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Ensaio Ford Ka+ 1.2 85: simples e convencional

Ponto final nos modelos específicos para o segmento citadino, ponto final nos gastos com carros de nicho que lutem com vedetas como o VW Up, Hyundai i10 ou o Fiat Panda. O Ka morreu, viva o Ka+ feito na India simples e destinado a pessoas simples. Porque se for esquisito, é melhor olhar para o Fiesta.

[quote align=”right” color=”#999999″]Para comercializar o Ka+ na Europa, a Ford não cometeu os erros do Ecosport e por isso modificou totalmente a suspensão (com molas mais curtas e amortecedores mais duros, casquilhos mais grossos e barras estabilizadoras mais grossas), a direção, endureceu os sub-chassis, instalou melhores pneus, isolou melhor o interior, aumentou as camadas de insonorização e melhorou alguns revestimentos alcatifados. [/quote]
Fiquei triste quando a Ford decidiu acabar com o Ka original, porque não sendo particularmente interessante, era divertido e chegou a ser usado nos ralis. Foi uma experiência da casa da oval azul no mundo dos citadinos que acabou por durar vinte anos e rendeu quase meio milhão de clientes. O modelo original durou 12 anos e depois a Ford estendeu-se ao comprido quando aceitou fazer um novo Ka com base no Fiat 500. Foi em 2008 e rapidamente se percebeu que tinha sido uma idiotice, tamanha que as vendas foram mínimas e o projeto faleceu de vergonha face aos resultados comparados com o original.

Está de regresso e confesso que quando soube que este Ka+ vinha da Índia me veio à cabeça o exemplo do Ecosport, SUV compacto vindo do Brasil e feito no pais dos marajás, outro “flop”. O Ka+ só existe porque a Ford cansou-se de gastar dinheiro em segmento não lucrativos (como os citadinos e os utilitários) e decidiu concentrar-se onde há dinheiro a ganhar. Como havia um carro ali na Índia à mão, foi esse que veio fazer de Ka, agora Plus porque tem mais espaço e é maior. Este que tem tanto a ver com o anterior como a água e o azeite…

Ao contrário do original, o Ka+ não tem nada de inovador ou diferente e apenas a frente igual á do Focus faz alguma diferença. O resto é um traço simples e sem grandes rasgos feito para ser simples e prático, não bonito e complicado. É um carro “what you se eis what you get”, ou seja, o que está à frente dos olhos é o que vai levar para casa. Nem mais, nem menos.

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Outro dado que confirma o lado prático do Ka+ é a utilização de um só motor, no caso o 1.2 litros a gasolina com dois patamares de potência. O modelo que ensaiei estava equipado com o de 85 CV. Por baixo está a plataforma global para carros pequenos da Ford. Ou seja, tem muita coisa comum ao Fiesta – o que só abona em seu favor! – e está apontado ao “buraco” que Skoda, VW, Hyundai e Kia deixaram nos utilitários com a sua mania de quererem estatuto Premium. Ou seja, os americanos querem ganhar alguma coisa aproveitando a falta de comparência dos restantes.

A verdade é que este é um “low cost” mesmo que a Ford teime em dizer que não senhor, este não é nada um carro desses e muito menos rival do Dacia Sandero. Lamento, mas é que é isso mesmo que o Ka+ é e isso sente-se na utilização. Embora tenha de dizer que aquela centelha de desportivo que vive aprisionada no corpo dos carros da Ford também encontrou guarida no Ka+. O carro comporta-se bem e é bem melhor neste particular que o Dacia. Mas não esperem muito mais… não há e este não é um Fiesta, tem apenas partes daquele. Por 10 mil euros não se pode pedir muito mais…

O espaço interior é muito generoso e a Ford não hesitou em roubar espaço na bagageira para o oferecer aos passageiros. A posição de condução está mais acima do que no Fiesta – o Ka+ também é mais alto – o que também ajuda a arrumar os pés dos ocupantes do banco traseiro. Por isso não espanta que a mala tenha apenas 270 litros, um nadinha curta segundo os padrões dos citadinos. Chega para (poucos) sacos das compras, mas duvido que um carrinho de bebe caiba lá dentro.

