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Ensaio VW Golf GTI: desportivo suave

Nasceu no século passado, estabeleceu a norma para os “desportivos de bolso”, foi muito maltratado e chegou a descer ao patamar de nível de equipamento. Foi recuperado, generalizado e na gama Golf é, hoje, um desportivo que nada tem a ver com o original, perdendo o lugar de topo para a versão R.

[quote align=”right” color=”#999999″]É brilhante no que toca ao chassis e às suspensões, evoca o espirito do original Golf GTI, sendo eficiente q.b. com enorme suavidade. Não é barato – então face ao Hyundai i30 N… – mas a qualidade paga-se.[/quote]
Tinha uma bola de Golf na alavanca da caixa e tecido tipo “tweed” nos forros dos bancos, mas mantinha jantes de aço e para os restantes Golf destacava-se pelas três letrinhas mágicas: GTI. Pequeno, ágil, leve e com mais de uma centena de cavalos – na época “wow”!!! – o Golf, curiosamente, nunca conheceu grande palmarés na competição. Mas em estrada, haviam poucos que lhe fizessem frente. O sucesso foi tal que a VW registou as três letrinhas – como mais tarde teve de fazer com o TDI o que deu origem as mais delirantes siglas para motores diesel – e a cada geração do Golf, lá vinha a versão GTI com melhorias no chassis, no motor, enfim, evoluindo na continuidade. A verdade é que tal como sucedeu com outros modelos de outros segmentos (por exemplo, os monovolumes) acabou ultrapassado por modelos de outras marcas que apanharam a veste do Golf e alcandoraram-se à liderança do segmento.

A Volkswagen foi-se aburguesando e acreditando, cada vez mais, nas motorizações diesel, renegando a versão desportiva que chegou a desaparecer para ressurgir como nível de equipamento. Felizmente que isso durou pouco e a VW voltou a recentrar-se e foi oferecendo versões GTI mais desportivas. Infelizmente, nunca regressaram aos anos 70 e 80 do século passado.

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Hoje, o Golf GTI está muito mais burguês e orientado para o conforto, mas esta última geração é de boa qualidade. Evoluindo na continuidade – chavão que se aplica perfeitamente ao Golf – a sétima geração do modelo mais vendido na Europa recebeu um estilo aprumado, novos motores e tecnologia inédita no segmento.

A parte burguesa do GTI é visível no avançado sistema de info entretenimento, condução semi autónoma graças aos sistemas de manutenção do carro dentro das linhas da faixa de rodagem e do regulador de velocidade adaptativo com radar, travagem de emergência autónoma.

O Golf, nas suas versões “normais”, não conheceu grandes alterações e, como habitualmente, o salto entre a sexta e a sétima geração acabou por não trazer nada de exageradamente revolucionário. Nesta versão GTI, as novidades estão lá todas com alguns retoques que operaram magia no desportivo da casa alemã que, refira-se, não é o pináculo da gama, pois acima do GTI, como já disse, está o Golf R já com tração integral e potência compatível com os rivais.

O anterior modelo tinha uma variante denominada “Performance Pack” que debitava 230 CV. Ou seja, por uma quantidade generosa de dinheiro, poderia ter mais 10 CV que o modelo de base, entre outras coisas. Esta moda dos pacotes de desempenho são uma bela forma de ganhar dinheiro, pois alguém que tem os meios e deseja ter um desportivo, hesitará em comprar o mais potente?! Então porque não oferecer logo o mais potente e só esse?! Pronto, o Golf GTI tem 230 CV. Tem direção assistida progressiva, suspensão equipada com o Dynamic Chassis Control (DCC) que exibe amortecedores adaptativos e reguláveis com os modos de condução diferentes, oferecido de série.

O interior do Golf GTI segue a tendência, ou seja, ida ao século passado para trazer debaixo do braço um tecido quadriculado a revestir os bancos que não sejam em pele e depois tudo aquilo que já referi, com destaque para o ecrã de 9,2 polegadas, com sistema de navegação e do painel de instrumentos totalmente virtual projetado num ecrã de 12,3 polegadas, também oferecido de série.

Como seria de esperar, a qualidade de construção e de materiais não merece reparos, a posição de condução é ótima, o espaço oferecido aceitável e a atenção ao detalhe é mais pronunciada neste carro desportivo. Podia era ser um bocadinho mais diferente de um Golf GTD. Acho eu…

A qualidade e linearidade de utilização dos recursos disponíveis sempre foi uma das forças do Golf GTI, pois este Volkswagen, em teoria, não tem argumentos para os rivais mais modernos como o Honda Civic Type R ou o Hyundai i30N. E o bloco de 2.0 litros TFSI oferece uma boa sensação empurrando o GTI para diante com decisão.

Depois o chassis continua a ser muito bom e com os amortecedores pilotados, o Golf GTI pede meças a qualquer rival. Que, para conseguirem comportamentos de excelência, endurecem as suspensões para aumentar as capacidades dinâmicas e conseguir colocar no chão a potência, o que não sucede com este Volkswagen, mais confortável numa afinação que tem vindo a ser desenvolvida há muito tempo.

Suficientemente rápido numa estrada sinuosa, o Golf GTI conta com a ajuda da caixa de dupla embraiagem que, mesmo com algumas hesitações, continua rápida e no modo Sport, deixa o motor chegar ao limite onde está toda a potência e binário antes de passar à mudança seguinte com alguma decisão.

Veredicto

Se é adepto de um desportivo que dá nas vistas, barulhento e absolutamente eficaz nos limites, exigindo alguns conhecimentos de condução para lá chegar, o Golf GTI não é para si. Caso queira um carro que o leva a passear na marginal com o mesmo à vontade com que sobe a Serra da Arrábida ou à Fóia no Algarve, o Golf GTI já deve fazer parte das suas opções de compra. É brilhante no que toca ao chassis e às suspensões, evoca o espirito do original Golf GTI, sendo eficiente q.b. com enorme suavidade. Não é barato – então face ao Hyundai i30 N… – mas a qualidade paga-se.

FICHA TÉCNICA

Volkswagen Golf GTI

Motor4 cilindros em linha, injeção direta, turbo; Cilindrada (cm3)1984; Diâmetro x curso (mm)nd; Taxa compressão10,0; Potência máxima (cv/rpm)230/4700 – 6200;Binário máximo (Nm/rpm)350/1500 – 4600; Transmissão e direcçãoTração dianteira, caixa de dupla embraiagem DSG de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão(fr/tr)Independente tipo McPherson; independente multibraços; Dimensões e pesos(mm)Comp./largura/altura 4362/1799/1482; distância entre eixos 2626; largura de vias (fr/tr) 1549/1521; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg)1311; Capacidade da bagageira (l)380/1270; Depósito de combustível (l)50; Pneus (fr/tr)225/35 R19; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 6,4; velocidade máxima (km/h) 248; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 5,4/8,2/6,4 (consumo real medido 8,3 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 148; Preço da versão ensaiada (Euros)50.569

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