Notícias actualizadas ao minuto sobre o sector automóvel

Primeiro ensaio Dacia Duster dCi

Experimentei pela primeira vez o renovado Duster que promete maior refinamento que o anterior modelo ficando a dúvida: terá perdido o charme que fez dele um sucesso?

[quote align=”right” color=”#999999″]O novo Duster está mais confortável, mais moderno, mais refinado e mais bem equipado (mesmo que muitas coisas seja atiradas para o saco dos opcionais como o ar condicionado automático, as câmaras de visão 360, ou ainda a monitorização do ângulo morto) mas, praticamente, ao mesmo preço![/quote]
Sempre foi o modelo de maior sucesso da marca romena recuperada pela Renault para o, há nove anos, inédito mercado “low cost”, tendo como pilares o estilo musculado e, naturalmente, o “value for Money” expresso num preço baixo com equipamento generoso. E a verdade é que nestes últimos nove anos a Dacia vendeu mais de 5 milhões de unidades, das quais 1,2 milhões de Duster. Em Portugal, desde 2010, foram vendidas 7500 unidades do Duster. Responsabilidade acrescida para esta nova geração.

Na base não há alterações pois a plataforma é a mesma do anterior modelo. Naturalmente que as dimensões também não oscilam muito: mais 18 mm no comprimento, mais 25 mm na altura e menos 18 mm na largura. Já o estilo foi refrescado com uma frente alargada onde está uma nova grelha e para choques, residindo aqui uma das polémicas do Duster, a maior altura da frente que empurrou o carro para a Classe 2 das portagens. Isso atrasou a chegada ao mercado do Duster que foi alterado, na versão 4×2, para que fosse possível ficar abaixo dos 1,10 metros de altura ao eixo dianteiro. Como?

O apoio das molas dianteiras nos amortecedores dianteiros foi 20 mm rebaixado, o que permite ao Duster ficar abaixo da infame medida. Os modelos 4×4 são, sempre, Classe 2 porque não é possível aumentar até à insanidade o peso bruto. Não é estúpida esta regra das portagens?!!

Veja quanto é que lhe pode custar este Dacia Duster dCi

[xyz-ihs snippet=”Simulador Cetelem v2″]

Voltando ao estilo do Duster, a grelha em ninho de abelha, as luzes LED que formam uma assinatura luminosa, novas jantes de 17 polegadas, juntam-se a uma traseira que, perdendo a irreverência musculada, passou a adotar um desenho muito mais elegante. A lateral do carro manteve a ideia de estilo, mas estreitou um pouco a superfície vidrada e as barras de tejadilho estão melhor integradas.

A maior alteração, na minha opinião, reside no interior. Completamente diferente do anterior. E posso dize-lo com grande certeza pois regressei a casa ao volante de um Duster da geração anterior e… que diferença! O painel de instrumentos é muito mais agradável à vista, o tabliê tem um desenho mais bonito, o ecrã do sistema de navegação está situado mais acima numa zona de melhor visibilidade – no anterior tínhamos de tirar os olhos da estrada para ver o sistema de navegação –  e por baixo há uma fila de botões à imagem de um teclado de piano do mais belo efeito. Os comandos do sistema de climatização também são totalmente novos.

A qualidade evoluiu tanto na montagem como nos materiais, embora não tanto que possa dizer que estão num patamar de excelência. Mas há uma clara evolução que coloca o interior do Duster fora da esfera “low cost”. E se olharmos para carros como o VW T-Roc, por exemplo, o Dacia não faz má figura!

Outra novidade são os bancos, totalmente novos. Os do modelo antigo eram estreitos, esponjosos e com pouco apoio, os novos são mais amplos, melhor desenhados, com mais apoio e, sobretudo, mais confortáveis.

Porém, a enorme diferença do interior do Duster está na insonorização. A evolução é impressionante e, uma vez mais, a oportunidade que tive de fazer mais de 500 quilómetros com uma unidade do anterior modelo permite-me dizer “parabéns senhores da Dacia”. O resultado de mais material de insonorização, vidros mais grossos e mais algumas medidas tomadas pelos engenheiros da marca, anularam a maior crítica que se fazia ao Duster. Acreditem, as diferenças são verdadeiramente impressionantes!

Menos interessante é a perda de espaço atrás devido aos bancos maiores e a perda de capacidade na bagageira que passa de 475 para 445 litros (na versão 4×4 a redução é maior para os 411 litros). Rebatendo os bancos, a bagageira passa para os 1478 litros, uma redução de 158 litros. Ainda assim, o Dacia Duster tem uma bagageira maior que alguns rivais como o Opel Mokka X e o Mini Countryman, por exemplo.

