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Ensaio Renault ZOE R90 ZE40: Mudança de paradigma

 

Pela primeira vez conseguimos aliar um carro elétrico com uma autonomia ‘decente’ a um preço competitivo.  O novo Renault Zoe R90 ZE40 consegue cerca de 300 km com ‘uma’ bateria em condições reais de utilização.  E o preço já não assusta…

Por José Luís Abreu jabreu@autosport.pt

Uma coisa que os portugueses poucas vezes fazem é contas! Para tudo e mais alguma coisa. Lembro-me, aqui há uns bons anos, quando os primeiros postos de combustível low cost começaram a surgir, de um vizinho que ia de Sintra ao Jumbo de Alfragide abastecer o carro, porque “era muito mais barato.” “Mas vais lá fazer as compras ao Jumbo?” perguntei. “Não”, respondeu, “vou só meter gasolina. – Porreiro, fazes 40 km para poupar quatro euros no abastecimento, e nesses 40 km gastas 4,00€ de gasolina. Basicamente, vais passear, pois poupar não poupas um cêntimo…” Os anos passaram, a crise mantém-se, todos deviam fazer contas e depois olhar para os pratos da balança e pesar os prós e os contras.

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A cada dia que passa faz cada vez mais faz sentido ponderar-se um elétrico e há casos em que se as pessoas tiverem uma vida com poucas “variações ao tema”, leia-se, fazem em 90% das vezes os mesmos percursos todos os dias. Sendo capaz de concordar que o anterior Zoe era complicado, porque nos arriscávamos a ter pouco mais do que 130 ‘verdadeiros’ kms, já com esta nova geração, o Renault Zoe R90 ZE40, se adaptarmos a condução, conseguimos fazer 300 km, e se fizermos uma condução o mais parecida possível com a que fazemos no dia a dia, 250 Km são totalmente garantidos, incluindo aqui rodar num itinerário complementar à velocidade máxima autorizada.

Foto; Renault

Decidi, com a bateria quase totalmente carregada, 96%, tentar perceber quanto poderia durar até sentir a pressão do carregamento, tendo em conta o percurso de 60 km que faço em média diariamente, que inclui muito pára-arranca e percursos lentos. Ora bem, logo para começar os primeiros 22 km tiveram o condão de permitir que saísse de casa e chegasse ao primeiro destino, a escola da criança, exatamente com a mesma autonomia que… quando saí de casa. Isto explica-se pelo muito trânsito e um percurso ligeiramente a descer. Claro que ao fim do dia o ‘consumo’ de bateria foi diferente, mas ainda assim com estes percursos semelhantes consegui fazer quase a semana toda sem ter que carregar a bateria uma única vez. Isto significa que numa utilização real, nem sequer será necessário carregar-se o carro todos os dias.

Foto; Renault

Mas há aspetos práticos de que convém ter-se consciência. Esta nova bateria de 41 kWh, se for carregada num posto ‘rápido’, os melhores de todos, demora entre 65 a 100 minutos, e na pior das hipóteses, com uma tomada doméstica com a potência mais fraca, 2,3 kW, pode durar até mais de 30 horas – e dificilmente poderia ter mais alguma coisa ligada à mesma tomada. Com o carregador de 7,4 kW precisa-se de sete a oito horas para se carregar o Zoe. Depois há aqui várias coisas que se têm de ponderar. Usar a instalação elétrica do domicílio evita ter de se pagar mais um contrato, mas terá de ter em atenção que, enquanto o carro carrega terá menos potência disponível em casa. Ou seja, o carro elétrico permite-lhe poupar ‘rios’ de dinheiro, mas convém ler muito sobre os prós e contras, pois não temos aqui espaço para os referir a todos.

Foto; Renault

Com um preço base de 29.450 euros (ver campanhas), o Renault Zoe R90 ZE40 demarca-se dos elétricos demasiado caros e com longos anos de ‘amortização’. Com este Zoe, se não pretender andar a dar ‘gás’, pode contar com 300 km de autonomia real. Quantas vezes num ano faz mais de 300 km por dia? Com este carro temos a liberdade que o automóvel nos dá de ir para onde e quando quisermos. De resto, a condução do Zoe em cidade é uma maravilha, pois o carro é ágil e sobra-lhe em rapidez para o ambiente urbano.

Foto; Renault

Se tiver que fazer um número significativo de quilómetros num IC ou AE nos seus percursos normais, se andar nos limites, a bateria vai-se bem mais depressa. Não é aí o ambiente ideal do Zoe, ainda que ande, dado que a velocidade máxima de 135 km/h atinge-se facilmente. O carro é suficientemente rápido, mas se optar constantemente por um ritmo elevado terá uma surpresa desagradável com a bateria. Estes carros não foram pensados para andarmos sempre a ‘abrir’. Aliás, ‘obrigam-nos’ a moderar o andamento, pois o enorme painel do Zoe está sempre a mostrar se a nossa condução é ‘verdinha’, moderadamente poupada (poucos ‘riscos’ amarelos) ou o azul ‘regenerador’ que queremos ver sempre que tiramos o pé do acelerador ou travamos.

Foto; Renault

O facto de ter um baixo centro de gravidade permite a este Zoe ser ágil em estradas sinuosas. Tem força para dar e vender e só não podemos contar com ele para ‘velocidades furiosas’. Outro aspeto interessante é que o Zoe nos mostra sempre, tendo em conta o nosso ritmo, com o que podemos contar na bateria. Definitivamente, este carro faz-nos esquecer a ansiedade da carga da bateria e isso é um trunfo importantíssimo. Isso e uma média de um euro por cada 100 km. Espantado? Não fique…!

 

FICHA TÉCNICA

Motor Elétrico, síncrono

Potência 92 cv

Binário máximo 225 Nm

Transmissão Automática

Tração Dianteira

 

Velocidade máxima 135 km/h

Aceleração 0-100 km/h 13,2 segundos

Autonomia anunciada 400 km

Autonomia teste AutoSport 300 km

Emissões CO2 0 g/km

Preço base 29.450 €

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