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Primeiro ensaio: Renault Megane RS 280 EDC

Já sei qual é a primeira pergunta que vai fazer… é melhor que o Honda Civic Type R, o modelo que roubou o título de carro de tração dianteira mais rápido no Nurburgring, por mais de 10 segundos (embora com pneus que não são de série)? Terá de ler o ensaio todo, mas uma coisa é certa: este é, para já, o maior lançamento de 2018 já que falamos de um carro que foge ao politicamente correto que coloca motores de 1.0 litros em “banheiras” que nada andam ou criam sistemas que nos querem conduzir e controlar. Obrigado Renault!

[quote align=”right” color=”#999999″]Não posso deixar de elogiar o trabalho dos homens da Renault Sport, pois o carro é fantástico na maior parte do tempo, possui uma afinação de chassis fabulosa e, não tenho dúvidas, consegue fazer jogo igual com o Civic Type R neste particular. Ágil, perfeitamente equilibrado, não coloca demasiados problemas ao condutor com um comportamento fabuloso.[/quote]
Este é um carro muito especial! Não tenham dúvidas absolutamente nenhumas sobre isso! Existe há 15 anos, é um dos destaques da Renault Sport e nem o novo Alpine lhe encurtou a importância, tendo-se destacado ao longo deste tempo por algumas edições especiais que são icónicas. Além disso, este é o carro que permite à Renault Sport recuperar da “perda de bola” da divisão desportiva da marca francesa aquando do mais recente Clio RS.

Além de tudo isso, o Megane RS sempre foi um carro divertido e, durante algum tempo, manteve o título de carro de série com tração dianteira mais veloz no Nurburgring. Perdeu a coroa para o poderoso Honda Civic Type R cujos 320 CV e exuberância aerodinâmica lhe permitiram escovar, de forma impressionante, mais de 10 segundos ao tempo do Renault. Detalhe em favor do Megane RS: os pneus do Civic não eram, de todo, de série.

Já percebeu que o maior adversário do Renault Megane RS é o Honda Civic Type R (que o Automonitor já ensaiou e pode ler aqui tudo sobre o modelo japonês) num lago onde habitam perigosíssimos adversários como o Peugeot 308 GTI, VW Golf GTI, o Hyundai i30N, o Seat Leon Cupra R e os modelos de tração integral Mercedes A45 AMG e o Ford Focus RS. Como se percebe, um segmento em grande ebulição – numa altura em que anda tudo em pânico para salvar o mundo e os ursos polares – que em 2012 valia pouco mais de 25 mil unidades, o ano passado ultrapassou os 106 mil veículos. E depois todos queremos modelos ecológicos… Pois sim!

Veja quanto lhe pode custar este Renault Megane RS 280 EDC

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Novidades do Megane RS

A maior novidade é que pode escolher entre a caixa manual de seis velocidades ou a EDC de dupla embraiagem com seis marchas, ao contrário do que sucede com o Clio RS, sempre com a EDC. Pode, também, escolher entre o chassis Sport ou Cuo, sendo que o motor é sempre o mesmo 1.8 litros sobrealimentado com injeção direta a debitar 280 CV e 390 Nm de binário. Seja qual for a combinação que escolher em termos de caixa e de chassis.

Com o motor profundamente revisto, a Renault Sport conseguiu reduzir 11 % as emissões para 155 gr/km de CO2 (vá, amigos do ambiente, digam que é mau… digam!) e os consumos em 8% para um valor, reclamado pela Renault Sport, de 6,9 l/100 km. Uma vez mais, independentemente do que escolher em termos de configuração.

Outra coisa que é comum é o sistema 4Control, as quatro rodas direcionais. Com esta valência, a agilidade em curva melhora (as rodas traseiras até aos 60 km/h viram na mesma direção das rodas dianteiras até um máximo de 2,7 graus, acima disso passam a virar no sentido contrário até um máximo de um grau, sendo que no modo Race a velocidade sobe para os 100 km/h) e com a ajuda por PerfoHub – a mesma coisa do HiPerStrut da Opel ou o RevoKnuckle da Ford – que trata, separadamente, as funções de direção e de amortecimento/tração. Evita-se, assim, o fenómeno do binário na direção, algo sempre sensível nestes modelos com muita potência e acerto desportivo.

O chassis Sport tem um diferencial de controlo eletrónico, o Cup usa um diferencial autoblocante Torsen mecânico. De referir que a suspensão recebeu molas e amortecedores mais duros e limitadores de curso hidráulicos que melhoram a performance.

O carro tem vias mais largas, camber negativo nas rodas da frente para maior apoio da superfície dos pneus na estrada, e a carroçaria foi alargada 60 mm nos guarda lamas dianteiros e 45 mm nas ilhargas traseiras, ao mesmo tempo que o para choques traseiro foi redesenhado com um extrator mais eficaz e a saída de escape central. O Megane RS só existe na versão de cinco portas pois o coupé desapareceu.

Estilo sedutor

Com estas alterações e mais algumas novidades como a grelha dianteira, os faróis e os novos LED colocados na parte inferior do para choques dianteiro e a ladear a enorme entrada de ar dianteira, extratores de ar nos guarda lamas dianteiros e um pequeno spoiler no tejadilho, o Renault Megane RS é dos mais sedutores desportivos atuais. Ali taco a taco com o Ford Focus RS ou o Peugeot 308, mas longe do arrojado, complexo e esquizofrénico Civic Type R.

