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SUV compactos VW: do Golf Country ao T-Roc

A Volkswagen pressentiu a loucura dos SUV e dos crossovers compactos há 27 anos. Este é o retrato do Golf Country, um carro cujo único defeito foi ter nascido antes do tempo.

Foto: VW

Agora parece fácil. Os SUV ou os Crossovers compactos são os carros da moda e há cada mais utilizadores rendidos ao seu apelo, convertidos àquele ar que é ao mesmo tempo um statement de estilo de vida, design e versatilidade. Mas, em 1990, o mercado e as capacidades dos fabricantes estavam a anos-luz destes conceitos inovadores. Um “jipe” era um “jipe”. E um “utilitário” não se misturava com um “familiar” ou – Deus nos livre! – com um “desportivo”. Até que apareceu um Golf “todo-o-terreno”…

A excêntrica aventura da Volkswagen começou como um teste no Salão de Genebra de 1989. A marca decidiu mostrar ali o concept-car Montana, uma versão todo-o-terreno com base no Golf II que se destacava pelo visual rústico, a elevada distância ao solo e um sistema de tração integral. E nada como colocar esta ideia em perspetiva: por esta altura, os SUV ou os Crossovers (veículos que fundem um ou mais conceitos na mesma carroçaria) pura e simplesmente não estavam no radar dos europeus. No Salão de Genebra de 1989, o Montana repartia o espaço de exposições da Palexpo com modelos tais como o Mercedes SL, o Alfa Romeo SZ de Zagato ou um protótipo muito final da terceira geração do Ford Fiesta.

Poucos meses depois, no Salão de Frankfurt, surgiria o Land Rover Discovery, a primeira resposta europeia aos “jipes” japoneses que começavam a fazer as delícias de alguns europeus mais endinheirados.

A própria Volkswagen andava bem ocupada com outros segmentos de mercado. A marca estava em plena afirmação da terceira geração do Passat, modelo que acabaria por transformar todo o mercado dos carros executivos, ao mesmo tempo que lançava um certo Polo GT Coupé, ainda sem sonhar que esta versão haveria de se tornar uma das coisas mais beau chic beau genre da sua história moderna…

Foto; VWFoto; VW

O protótipo Golf Montana não fez as manchetes da época. Para os media, aquela era uma nota secundária, mais um projeto mostrado num salão que é conhecido precisamente pela profusão de concepts, lado a lado com os devaneios dos gabinetes de design mais exclusivos.

Só que o mercado parecia querer contar outra história. Nos meses que se seguiram ao Salão de Genebra, os concessionários da Volkswagen, em especial os da Alemanha, começaram a receber variadas manifestações de interesse por parte de potenciais clientes. A notícia começou a chegar às chefias da marca e não se perdeu muito mais tempo: um ano depois, em 1990, era lançada a versão Golf Country.

Produção entre Wolfgsburg e Graz

A Volkswagen decidiu-se pela produção em pequena série o que, mesmo assim, não deixava de ser um esforço técnico e logístico assinalável. A base do Country era um normalíssimo Golf II Syncro (4×4), com motor 1.8 a gasolina de 98 cv, cujas unidades eram produzidas em Wolfsburg, sendo depois transportadas para Graz, na Áustria, onde recebiam o tratamento SUV nos especialistas da Steyr.

Esta transformação não se resumia a um mero fogo de vista: os Golf recebiam uma subestrutura que elevava a distância ao solo em nada menos de 120 mm, para um total de 180 mm (de fazer inveja a alguns “jipes” da atualidade, mas isso é outra história). A conversão incluía igualmente suspensões preparadas para o fora de estrada, uma “bull bar” bem robusta, proteção de carter e, claro, a “cereja no bolo”: a roda sobressalente colocada no portão traseiro.

Foto; VW

A Volkswagen produziu quase 8000 unidades (7735) do Golf Country, entre Abril de 1990 e Outubro de 1991. O mercado tinha-o recebido bem, mas a verdade é que os ditos “nichos de mercado” eram, no princípio dos anos 90, bem mais “nichos” do que hoje. Por outro lado, o patamar de evolução industrial não permitia ainda as escalas que hoje garantem rentabilidade a partir de volumes mais contidos.

O Golf Country terminou com o final da segunda geração do Golf, mas deixou no seu histórico algumas versões especiais que hoje fazem as delícias do mundo dos carros clássicos, como por exemplo a “Wolfsburg Edition”, dotada do motor dos GTI e com interiores de maior requinte e da qual foram produzidas apenas 50 unidades. Seja desta versão especial, seja de qualquer outra, quem tem hoje um Golf Country dificilmente se quer separar dele.

Euforia dos tempos modernos

Numa altura em que a Volkswagen se prepara para lançar o seu primeiro SUV Compacto, o modelo T-Roc, o mercado é hoje totalmente diferente. E muito mais recetivo ao conceito sonhado pelo Golf Country.

Foto: VW

Atualmente, na Europa, vendem-se mais SUV do que utilitários do segmento B e familiares do segmento C. O ano passado fechou com um crescimento de 21,4% nas vendas de SUV – para 3,9 milhões de unidades – representando agora 25,7% do total. Ou seja, os europeus estão a aderir massivamente. E onde é que tudo mais mexeu? Precisamente na categoria dos B-SUV, o do T-Roc, segmento que saltou das 126 000 unidades em 2009 para 1,4 milhões o ano passado. Ou seja, um sub-segmento a representar cerca de 10% de todo o mercado.

As previsões para o T-Roc são conhecidas e, de uma forma geral, todos os analistas convergem no sentido de o considerar um forte candidato a referência da sua classe, quer em vendas, quer na capacidade de marcar a tendência para os restantes lançamentos de outros construtores. No entanto, independentemente disso, o T-Roc não pode deixar de nos lembrar que é o resultado de uma visão que nasceu há três décadas, com o Country. Se pensarmos bem, é o filho de uma visão do automóvel que acompanha a Volkswagen desde o seu “dia zero”: o carro enquanto elemento de liberdade e de afirmação. Afinal, estamos a falar da marca que produziu ícones como o “Carocha” ou o “pão de forma”, carros que, cada um à sua maneira, são arquétipos históricos do estilo de vida associado às quatro rodas.

Foto: VW

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