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Sergio Marchionne: estado de saúde “irreversível”

Sergio Marchionne (à esquerda) e Mike Manley (à direita) o novo CEO do FCA Group

A Fiat Chrysler Automobiles e a Fiat, em Turim, continuam relutantes em oferecer mais detalhes sobre o estado de saúde do ex-CEO da FCA e da Ferrari, Sergio Marchionne. Operado a um ombro há cerca de três semanas, o estado de saúde do gestor italiano de 66 anos, que transformou, para o bem e para o mal, o grupo Fiat, deteriorou-se nos últimos dias para uma condição irreversível, segundo algumas fontes do gigante italiano. Um jornal italiano referiu que Marchionne está em condição muito severa e que os filhos, Allessio Giacomo e Jonathan Taylor, e a companheira, Manuela Battezzato, têm estado em permanência no hospital, em Zurique, onde o italiano está internado.

Por essa razão é que foi marcado uma reunião de urgência do conselho de administração da FCA e da Ferrari, tendo sido indicados os nomes de Mike Manley para CEO da FCA e Louis Carey Camilleri para o lugar de CEO da Ferrari, com John Elkann a tomar o lugar de presidente.

John Elkann, neto de Gianni Agnelli, escreveu uma carta a todos os elementos e funcionários do grupo, anunciando de forma emotiva, o fim da jornada de Sergio Merchionne à frente da FCA e da Ferrari.

“Caros colegas

Esta é, sem dúvida, a carta mais difícil que alguma vez tive de escrever.

É com grande pesar que tenho de vos dizer que o nosso CEO, Sergio Marchionne, que recentemente foi alvo de uma cirurgia, infelizmente encontrou complicações pós-operatórias que pioraram, bastante, nas últimas horas, e que impedem de forma irreversível o seu regresso à FCA.

Nos últimos 14 anos, prieiro na Fiat, depois na Chrysler e, finalmente, na FCA, Sergio foi o melhor CEO que alguém poderia desejar e para mim, pessoalmente, um verdadeiro mentor, parceiro e amigo próximo.

Conhecemo-nos num dos momentos mais negros da nossa companhia e foram o seu intelecto, a sua perseverança e a sua liderança que salvaram a Fiat. Conseguiu, igualmente, uma fantástica reviravolta na Chrysler e, através da sua coragem na procura da integração cultural das duas companhias, estabeleceu as fundações para um futuro mais seguro e brilhante que nos permitiu seguir em frente. Por aquilo que o Sergio conseguiu, tornando o impossível em possível, estaremos eternamente gratos.

Mas, como ele sempre dizia, ‘o verdadeiro valor de um líder não se mede apenas pelo que ele ganhou ao longo da sua carreira, mas mais por aquilo que ele deu. Não é importante o que conquistamos hoje, importante é o legado que deixamos atrás de nós.”

Desde o primeiro momento em que nos encontrámos, quando abordamos a possibilidade de ele tomar nas suas mãos os destinos da Fiat, o que realmente me impressionou, para lá da sua excecional e extraordinária capacidade profissional, foram as suas qualidades humanas. Vi essas qualidades nos seus olhos e na forma como lidava com os que o rodeavam.

Ensinou-nos a ter coragem para desafiar o ‘status quo’, para quebras com o convencional e ir além do testado e experimentado. Puxava por todos no sentido de aprendermos, crescermos e sermos os melhores – muitas vezes para lá dos nossos limites – começando, sempre, pela exigência máxima consigo próprio. O legado que deixa connosco fala por si e espelha o que realmente importava para ele: perseguir a excelência, a ideia que existe, sempre, algo melhor mais além.

As suas lições, o seu impulso de nunca aceitar o ‘status quo’, nunca estar satisfeito com o bom, procurando sempre o ótimo, tornou-se um lema para a nossa cultura dentro da FCA: procurar sem descanso ser melhor e nunca aceitar a mediocridade.

A definição do Sergio sobre a liderança está mais verdadeira do que nunca. O que realmente importa é o tipo de cultura que deixas para trás. A melhor forma de julgar um líder é através daquilo que a organização faz depois dele sair. Este é mais um exemplo do que era um verdadeiro e raro líder como Sergio Marchionne.

Começamos há alguns anos a trabalhar no plano de sucessão que iria assegurar continuidade para preservar a cultura única embebida na FCA.

Com esse plano já perfeitamente desenhado e estabelecido, vamos avançar com o processo e, já hoje (sábado, ndr) o conselho de administração nomeou Mike Manley como CEO da FCA.

O Mike tem sido um dos maiores contribuintes para o sucesso da FCA e possui um palmarés de sucessos impressionante. Sob a sua liderança, as marcas da Jeep passaram por uma profunda mudança e um nunca experimentado período de desenvolvimento, crescendo de algumas centenas de milhares de unidades vendidas por ano para cifras recordistas que ultrapassaram o milhão de veículos comercializados em cada um dos últimos quatro anos. Tornou-se, assim, não só uma das marcas com velocidade de crescimento no mundo como a mais rentável de todo o grupo.

O Mike assumiu lugares com responsabilidades acrescidas ao longo dos anos, acumulando imensa experiência de liderança em todas as regiões onde o grupo FCA opera, conseguindo, sempre, fantásticos resultados e sempre demonstrando determinação em colocar em prática a sua visão.

Estou seguro que todos vós ides fazer o vosso melhor para ajudar o Mike, para que possamos trabalhar com ele na equipa de liderança e executar o nosso plano 2018-2022 com o mesmo compromisso e integridade que já nos levou tão longe.

John Elkann”

Sergio Marchiane (á esquerda), John Elkann (à direita)
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