Já sei que está à espera que diga cobras e lagartos de um carro feito na Índia. É verdade que os plásticos são todos duros e de uma qualidade menor, mas são todos uniformes e montados com o habitual cuidado da Ford. Ou seja, a qualidade é baixa, mas a montagem boa e como não há ruídos, acabamos por nem dar demasiada importância aos plásticos. Há também algumas peças e comandos já algo antigos (oriundos de outras gerações do Fiesta), mas a verdade é que o habitáculo do Ka+ não destoa assim tanto como seria espectável.

Claro que há um par de coisas que deixa perceber onde este Ka+ é feito e porque pertence aos “low cost”. O banco do passageiro não tem ajuste em altura da almofada e o ângulo feito com a costas é algo estranho. Depois, não há pegas no tejadilho, não há ganchos para o casaco e nem sequer bolsas nas portas traseiras e o portão traseiro não tem abertura pelo exterior. Por outro lado, o nível de equipamento não está mal fornecido e até ligação Bluetooth exibe.

Para comercializar o Ka+ na Europa, a Ford não cometeu os erros do Ecosport e por isso modificou totalmente a suspensão (com molas mais curtas e amortecedores mais duros, casquilhos mais grossos e barras estabilizadoras mais grossas), a direção, endureceu os sub-chassis, instalou melhores pneus, isolou melhor o interior, aumentou as camadas de insonorização e melhorou alguns revestimentos alcatifados. A verdade é que tudo isto tornou o carro melhor que a base de onde nasceu, ficando claro que o Ka+ poderia ter um motor mais potente.

O bloco de 1.2 litros Duratecé suave e silecioso, mas fica a anos luz do excelente bloco 1.25 litros feito pela Yamaha (e do qual deriva) que o Fiesta exibiu durante anos a fio. Mesmo na forma mais potente, falta ali aquela centelha desportiva que o outro bloco exibia orgulhosamente. E como a caixa de cinco velocidades tem relações alongadas, o motor torna-se ainda mais amorfo. No que toca aos consumos, este motor é melhor, mesmo que tenha tendência para ser beberrão. A média da Ford nunca consegui igualar ficando-me por uns aceitáveis 6,1 l/100 km.

Veredicto

É verdade que o estilo do Ka+ não é nada de especial e o tratamento dado à frente do carro não chega para lhe conferir o chame que o original possuía. Também é verdade que a Ford não espera muito deste “low cost” até porque não quer gastar os 200 milhoes de euros que custa colocar no mercado um modelo totalmente novo e conseguir vende-lo de forma lucrativa. No segmento dos citadinos não existe essa possibilidade, por isso o Ka+ é assim e não há volta a dar. Os 10 mil euros que custa e a capacidade de nos levar do ponto A para o ponto B com razoável conforto, são boas razões para não desdenhar deste Ka+ e, contas feitas, aposto que não encontra um carro com a qualidade, habitabilidade e disponibilidade deste Ford pelo preço que a casa da oval azul pede.

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FICHA TÉCNICA

Ford Ka+ 1.2 85

Motor 4 cilindros em linha, injeção multiponto; Cilindrada (cm3) 1196; Diâmetro x curso (mm) nd; Taxa compressão nd; Potência máxima (cv/rpm) 85/6300; Binário máximo (Nm/rpm) 112/4000; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 5 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  3929/1695/1524; distância entre eixos 2489; largura de vias (fr/tr) nd; travões fr/tr. Discos vent./tambores; Peso (kg) 934; Capacidade da bagageira (l) 270; Depósito de combustível (l) 42; Pneus (fr/tr) 195/55 R15; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 13,3; velocidade máxima (km/h) 169; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,0/6,6/5,0 (consumo real medido 6,1 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 114; Preço da versão ensaiada (Euros) 11.912

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