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Museu Puch: marca com história esquecida

Os mais antigos lembram-se, certamente, das Puch, sejam bicicletas sejam as famosas MaxiPuch. O AUTOMONITOR teve a oportunidade de visitar, em Jadenburg, Áustria, um dos museus onde repousa a história da marca criada pelo industrial Johann Puch.

Nascido em 1862, Johann Puch trabalhou arduamente como vendedor dos veículos Humber, transformando-se em empresário quando começou a fabricar as bicicletas Styria numa pequena oficina localizada em Graz, na Áustria. Mas o desejo deste empreendedor austríaco era ter uma empresa com o seu nome e em 1890, Johann Puch fundou a Johann Puch & Comp., empregando 34 pessoas. A competição foi um dos modos de difundir a empresa e com uma bicicleta Styria Puch, Josef Fischer, venceu a primeira edição do Paris-Roubaix em 1896, hoje uma das clássicas velocipédicas do calendário mundial do ciclismo. Esta vitória deu a conhecer os produtos da Puch em toda a Europa, mas as coisas correriam mal e Johann Puch abandonou a sua empresa em 1897 em conflito com os seus sócios. Dois anos depois fundou a “Erste Stiermarkische Fahrradfabrick AG (traduzindo, a primeira fábrica stiria de bicicletas) em Graz.

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CRONOLOGIA

1953 – Puch lança as motos 125 e 175 SV

1954 – A MS50 é lançada

1957 – O Puch 500 (base do Fiat 500) é lançado

1958 – Começa a produção dos Steyer Puch Hallfinger (foram vendidas 16 657 unidades)

1966 – Sobieslaw Zasdada vence o Campeonato da Europa de Ralis com um Puch 650 TR II

1969 – A Maxi Puch é lançada e com 1,8 milhões de unidade produzidas foi o produto Puch mais bem-sucedido de sempre

1970 – Lançamento do Steyer Puch Pinzegauer. A produção durou até 1999 tendo sido produzidos 24 mil unidades

1973 – Começo da produção do Fiat 126, equipado com motor Puch

1975 – Harry Everts ganha o Campeonato do Mundo de Motocross (250 c.c.) aos comandos de uma Puch

1978 – A Puch regista um recorde de produção: mais de 270 mil motociclos e motos e 350 mil bicicletas

1979 – Uma “joint venture” com a Mercedes viu a Puch produzir, em Graz, o novo Mercedes G

1981 – Uma marca americana (a Speed Unlimited) criou e produziu uma bicicleta BMX chamada Puch Trak Pro

1983 – Uma joint venture com a Volkswagen faz a Puch produzir o motor para o VW Type 2, em Graz

1983 – Um acordo com a Fiat, leva a Puch a desenhar e construir toda a mecânica para a primeira geração do Panda 4×4 (o que na traseira contava com o símbolo da Puch)[/quote]

A inovação e a qualidade imediatamente popularizaram os produtos da nova empresa e rapidamente foi necessário expandir o negócio, com Johann Puch a começar, rapidamente, a interessar-se pelos motociclos e motos. Uma nova fábrica foi erigida a Sul de Graz, em Puntigam. Começaram a sair dali os primeiros motores em 1901 e três anos depois, já se produziam automóveis em Graz.

O primeiro foi o Puch Voiturette que começou a ser comercializado em 1906. O modelo bateu um recorde do mundo de velocidade em 1909 ao ser cronometrado a 130,4 km/h. Este recorde acabaria por dar a Johann Puch a possibilidade de fabricar automóveis para os Habsburg, família imperial austríaca, a partir do ano seguinte. Johann Puch abandonou a sua empresa em 1912, reformando-se e passando a presidente honorário, numa altura em que empregava 1100 trabalhadores e produzia 16 mil bicicletas e mais de 300 motociclos e automóveis por ano. A competição deu uma ajuda, quando o Puch 38 CV (um modelo com motor de 4 cilindros) venceu o “Osterreische Alpenfahrt”. O modelo passou a chamar-se 38 CV Type VIII Alpenwagen. Entretanto chegou a primeira guerra mundial e a Puch passou a ser um dos mais importantes fornecedores de veículos para o exército Austro-Hungaro.

O colapso do império Austro-Hungaro foi nefasto para a Puch que, depois da guerra parou com a produção automóvel, mesmo que o desenvolvimento do Puch Type XII Alpenwagen tivesse sido continuado.

Nesta altura, os problemas financeiros eram sérios e os bancos, muitos deles italianos, decidiram intervir e solicitaram à Fiat (Fabricca Italiana de Automobili Torino), em 1923, o envio de alguém que pudesse liquidar a fábrica de Graz da Puch. Giovanni Marcellino, dizem os registos, foi enviado para a Áustria. Mas ao invés de liquidar a empresa, instalou-se na cidade e decidiu desenhar e desenvolver o motor de dois tempos com uma única câmara de combustão. Um motor semelhante ao criado pela DKW, o famoso 4=8 (um V4 com o mesmo sistema de dois tempos e câmara de combustão única para cada dois cilindros) que mais tarde a marca alemã utilizou com enorme sucesso.

