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SEAT 4Drive: segurança e diversão de mão dada

O convite era claro: venha connosco conhecer o sistema de tração integral da SEAT no meio da neve e do gelo próximo de Insbruck, Áustria, aplicado aos modelos Arona, Ateca e Leon. Para fecho de experiência, umas sessões livres com o Leon Cupra 300 CV em piso de neve e gelo. Wow!!!

Frio! Muito frio! Gelo e neve em abundância. Uma pista gelada coberta de neve e uma mão cheia de SEAT Leon Cupra 300 4Drive na versão carrinha. Cones a delimitarem um percurso. Pneus de inverno na maioria dos carros, dois com pneus com pregos. Um acordar madrugador e uma curta viagem de dezena e meia de quilómetros, levou-nos a este cenário que, para alguns, pode parecer meio dantesco, para mim era uma espécie de oásis de puro divertimento. Porque?

Bom, porque a SEAT levou para a pista de gelo o seu piloto, Jordi Gené (irmão do piloto de desenvolvimento e embaixador da Ferrari, Marc Gené) que nos explicou que, no essencial, devíamos desligar o controlo de estabilidade do carro e tentar fazer o percurso, feito por um “slalom” uma parabólica e dois “S” apertados, no mais curto espaço de tempo e desfrutando das qualidades do carro e dos pneus.

Antes de lhe contar a paródia que foi andar nestas condições e deixar algumas dicas de condução quando forem à Serra da Estrela e a estrada para a Torre estiver enregelada, olhemos para o sistema 4Drive da SEAT.

A quinta geração do sistema de tração integral da SEAT utiliza uma configuração sobejamente conhecida com embraiagens multidisco com funcionamento hidráulico e controlo eletrónico. O sistema está alojado no eixo traseiro mesmo à frente do diferencial traseiro. Uma localização estudada e que tem como vantagens a melhoria da distribuição de pesos, depois a redução do momento de inércia e do tempo de resposta do sistema, pois estando nesta posição, está sempre ligado por via do veio de transmissão, ao motor.

A embraiagem multidiscos em banho de óleo tem algumas novidades nesta geração. Os aros de fricção feitos em metal estão colocados aos pares. Assim, um dos anéis de cada par está sempre ligado ao veio de transmissão que gira com a caixa de velocidades. Os outros anéis giram com em acordo com o diferencial traseiro. O pistão do atuador hidráulico comprime as embraiagens até atingir a pressão de óleo suficiente, sendo que será o controlo eletrónico a definir qual será essa pressão. Tudo isto acontece num sistema que está mais leve 1,5 quilogramas, e que dispensa, agora, um acumulador de pressão. Peso ganho e maior dinamismo e segurança.

Como funciona?

O sistema não é permanente para evitar consumos e emissões supérfluas. Quando em condições de condução normais, o SEAT 4Drive funciona como um automóvel de tração dianteira, desconectando o veio de transmissão para o diferencial traseiro, deixando este rodar livremente para reduzir o atrito. O diferencial traseiro só é chamado à ação em caso de necessidade, logo que o sistema detete que as rodas da frente estão a derrapar. Os sensores detetam esse excesso de rotação e, imediatamente, ligam o sistema e desviam potência e binário para as rodas traseiras. A vantagem deste sistema é a reação pronta e a utilização das características descritas em face de uma necessidade súbita. Assim que essa necessidade passa, regressa o sistema ao modo “normal” e desta forma reduzem-se os consumos e as emissões.

Porém, podemos explorar o sistema de outras formas e em caso de necessidade, é possível ajustar a quantidade de potência que chega a cada eixo. Sem estar a ser utilizado, 100% do binário chega ás rodas dianteiras, mas pode ir até ao máximo de 50/50 (metade para cada eixo). Em caso de extrema necessidade, o SEAT 4Drive pode enviar 100% da potência e do binário para as rodas traseiras. Mas não fica por aqui!

O sistema tem capacidade vectorial e pode entregar potência e binário a cada roda individualmente e, também, lateralmente, ou seja, direita e esquerda.

Não há diferenciais autoblocantes, mas o sistema tem incluído nos diferenciais dianteiro e traseiro o autoblocante eletrónico EDS.