No interior, além dos bancos mais envolventes e dos pedais em alumínio, as diferenças são menores e no R-Link a Renault adicionou o RS Monitor que, agora, até lhe permite filmar as suas aventuras, colar-lhe a telemetria do carro e, com uma aplicação para isso e Android, pode partilhar imediatamente nas redes sociais. E como sistema guarda os dados, até pode se juntar a uma comunidade de clientes Renault Sport e comparar a sua performance através de um sítio de internet chamado RS Replay. O “gadget” perfeito para os narcisistas que agora podem discutir “eu sou melhor que tu” com dados na mão. Ou passar uma enorme vergonha, dependerá.

Desempenho fabuloso

A apresentação do Megane RS desenrolou-se em Jerez de La Frontera, mas antes de me deixarem ir queimar pneu para o circuito andaluz, andei umas horas nas belas estradas da zona. Primeiro destaque! O carro é bem mais confortável do que esperava. A razão para isso, refere a Renault Sport, é que a marca quer que as pessoas comprem um carro para uso quotidiano e não apenas para os “track day” e por isso mesmo esta tecnologia inovadora oriunda dos ralis, limitador pneumático. Que funciona como um tubo dentro de outro tubo que quando chega próximo do limite ajuda a dissipar a energia oferecendo um pouco mais de amortecimento. Porém, não é uma suspensão ativa, pois os amortecedores são passivos e não se alteram com os modos de condução.

Com tudo isto, o carro comporta-se muito bem – no chassis Sport – é confortável e lida perfeitamente com pisos mais degradados ou lombas. Isto sem perder nada em termos de comportamento, pois o eixo traseiro de torção não cria absolutamente problema nenhum. Em estrada é um regalo e os 280 CV são mais que suficientes, mesmo que lado a lado, o Civic Type R tenha um pouco mais de motor e binário, que ajuda a sair mais depressa das curvas, curvando-se, apenas face ao Ford Focus RS e o Golf R, mas estes têm tração integral e são de outra estirpe.

Seja como for, o Megane RS é um carro delicioso de conduzir em estrada, seguro e fácil, mesmo com a caixa EDC. Pode mexer no Multi Sense para escolher o melhor modo para a sua condução. Recomendo-lhe, vivamente, o modo Perso pois permite que possa configurar quase tudo e, assim, beneficiar de alguns parâmetros do modo Race, mas mantendo o escape com um som razoável e a vigilância eletrónica do ESP. Que no modo Sport é mais libertino. Os vários modos têm, efetivamente, diferenças e permite-lhe decidir se vai fazer a ligação entre Colares e Lisboa tranquilamente no modo Comfort ou atacar qual Jean Ragnotti no modo Race. Não recomendo, mas se tem confiança em si…

Seja como for, mesmo no modo Race, o equilíbrio do chassis é tão grande que temos de atacar forte para a traseira descolar. Quando isso acontece, o Megane RS avisa e alguma calma permite que uma bem doseada contra brecagem com aceleração na altura certa, resolvam facilmente o problema.

O Renault Megane RS é um carro veloz. Muito veloz, mesmo. Acreditem que as qualidades do motor e do chassis permite-lhe incomodar alguns superdesportivos numa estrada sinuosa. O binário muito bem distribuído ao longo de uma faixa de utilização ampla, permite que o carro seja impressionante em estradas sinuosas. É verdade que a direção poderia ser mais sensível, mas mesmo assim, a Renault fez um belo trabalho. Podiam era ter colocado um volante novo… mais pequeno. Contas feitas, o Megane RS com chassis Sport e caixa EDC é uma arma impressionante com um belíssimo comportamento e aquele “feeling” de desportivo de topo que não engana.

Veredicto

Este primeiro ensaio decorreu nas estradas em redor do circuito de Jerez de La Fronteira, ao volante do Megane RS com chassis Sport e caixa EDC. Depois, experimentei a versão com chassis Cup e caixa manual. Fica aqui o ensaio ao primeiro, amanhã pode ler tudo sobre o segundo. Depois de duas mãos cheias de quilómetros não posso deixar de elogiar o trabalho dos homens da Renault Sport, pois o carro é fantástico na maior parte do tempo, possui uma afinação de chassis fabulosa e, não tenho dúvidas, consegue fazer jogo igual com o Civic Type R neste particular. É verdade que tem alguns detalhes menos conseguidos e que a caixa EDC não tem capacidade para igualar a performance da unidade DSG da VW aplicada ao Golf GTI. Mas o Megane RS é melhor que o Golf, melhor que o Peugeot 308, Hyundai i30, sendo um carro ágil, perfeitamente equilibrado, que não coloca demasiados problemas ao condutor com o comportamento fabuloso. Melhor ou não que o Civic Type R? Quando o carro chegar a Portugal e fizer um ensaio comparativo logo veremos qual é o melhor, mas fica desde já a sensação que o Renault pode encurtar os dias de reinado do Honda. Pelo menos é essa a minha sensação. Lá para maio veremos se os franceses enganaram os japoneses…

FICHA TÉCNICA

Renault Megane RS 280 EDC

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo; Cilindrada (cm3) 1798; Diâmetro x curso (mm) 79,7 x 90,1; Taxa compressão nd; Potência máxima (cv/rpm) 280/6000; Binário máximo (Nm/rpm) 390/2400 – 4800; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa EDC de dupla embraiagem com 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; 4 rodas direcionais; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  3840/1735/1495; distância entre eixos 2450; largura de vias (fr/tr) 1530/1525; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg) 1430; Capacidade da bagageira (l) 265; Depósito de combustível (l) 37; Pneus (fr/tr) 235/40 R18; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 5,8; velocidade máxima (km/h) 250; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 6,0/8,4/6,9; emissões de CO2 (g/km) 155; Preço da versão ensaiada (Euros) 40.480

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