Outra alteração reside na direção assistida com um sistema elétrico que vem tomar o lugar da unidade hidráulica menos precisa. E esta é uma mudança importante pois veio modificar a forma como o Duster é conduzido. Porque por incrível que pareça a direção exibe maior sensibilidade, é mais leve e permite que seja mais incisiva a colocação em curva. O carro é mais confortável de conduzir, mas não se entusiasme muito pois o Duster não é particularmente entusiasmante de conduzir, nem essa é a função deste Dacia. A suspensão é suave pelo que o carro é confortável.

Andar fora de estrada com a versão 4×4 é um regalo. Fui até uma pedreira de Vila Viçosa e desci ao centro da terra por uma estrada improvisada com enorme precipício do lado direito (a descer) e depois do lado esquerdo (a subir) com valente inclinação, onde o Duster 4×4 não hesitou nem se queixou. Já tinha experimentado o modelo numa espécie de pista 4×4 e já tinha ficado impressionado, pelo que posso dizer que quem gosta de andar fora de estrada, a sério, tem no Duster uma das formas mais baratas de o fazer. É classe 2 nas portagens, mas que se lixe esse detalhe!

Quanto a motorizações, o Duster é oferecido com um motor diesel com 110 CV e um bloco a gasolina com 125 CV, ambos com caixa manual de seis velocidades, iguais aos da geração anterior. A tração pode ser feita às rodas da frente ou às quatro rodas, sendo que o Duster 4×4 só está disponível a gasóleo. Neste primeiro ensaio usei o bloco turbodiesel, agora mais agradável de utilizar devido à melhor insonorização.

A Dacia comercializa o Duster com três níveis de equipamento (Essential, Comfort e Prestige) e, para já, três modelos: o dCi 110 4×2 e 4×4 e TCe 125 4×2. Os preços vão dos 14.900 euros (TCe 125 Essential) aos 23.900 euros (Duster dCi 110 4×4), passando pelos 21.400 euros do Duster dCi 110 Prestige ou os 18.400 do Duster TCe 125 Prestige ou, ainda, os 19.650 euros do Duster dCi 110 Comfort.

Veredicto

Pode parecer, mas a Dacia não reinventou o Duster. Apenas limou as arestas mais bicudas, melhorou o que precisava de ser alterado e anulou uma série de pontos menos positivos que sempre foram criticados. Por isso o novo Duster está mais confortável, mais moderno, mais refinado e mais bem equipado (mesmo que muitas coisas seja atiradas para o saco dos opcionais como o ar condicionado automático, as câmaras de visão 360, ou ainda a monitorização do ângulo morto) mas, praticamente, ao mesmo preço! Não, o carro não está mais barato, mas ajustando o preço ao equipamento oferecido, o Duster está, realmente, mais barato. E convenhamos que com as alterações feitas, menos de 22 mil euros por um SUV a gasóleo com o topo de equipamento é um negócio imbatível!!! Ainda por cima, antes de chegarem as medições WLTP, o Duster está económico e gasta menos de 6 litros de gasóleo por cada centena de quilómetros. Olhe que vale mesmo a pena olhara para o Duster se está à procura de um SUV. E se gosta de modelos 4×4, então que me diz de um SUV com amplas capacidades fora de estrada (30 graus de ângulo de entrada, 21 ventral e 34 de saída) por menos de 25 mil euros?!

FICHA TÉCNICA

Dacia Duster 1.5 dCi 110

Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3) 1461; Diâmetro x curso (mm) nd; Taxa compressão nd; Potência máxima (cv/rpm) 110/4000; Binário máximo (Nm/rpm) 260/1750; Transmissão e direcção Tração dianteira, caixa manual de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão (fr/tr) Independente tipo McPherson; eixo de torção; Dimensões e pesos (mm) Comp./largura/altura  4341/1804/1693; distância entre eixos 2674; largura de vias (fr/tr) 1563/1570; travões fr/tr. Discos vento./tambores; Peso (kg) 1205; Capacidade da bagageira (l) 445/1478; Depósito de combustível (l) 50; Pneus (fr/tr) 205/60 R17; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 11,8; velocidade máxima (km/h) 171; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,4/4,5/4,4 ; emissões de CO2 (g/km) 115; Preço da versão ensaiada (Euros) 21.400

OUTRAS NOTÍCIAS
Comentários
Loading...