Confesso que não acreditava que a Renault colocasse no Scénic rodas tão grandes, mesmo depois do que fez com o Espace. Mas mantendo as cavas das rodas tão generosas, não restava outra opção. Mas a Renault não deixou de tentar mitigar o natural desconforto de rodas tão grandes, pedindo pneus com flancos igualmente altos. Combinando isto com suspensões brandas e com longo curso, a marca do losango conseguiu que o Grand Scénic ultrapasse lombas, ressaltos e buracos sem que as nossas costas sofram em demasia. É verdade que nas zonas mais duras ainda se escuta o eixo traseiro a bater e a dureza da estrada, caso tenha muitos buracos e lombas, sente-se claramente no habitáculo. Dizer que os pneus 195/55 R20 foram feitos especificamente para o Grand Scénic e por isso todas as versões estão equipadas com estas jantes.

Porém, pior que isso é o problema aerodinâmico dos espelhos exteriores que a velocidades acima dos 80 km/h produzem ruído que incomoda ao fim de algum tempo. E este, sim, é um problema que não é nada agradável. Mas há mais. O bloco 1.6 dCi não é propriamente o mais silencioso e refinado e no Grand Scénic isso nota-se com alguma acuidade.

E já que falo no motor, dizer que como sempre, esta unidade 1.6 litros não é fabulosa em termos de performance, mas tem excelente capacidade nas rotações intermédias dando oportunidade ao Grand Scénic, desde que não atestado de gente e tralha, para cumprir qualquer trajeto sem recorrer muito á caixa manual de seis velocidades.

Comprido, o Grand Scenic não deixa de ser alto, mesmo que esteja a 53 mm do chão (quando totalmente carregado), em menos que o Scénic. E suspeito que isso tenha a ver com o receio da Renault que o Grand Scénic se tornasse demasiado instável com lotação esgotada. Seja como for, com esta especificação parece mais uma carrinha arregaçada e não difere assim tanto do Espace como seria suposto.

Tendo como principal objetivo levar-nos do ponto A ao ponto B confortavelmente e com clientela que precisa exatamente disso, o comportamento do Grand Scénic não é demasiado importante. Talvez por isso a direção não tem grande sensibilidade e é lenta. Estacionar não é fácil e em estrada, nunca se sabe o que estão a fazer as rodas da frente. O problema é que estacionar perto de passeios pode ser meio caminho para deixar no chão várias gramas de alumínio das jantes.

Volto ao interior para lhe dizer que o sistema R-Link está sobrecarregado de funções que, infelizmente, o tornam algo lento e não raras vezes aparece a velha espiral a dizer que o sistema está a pensar quando alternamos entre menus. Depois há os pormenores típicos de um monovolume como o espelho extra que permite controlar as crianças nos bancos traseiros, o enorme porta luvas colocado na consola central e os muitos espaços de arrumação.

Veredicto

Se está a pensar trocar o seu monovolume por um SUV e precisa de sete lugares – ou se for daqueles “não preciso, mas dá sempre jeito” – com um estilo interessante e rodas grandes, o Grand Scénic é uma escolha acertada. Mesmo que tenha uma direção infeliz, não seja particularmente excitante de conduzir e tenha o problema dos ruídos aerodinâmicos. Ainda assim, recomendo o novo crossover que parece uma carrinha arregaçada cruzada com um monovolume. Aliás, parece mesmo é um monovolume com estilo. E isso é capaz de ser suficiente para muitos de vós. Há é uma notícia menos agradável… Com o motor 1,6 dCi 130 CV, os preços arrancam nos 35.900€ do Intense e acabam nos 38.810 euros do Bose Edition. Isto sem extras…

FICHA TÉCNICA

Renault Grand Scenic 1.6 dCi 130

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3) 1600; Diâmetro x curso (mm) 80 x 79,5; Taxa compressão nd; Potência máxima (cv/rpm) 130/4000; Binário máximo (Nm/rpm) 320/1750; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  4406/1865/1653; distância entre eixos 2734; largura de vias (fr/tr) 1594/1583; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1540; Capacidade da bagageira (l) 189 (7 l)/718 (5 l); Depósito de combustível (l) 53; Pneus (fr/tr) 195/55 R20; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 11,4; velocidade máxima (km/h) 190; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,1/5,1/4,6; emissões de CO2 (g/km) 116; Preço da versão ensaiada (Euros) 39.240

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