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Ensaio Hyundai Kauai 1.0 T-GDi: brilhante!

Com uma previsão entre mãos que diz serem 40% das suas vendas feitas através de modelos SUV e com necessidade de levar os consumidores a reconhecerem a marca por razões mais emocionais e menos racionais, a Hyundai “atirou-se” de cabeça ao segmento dos modelos compactos com este modelo cuja maior polémica tem sido o nome internacional. Piadas à parte, a Hyundai fez um belo trabalho e ameaça, cada vez mais, o “establishment” europeu. Ensaio ao Kauai com motor a gasolina de 1.0 litro.

[quote align=”right” color=”#999999″]O Hyundai Kauai é um modelo indispensável na sua lista de opções, até porque o equipamento é muito recheado e a apreciação global é excelente. O seu mais perigoso rival é o Arona da Seat, que tem mais bagageira, é um nadinha mais refinado e faz jogo igual em termos de comportamento. Seja como for, o Kauai é um excelente produto[/quote]
O sucesso conhecido com o Santa Fé e com o Tucson e a tal previsão acima referida, foram suficientes para a Hyundai apostar no segmento SUV-B e seguir uma via mais atrevida, tentando descolar a imagem da marca racional com clientes racionais e cinzentos. E para que isso fosse possível, a Hyundai descartou qualquer sinergia com a Kia, criando o seu próprio modelo com características diferentes do Stonic da Kia que, verdade seja dita, não é mais que um Rio arregaçado.

O Kauai mergulha numa tina cheia de vedetas como o Seat Arona, Nissan Juke, Citroen C3 Aircross, Kia Stonic, enfim, não faltam modelos de quase todas as marcas. Por isso mesmo, a Hyundai quis cobrir todas as bases e, assim, depois do lançamento com o motor a gasolina 1.0 T-GDi, vai lançar este ano as variantes a gasóleo e totalmente elétrico, desconhecendo-se se o sistema híbrido Plug In do Ioniq vai aparecer no Kauai.

Estilo diferenciado

A Hyundai não se perdeu em minudências e tratou de cuidar, em primeiro lugar, daquilo que pode ser o espoletar do sentimento de compra, o estilo. O Nissan Juke fez carreira devido, sobretudo, ao seu estilo irreverente – bonito ou feio é outra questão – e que foi uma verdadeira pedrada no charco. Dai para cá, ninguém teve coragem de abanar o segmento e, paulatinamente, o aspeto geral dos B-SUV entrou numa sensaboria inexplicável. O Kauai é nova pedrada no charco, com um estilo irreverente que bebe inspiração em vários modelos. A frente lembra o Jeep Cherokee, a grelha remete-nos para a frente dos Audi, enfim, um conjunto de ideias e conceitos que agrupados neste Hyundai rimam de forma perfeita. O risco é elevado, pois o Kauai não se parece com nada que a casa coreana fez até agora – até o nome que poderia ser i20 Crossback ou algo do género, é diferente – mas se lhe dissesse que este é o novo Nissan Juke, tenho a certeza que acreditaria sem hesitar.

Veja quanto lhe pode custar este Hyundai Kauai 1.0 T-GDI

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A vontade de ter um B-SUV diferente foi tão grande que a base do Kauai não é o i20. É uma plataforma totalmente nova, moderna e já preparada para a eletrificação e para receber versões de tração integral. Por isso é que o Kauai é dos poucos modelos do segmento com uma opção 4×4 pura e não sistemas eletrónicos controlados pelo ESP. Por via desta nova plataforma, a Hyundai conseguiu oferecer um comportamento que os rivais apenas podem sonhar exibir.

Prazer de condução

Sendo ligeiramente duro, o Kauai pode, até, ser menos confortável quando andamos em cidade ou em pisos verdadeiramente degradados. Mas quando chegamos á estrada sinuosa que desafia qualquer um, o Kauai destaca-se dos rivais pelas suas capacidades em termos de comportamento.

