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Porque é que o estilo da Audi é diferente?

Marc Lichte: fixe este nome. É o diretor de design da Audi que está a mudar o rosto da Marca. A característica frente do Q2, o disruptivo e-tron Sportback e a nova geração do A8, a ser lançada nos próximos meses, já têm a sua assinatura.

Foto: Audi

Quando Marc Lichte (foto) chegou à Audi, há pouco mais de três anos, tinha enormes desafios pela frente. Os segmentos premium já prenunciavam que era no seu universo que a luta mais dura se iria travar. E que se passa hoje no mercado só veio confirmar a suspeita. Uma concorrência acesa onde a diferenciação entre gamas e entre marcas se torna cada vez mais o segredo do sucesso. A tudo isto junta-se outra missão: posicionar os produtos para um futuro de mobilidade elétrica cada vez mais inevitável e em desenvolvimento acelerado. Não se pode dizer que Lichte tenha tido tempo para descansar.

Marc Lichte é um homem “da casa”. Começou a sua carreira na Volkswagen AG em 1996 e tem no seu currículo o trabalho criativo em modelos como os Golf (da geração 5 em diante) e no novíssimo Arteon. Ingressou na Audi no início de 2014 e logo nesse ano mostrou ao que vinha com o protótipo Prologue, apresentado no Salão de Los Angeles como antevisão dos modelos de topo. O visual possante, em especial na grelha totalmente distinta, são sinais claros dos caminhos de diferenciação. A próxima geração do A8 será a concretização desta filosofia e, de resto, o primeiro modelo totalmente nascido do traço de Lichte, apesar de este designer de 47 anos já ter tido um papel nos lançamentos mais recentes da marca, de que é exemplo o Q2 e a sua grelha octogonal.

Foto: Audi

Para o diretor de design, a identidade da Audi passa pela harmonização entre desenho e tecnologia. E dá o exemplo que para ele é mais marcante: o sistema de tração integral quattro. A explicação surge de uma forma bem curiosa… “Num carro de tração dianteira temos um longo capot e proporções gerais que tendem todas elas para a frente. Num automóvel de tração traseira, pelo contrário, temos um overhang dianteiro curto e tudo flui em direção à parte posterior. A maioria dos designers esforça-se por conferir aos automóveis as proporções de um modelo de tração traseira, independentemente de o ser ou não, mas na Audi não fazemos isso. Temos uma frente longa, o habitáculo sensivelmente a meio e um equilíbrio nas proporções da traseira. É por isso que digo que o quattro é mais do que um sistema de transmissão – ele é, isso sim, o grande elemento que inspira a diferenciação em relação aos nossos rivais da Mercedes e da BMW”.

Foto: Audi

“A minha parte favorita de um automóvel é a perspetiva traseira. Em especial quando esta flui ao mesmo nível de toda a linha de cintura nos flancos da carroçaria. Isto é excecionalmente difícil de conseguir, mas é um dos elementos que estão a marcar os nossos modelos de maiores dimensões”, diz Marc Lichte, em mais uma explicação de a filosofia quattro estar a orientar todo o desenho diferenciador da Marca.

O líder do design da Audi considera que a diferenciação começa dentro da própria gama e é também por isso que tem sob a sua responsabilidade todas as linhas da marca: “Definimos uma linguagem de estilo para os modelos A, Q e R, com um rosto individualizado e cada uma delas com uma secção lateral distinta. Todas elas visualizam o tal conceito quattro, mas com uma interpretação específica. E mesmo dentro de cada um destes grupos os modelos serão sempre claramente diferenciados. Cada um deles terá a sua identidade própria”.

O desafio elétrico

A inevitabilidade dos automóveis elétricos é outro dos desafios que se colocam a qualquer designer dos tempos modernos. Lichte e a Audi não são exceção e o caminho parece ser promissor, fruto da linguagem própria que está a ser mostrada nos mais recentes protótipos. O e-tron Sportback Concept, revelado no último salão de Xangai, constitui um exemplo vívido da criatividade que percorre por estes dias os gabinetes de estilo da marca. A magia deste conceito reside na forma como se combinam elementos tradicionais da marca com soluções totalmente novas. Um exemplo: os motores elétricos não necessitam dos grandes fluxos de ar indispensáveis aos propulsores a combustão, pelo que a grelha clássica não faz mais sentido. No entanto, em vez de a eliminarem totalmente – uma tentação em que outros fabricantes têm caído – os criativos conceberam um elemento inspirado na grelha octogonal Audi. De igual forma, a linha fluida dos Sportback da marca está presente e vinca todo a proporção do veículo.

Mas a verdade é que estamos a falar de um momento disruptivo e por isso nada será como dantes: “Temos assistido ao lançamento de alguns modelos elétricos, nomeadamente de marcas que não estavam presentes no mercado, que replicam a estética dos automóveis a motor de combustão. Compreendo que isso tenha feito sentido no início, para não assustar os consumidores, mas chegou a hora de fazer algo de diferente, tanto mais que a configuração tecnológica dos elétricos nos permite fazer coisas totalmente inovadoras no plano estético e de habitabilidade”, explica Lichte.

O mesmo se verifica no interior, como explica Marc Lichte: “Os monitores touchscreen são algo que temos vindo a instalar nos nossos modelos e é algo que será incrementado nos futuros modelos elétricos. No entanto, queremos que o sentido estético seja preservado. A Tesla fez um bom trabalho ao introduzir esta tecnologia nos seus carros, mas, para mim, trata-se de uma solução que não é agradável do ponto de vista visual. É por isso que integramos os nossos touchscreen na arquitetura do interior, ao mesmo tempo que colocamos alguns dos elementos orientados para o condutor, um cunho desportivo que é um dos valores da Audi. Os materiais também têm de continuar a ser autênticos, como a pele natural, que, não sendo tão uniformemente perfeita, transmite requinte e sentido premium”.

Elétricos, autónomos ou com motorizações convencionais, os Audi, percebe-se pelas palavras do seu diretor de design, continuarão a pautar-se por valores que sempre foram queridos a esta Marca. O que se compreende: afinal, a tecnologia sempre foi o elemento que mais inspirou a linguagem estética de Ingolstadt.

Fonte: Newsroom SIVA

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