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Buggie love: Os loucos anos 60 na Califórnia

O que têm em comum o concept ID. Buggy da Volkswagen e os loucos buggies que nasceram nas praias da Califórnia nos anos 60? Muito mais do que se imagina…

A começar pela mensagem-chave: o carro é emoção e liberdade. E tanto faz ter uma plataforma elétrica ou um chassis de um “carocha”.

Sabe quem é Bruce Meyers? É provável que não. Mas temos a certeza que já viu o seu legado: os buggies, tal como os conhecemos ainda hoje. Este engenheiro surfista da Califórnia lembrou-se, depois de um dia de praia, que seria diversão garantida construir uma carroçaria aberta em fibra de vidro sobre um chassis e motor de Volkswagen “Carocha”. É isso mesmo: as melhores ideias são sempre as mais simples…

Passado meio século sobre a criação de Meyers, a Volkswagen – que nunca produziu buggies propriamente ditos – mostra que não esteve de olhos fechados ao fenómeno e retoma o conceito, desta vez com um statement claro quanto à própria marca: o futuro elétrico tem tanto de razão quanto de emoção. E tudo é possível, incluindo a base tecnológica ser partilhada por outros fabricantes. Tanta coisa num buggy!

Da praia a Hollywood

Como muitas coisas na história do automóvel – e como muitas das melhores ideias – o conceito do Buggy surgiu de forma quase fortuita. Corria o ano de 1963, quando Bruce Meyers, um jovem engenheiro com paixão pelo surf, passeava pela Pismo Beach, California, onde uma série de dune buggies evoluía pela areia em ritmo alucinante. Uma coisa era certa: aquilo era seguramente uma coisa divertida…

Na altura, os buggies de praia não eram mais do que estruturas tubulares, hand made ou com base em Jeep Willys, de preferência com grandes motorizações à americana. O que só aumentou o espanto de Meyers quando viu irromper entre aqueles mastodontes uma máquina estranhíssima, praticamente um chassis com dois bancos e motor traseiro, muito mais pequeno e também muito mais ágil: alguém se lembrara de “descascar” um “Carocha” e levá-lo para a praia!

A partir deste momento-chave, o engenheiro surfista, mas também especialista em fibra de vidro na construção de barcos de recreio, deu largas ao espírito criativo. Aquela ideia de um “Carocha” divertido versus “Mastodontes” americanos era realmente o caminho a seguir para brincar na areia. Fez muitos esboços e contruiu alguns protótipos, até que, em agosto de 1963, criou um modelo cuja inspiração se situava algures entre um Volkswagen Schwimmwagen e um carro de desenhos animados. Muito curto, com uma frente arredondada, para-lamas aberto e dimensões generosas, dispensava portas ou cobertura do motor. Sob esta aparência “fofinha”, Meyers preferiu inicialmente criar um chassis tubular específico, no qual montou elementos retirados do “Carocha”.

A primeira unidade de sempre ficou pronta em maio de 1964 e até já tinha a marca que perdura até aos dias de hoje: Meyers Manx. Era um carro único, só para diversão de Bruce Meyers, mas os resultados superaram as expetativas, tanto em desempenho quanto em popularidade. Assim que o levou para a praia para os primeiros ensaios, prendeu as atenções de quem o via e choviam as perguntas: “quanto custa?”; “onde posso comprar um”?

Meyers rapidamente percebeu que tinha ali qualquer coisa com potencial de negócio e decidiu lançar uma pequena série: vendeu 11 kits de carroçaria feitos a partir do molde original, sem incluir motor ou transmissão, mas foi mais longe na viabilização do negócio, que naquela fórmula seria deficitário… Criou um pacote completo, com recurso a chassis encurtados do “Carocha”, incluindo o grupo motopropulsor, tornando o preço de todo o conjunto bem mais competitivo. A partir daqui tudo andou mais depressa que um buggy a galgar as dunas e a América começou a ser inundada com milhares de kits produzidos na nova fábrica Meyers Manx de Costa Mesa, nos arredores de Long Beach, Califórnia.

A popularidade dos buggies tornou-se imediata – incluindo em eventos desportivos – e chegou a Hollywood.  Steve McQueen impressionou Faye Dunaway numa cena da versão original de “The Thomas Crown Affair” (1968) e até Elvis Presley guiou um, amarelo e vistoso, como lhe competia.

Bruce Meyers produziu os seus buggies originais até 1971 altura em que as normas rodoviárias californianas tornaram o modelo incompatível. Mesmo assim, entre 1964 e 1971, saíram da fábrica cerca de 5200 unidades, um número pequeno se compararmos com o que de facto significou para todo o mundo automóvel: é que Bruce não criou um modelo, mas sim um conceito. E, um pouco por todo globo, os buggies com base “Carocha” e desenho aproximado ao de Meyers multiplicaram-se como ondas numa maré viva.

A nova vida

A Volkswagen nunca teve uma ligação direta aos buggies, mas, como seria de esperar, também não esteve de olhos fechados ao fenómeno. Em Março passado, no Salão de Genebra, utilizou o conceito para demonstrar a versatilidade sem fim da mobilidade elétrica e, mais exatamente, da plataforma MEB, a base técnica da família de modelos elétricos ID., cujo lançamento ocorrerá mais para o final do ano.

Chama-se ID. Buggy e é, pelo menos para já, um concept-car… de um buggy elétrico. O conceito é baseado nos antecessores históricos, na altura contruídos sobre o chassis do “Carocha”. Agora, é a MEB que passa a mesma mensagem e uma outra muito importante: estamos perante uma base que permite rentabilizar projetos de nicho.

Quando apresentou o ID. Buggy em Genebra, a Volkswagen deu largas aos paralelos: “Todos os buggies de praia da época apresentavam um alto grau de variabilidade modular – baseado no chassis do lendário ‘Carocha’, com um motor boxer de quatro cilindros na traseira. Os fabricantes de pequenas séries criaram carroçarias feitas de plástico reforçado com fibra de vidro (GFRP) sobre o chassis e o motor do ‘Carocha’, escrevendo assim uma página da história do automóvel. O ID Buggy liga esse conceito de culto com as possibilidades técnicas da era moderna. A base agora é o chassis progressivo do MEB, com uma bateria de alta-voltagem integrada no piso.”

Ralf Brandstätter, COE da marca Volkswagen, explica ainda melhor: “O ID. Buggy demonstra o amplo espectro de mobilidade livre de emissões que pode ser alcançado com a MEB dentro da marca Volkswagen. Mas queremos abrir a plataforma para outros fornecedores”.

E aqui está outra mensagem fundamental do ID Buggy: a MEB enquanto recurso disponível para outros fabricantes…

Ao mesmo tempo, o ID. Buggy é também uma demonstração das inúmeras possibilidades da MEB dentro da Volkswagen: para além do ID, modelo base do segmento dos familiares médios que será apresentado já este ano, a gama ID já conta com as propostas Buzz (um “pão de forma” dos tempos modernos), Crozz (SUV) e Vizzion (grande berlina), pelo que o Buggy é o quinto concept a nascer a partir da MEB.

Alguém disse que os carros elétricos são aborrecidos?

(fonte newsroom siva)

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