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Nissan prepara-se para despedir Carlos Ghosn (ATUALIZADO)

A Nissan estará a preparar a demissão de Carlos Ghosn por não declarar a totalidade do seu salário e utilizar recursos da empresa para usufruto pessoal, afirmou um porta-voz da Nissan citado pelo Automotive News.

Foto: DR

Ghosn terá mesmo sido preso esta segunda-feira por possíveis violações das leis financeiras do Japão (fraude fiscal), revela o site nipónico Yomiuri.

Hiroto Saikawa, CEO da Nissan de 65 anos, irá recomendar ao Conselho de Administração a demissão de Ghosn, afirmou Nicholas Maxfield, porta-voz da fabricante nipónica esta segunda-feira. A empresa também irá propor a demissão de Greg Kelly, membro do Conselho que subiu na hierarquia executiva como diretor de recursos humanos.

A Nissan está em crer que Ghosn, de 64 anos, declarou um salário inferior ao recebido ao longo de vários anos e que utilizou abusivamente recursos da empresa. E, de acordo com Maxfield, Greg Kelly estaria “profundamente envolvido” em todo o esquema. Sobre o sucessor, o porta-voz da Nissan escusou-se a avançar com qualquer nome.

A construtora automóvel revelou ainda que tem vindo a conduzir há já vários meses uma investigação interna a Ghosn e Kelly no seguimento de uma denúncia.

“A investigação mostrou que, ao longo de vários anos, Ghosn e Kelly relataram valores de compensação no relatório de valores imobiliários da Tokyo Stock Exchange que eram menores do que o valor real, a fim de reduzir a quantia divulgada da compensação de Carlos Ghosn”, pode ler-se em comunicado da empresa japonesa.

A Nissan avança ainda que descobriu vários outros “atos significativos de má conduta”, incluindo o uso pessoal de ativos da empresa, e que tem vindo a cooperar com as autoridades nipónicas: “A Nissan pede desculpas por causar grande preocupação aos acionistas. Continuaremos o nosso trabalho para identificar e debelar todos os problemas”.

Nascido no Brasil, descendente de libaneses e cidadão francês, Carlos Ghosn iniciou sua carreira na Michelin em França, seguindo depois para a Renault.

Juntou-se à Nissan em 1999, tendo sido escolhido para CEO em 2001, lugar que ocupou até ao ano passado. Em junho deste ano, os acionistas da Renault aprovaram a remuneração de Ghosn de 7,4 milhões de euros a serem distribuídos pelos resultados do último ano. Além disso, Carlos Ghosn terá lucrado 9,2 milhões de euros no seu último ano como presidente executivo da Nissan.

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