O SEAT 4Drive tem capacidade para analisar que tipo de superfície o veículo está a enfrentar, níveis de aderência, velocidade do veículo, posição do volante e o estilo de condução em tempo real. Depois, tem vários modos de condução (Normal, Sport, Eco, Individual, Snow, Off-Road e Cupra, este nos modelos desportivos, claro) que têm sempre prioridade sobre o ESP (que pode ser totalmente desligado) exceto quando o sistema analisa uma situação que lhe diz ser prioritário a estabilidade face á tração. Ai, o sistema 4Drive desliga-se e o ESP assume o controlo. Também para uma eventualidade de sobreaquecimento, o sistema desliga-se parcialmente caso algum sensor detete excesso de temperatura nas embraiagens. E pronto, é este o sistema 4Drive da SEAT que está disponível, em Portugal, no Ateca e no Leon.

Para o SEAT Ateca está disponível com o motor 2.0 TDI 190 CV, caixa DSG e equipamento FR (48.109 euros), no Leon, está disponível com o 2.0 TSI Cupra DSG 6 velocidades e 300 CV na versão carrinha (46.553 euros) e na carrinha XPerience 2.0 TDI 150 CV e caixa manual de seis velocidades (40.320 euros).

Voltemos à pista de gelo…

Antes de entrar na pista propriamente dita, tivemos direito a duas “expedições” que colocaram à prova as capacidades do sistema 4Drive da SEAT. Primeiro, uma subida á montanha com o Leon ST Xperience. Deu para fazer cruzamento de eixos – algo que o carro não faz pois tem suspensões independentes e o curso é muito curto, mas pronto… – onde se percebeu como a eletrónica faz verdadeiros milagres, passagens em locais estreitos com zonas bem escorregadias, depois do gelo fazer a sua aparição debaixo da neve, enfim, um percurso não muito complicado, mas que deixou claras as capacidades do sistema.

Depois foi hora de pegar no Ateca e fazer mais ou menos o mesmo, desta feita com várias subidas e descidas e destacando a utilidade do HDC, sistema de controlo de descida em declive. Funciona bem, mas não faz muita falta – pelo menos onde andamos – pois com a caixa DSG “presa” na primeira velocidade é mais que suficiente.

Arrumado os passeios (ainda gastamos duas horas neles…) foi tempo de soltar as crianças que todos temos dentro de nós.

Como referi, uma zona cheia de neve e gelo, um percurso e um SEAT Leon ST Cupra 300 DSG, uns com pneus de inverno e dois com pneus de pregos.

A melhor forma de descrever o que se passou a seguir leva-me a pensar num bailado. Bem coreografado. A primeira parte do slalom era simples e permitia que o carro bailasse de um lado para o outro, jogando com a inércia e a transferência de massas. Depois, chegávamos à parabólica e, aqui, uns faziam o correto e esperavam um pouco antes de abrir a goela ao motor, outros carregavam a fundo e após uma enorme e mais ou menos descontrolada derrapagem, escovavam toda a neve do piso. Depois eram os “S” o primeiro aberto, o segundo mais fechado, e uma vez mais jogando com a inércia e o movimento da massa, “sacávamos” uns belos “drift”.

Com os exageros próprios de miúdos de 10 anos (sim, que nesta altura os meus 50 anos ficaram em casa!), fomos, todos, desbastando a neve e, a determinada altura, a coisa ficou séria e fazer a parabólica um pesadelo. Aquilo que se fazia em 45748 segundos passou a ser feito em mais de um minuto, tal o tempo em que o sistema 4Drive do Leon Cupra gastava para conseguir uma nesga de aderência no gelo.

Claro que quem tinha pneus de pregos conseguia minimizar as perdas, mas tivemos que acabar com o espetáculo pois a pista tinha-se degradado para lá do razoável.

Voltámos, mais tarde, mas com outro traçado e com menos neve pelo que o gelo acabou por nós ganhar.

Enfim, foi um dia muito bem passado em que fiquei a conhecer, melhor, o sistema 4Drive da SEAT. Deve comprar um SEAT com 4Drive? Bom, os preços são convidativos, especialmente o Leon Cupra com 300 CV. Porém, não me parece que vivamos num país onde a tração integral seja muito necessária. Porém, sempre lhe digo que nos dias de chuva pode ser uma bela ajuda e para quem gosta de alguns passeios fora de estrada em estradões de terra, um Leon ST Xperience com motor diesel é capaz de ser uma bela ideia. Evita comprar um SUV assim a dar para o grande, fica com habitabilidade e mala suficientes, num corpo de carrinha elegante e que na gama Leon é, claramente, o melhor exercício de estilo.

 

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