Verdade que a maioria dos compradores do B-SUV da Hyundai estão-se marimbando para a capacidade de curvar depressa do Kauai e que a opção por uma suspensão mais dura parece ser algo estranha para um carro que tem como ambiente a cidade. Mas não posso deixar de dar os parabéns à Hyundai por ter arriscado oferecer mais emoção a um segmento cinzentão e por ter criado um carro que parece ser um produto isolado de tudo aquilo que a Hyundai faz. Tenho de cumprimentar calorosamente a Hyundai por ter arriscado fazer um B-SUV diferente. Claro que o Kauai tem barras no tejadilho, que tem uma maior altura ao solo que o i20 e oferece oportunidades de combinação de cores, mas vai muito além disso e é muito, muito divertido!

E a Hyundai nem sequer arriscou muito em termos técnicos para obter este excelente resultado. A versão de tração integral tem suspensão traseira multibraços, mas as unidades com tração dianteira recebe um eixo de torção simples e jantes de 17 polegadas. Como referimos, o acerto é um nadinha firme, mas longe de ser desconfortável. Já o motor 1.0 T-GDi com 120 CV e a caixa manual de seis velocidades, ajuda “à festa”.

É verdade que a baixa rotação o bloco da Hyundai é algo amorfo e precisa de mais rotação para ganhar vida e, não raras vezes, para uma ultrapassagem é necessário recorrer à caixa. O que não é mau, pois a caixa é excelente com um comando rápido e engrenagem sem hesitações, com escalonamento correto, enfim, uma bela ajuda ao motor. Outro ponto positivo reside na direção. Mais pesada do que o habitual neste tipo de veículos, oferece pouca sensibilidade, é verdade, mas é consistente e mantém as suas características seja qual for a utilização, sendo uma boa ajuda quando a estrada encaracola. Ou seja, a Hyundai quis, mesmo, que o Kauai se destaque pela sua capacidade em termos de comportamento.

No que toca a coisas mais práticas, dizer que o Kauai tem 361 litros de capacidade na bagageira – que podem chegar a 1143 litros com o rebatimento do banco traseiro – há espaço suficiente, que não a mais!, para os ocupantes do banco traseiro e no que toca a consumos, os 5,3 litros anunciados não ficam longe dos 5,9 l/100 km que registei no final do ensaio. Já agora dizer que a Hyundai não é adepta de longas listas de opcionais e de combinações de equipamentos e por isso tudo é muito simples nesse particular.

Veredicto

Se está na disposição de aderir á moda dos SUV e os 20.150 euros não o assustam, o Hyundai Kauai é um modelo indispensável na sua lista de opções, até porque o equipamento é muito recheado e a apreciação global é excelente. O seu mais perigoso rival é o Arona da Seat, que tem mais bagageira, é um nadinha mais refinado e faz jogo igual em termos de comportamento. Seja como for, o Kauai é um excelente produto que dá á Hyundai a possibilidade de petiscar num segmento cada vez mais povoado. Sinceramente, adorei este Hyundai Kauai e nem sequer quero saber do motor diesel. Já a versão elétrica pode ser uma belíssima ideia quando chegar. Até lá, o motor 1.0 T-GDi é a melhor opção para este excelente carro.

FICHA TÉCNICA

Hyundai Kauai 1.0 T-GDI

Motor 3 cilindros em linha, injeção direta, turbo; Cilindrada (cm3) 998; Diâmetro x curso (mm) 71 x 84; Taxa compressão 10,0; Potência máxima (cv/rpm) 120/6000; Binário máximo (Nm/rpm) 172/1500 – 4000; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura 4165/1800/1565; distância entre eixos 2600; largura de vias (fr/tr) nd; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1233; Capacidade da bagageira (l) 361/1143; Depósito de combustível (l) nd; Pneus (fr/tr) 215/55 R17; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 12,0; velocidade máxima (km/h) 181; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) nd/nd/5,3 (consumo real medido 5,9 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 119; Preço da versão ensaiada (Euros) 20.150

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