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Ghosn nega acusações e diz ter agido com aval da Nissan

Carlos Ghosn, o ainda presidente da Renault, declarou esta terça-feira ser inocente e que agiu com “a aprovação dos diretores da Nissan”, no seu primeiro depoimento em tribunal desde que foi detido, em novembro do ano passado, por fraude financeira.

Foto: Renault

Ghosn, de 64 anos, é acusado de ter escondido das autoridades tributárias valores milionários acordados com a Nissan desde 2011 e de violar a confiança da empresa ao tentar encobrir perdas financeiras pessoais. Ghosn está à espera de julgamento, mas esta audição num tribunal em Tóquio serviu para o executivo brasileiro ficar a par das acusações que sobre ele pendem.

Nas suas declarações, Ghosn afirmou ter sido acusado injustamente: “Fui acusado injustamente e detido injustamente com base em acusações sem fundamento. Ao contrário das acusações do Ministério Público, nunca recebi qualquer compensação da Nissan que não tenha sido divulgada, nem assinei qualquer contrato com a Nissan para receber uma quantia fixa que não não tenha sido revelada. (…) Eu só tenho amor e gratidão, do fundo do meu coração, à Nissan. Eu dediquei todos os meus esforços à Nissan e levei a cabo os meus deveres de forma justa, correta e legal”.

A juiza do Tribunal, Yuichi Tada, leu as acusações que impendem sobre Ghosn e declarou que o empresário permanecerá sob custódia por risco de fuga e por risco de ocultação de provas. “Há elementos suficientes para considerar que o suspeito pode incitar as pessoas envolvidas a encobrir as infrações”, declarou a juiza.

Nascido no Brasil, descendente de libaneses e cidadão francês, Carlos Ghosn iniciou sua carreira na Michelin em França, seguindo depois para a Renault.

Juntou-se à Nissan em 1999, tendo sido escolhido para CEO em 2001, lugar que ocupou até ao ano passado. Em junho deste ano, os acionistas da Renault aprovaram a remuneração de Ghosn de 7,4 milhões de euros a serem distribuídos pelos resultados do último ano. Além disso, Carlos Ghosn terá lucrado 9,2 milhões de euros no seu último ano como presidente executivo da Nissan.

Teorias de conspiração

Duas das filhas de Ghosn, entrevistadas pelo New York Times, questionaram se todo o processo não se deve a um truque da Nissan para evitar um possível projeto de fusão com a Renault.

A esposa de Greg Kelly, braço direito de Ghosn, preso no mesmo dia que ele e libertado no dia 25 de dezembro sob fiança, também denunciou uma “trama internacional, uma traição de alguns líderes da Nissan”.

Um cenário que a fabricante japonesa negou, afirmando que não tinha outra escolha que não denunciar quem um dia salvou a empresa.

Diante das acusações, a Renault optou por manter sua confiança em Carlos Ghosn, enquanto a Nissan e a Mitsubishi Motors se apressaram a demiti-lo da presidência do Conselho de Administração.

 

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