O engenheiro italiano inspirou-se nos motores industriais e para resolver alguns problemas de admissão, decidiu criar entradas assimétricas na câmara de combustão única de cada par de cilindros. Uma vez mais a competição deu uma ajuda e em 1931, a Puch ganhou o Grande Prémio da Alemanha com um carro equipado com este motor de dois tempos e câmara de combustão múltipla sobrealimentado com um compressor.

Apesar do relativo sucesso, a empresa fundiu-se com a Austro-Daimler em 1928, nascendo a Austro-Daimler-Puchwerke e em 1934 a Steyer-Werke AG juntou-se aquela e nascia o poderoso grupo Steyer-Daimler-Puch.

Tudo isto antes de chegar a segunda grande guerra e a Puch passar, como toda a indústria motorizada alemã, a produzir armas. A capacidade existente era limitada e por isso a empresa construiu nos arredores de Graz (em Thondorf) uma segunda fábrica em 1941.

E aqui surge uma das páginas menos felizes e negras da Puch, pois os registos dizem que a Steyr-Daimler-Puch foi uma das empresas que beneficiaram de trabalho escravo dos presos do campo de concentração de Mauthausen-Gusen, durante a II Guerra Mundial. Dizem os relatos que os escravos do campo, antes usados até á morte em pedreiras, começaram a ser enviados para fornecer mão de obra gratuita a 45 empresas que apoiavam o esforço de guerra dos nazis. E a Puch, segundo esses mesmos relatos, chegou a construir uma fábrica subterrânea em Gusen em 1943, utilizando mão de obra escrava.

Terminado o segundo grande conflito mundial, entre 1945 e 1947, as fábricas da Steyer-Daimler-Puch foram requisitadas pelo Exército Britânico, que utilizaram os trabalhadores que restavam e a capacidade instalada para reparar e manter os veículos do exercito britânico e americano. Foi em 1949 que a Fiat regressa à história da Puch e graças a um acordo assinado em Turim, passa a colaborar com a marca austríaca. Entre 1950 e meados dos anos 70, a produção de motos, motociclos e motorizadas além de bicicletas, aumentou bastante. E convirá lembrar que a Puch, embora dentro do grupo Steyer, produzia muita coisa sob o nome Puch, inclusive modelos Steyer Puch para outras empresas. A marca abandonou a competição em 1950 e o motor de dois tempos de câmara de combustão única “morreu” nos anos 70.

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O MUSEU

O Puch Museum Jadenburg foca-se na história e no trabalho de Johann Puch (nascido a 27/06/1862, morto em 19.07.1914) com destaque, natural, para os produtos de duas e quatro rodas. Está dividido em três temas: Johann Puch e a Puch; os quatro rodas da Puch e as duas rodas na Puch,

Quem visitar este museu encontra uma curta biografia do fundador da marca e o desenvolvimento posterior da Puch, desde os primeiros produtos até a este museu em Jadenburg.

Como pode ver nas fotos da galeria que acompanha esta visita ao Museu Puch de Jadenburg, pode ver modelos como o Halfinger e o Pinzgauer, motos absolutamente fantásticas e ainda todos os pormenores da marca austríaca hoje diluída em grupos maiores quer nas bicicletas quer na produção de motos e automóveis.

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Era o canto do cisne para a Puch, esmagada pela concorrência. Em 1987 uma enorme reestruturação levou ao final da produção de modelos de duas rodas em Graz, tendo a Piaggio percebido que o departamento técnico era muito melhor que o de marketing e vendas, optando por comprar a parte de motociclos da Puch em 1987. Até hoje ainda são produzidas bicicletas Puch que, hoje, faz parte da empresa Cycleurope. Numa primeira fase propriedade do grupo sueco Grimaldi Industrie (1997 quando a divisão de bicicletas da Piaggio foi vendida, incluindo este negócio com os suecos a Puch e a Bianchi), desde 2011 na posse do austríaco Josef Faber. A produção de veículos de quatro rodas ainda existe, mas apenas para produtos especiais com tração integral e produção de peças para modelos antigos da Puch como o famoso Pinzgauer.

A primeira fábrica da Puch foi fechada em 2000, mas declarada monumento histórico industrial protegido. Entretanto, a produção da Puch MaxiPlus foi vendida à Hero Motors quando a produção desta foi extinta na Áustria. Nascia, assim, a Hero Puch, motociclo com vendas gigantescas na India desde que foi colocada á venda em 1988 e foi descontinuada em 2003.

Textos José Manuel Costa

Fotos: José Bispo (www.jbphotopress.smugmug.com)

 

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