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A paixão pelos superminis

Não há como iludir a questão: a Audi sempre teve um “fraquinho” pelos superminis de luxo. De certa forma, foi esta a marca que criou o conceito na Europa, nos anos 70. O modelo A1 é a soma de todas as lições do passado.

Olha-se para a nova geração do Audi A1 e tudo parece no lugar certo. As dimensões, a reinterpretação compacta da linguagem de design da marca, a enorme profusão de dotações de equipamento e, claro, a tecnologia a bordo, fazem deste modelo um “supermini” puro, muito ao gosto europeu do momento.

Mas o Audi A1 é mais do que fenómeno passageiro: ele é o resultado da persistência de uma marca que sempre soube haver aqui uma fórmula de sucesso. O Audi 50, de 1974, é um exemplo desta certeza. Foi perfeito em tudo, menos numa coisa: nasceu antes do seu tempo.

Falar agora é fácil. Em pleno século XXI, os “superminis” são um dado adquirido, uma classe de carros com lugar cativo nas preferências das gerações mais hype. E quanto mais premium melhor.

Mas nem sempre foi assim

A história desta paixão quase obstinada da Audi começa, verdadeiramente, em 1974. Numa altura em que uma das piores crises petrolíferas de que há memória esmagava a indústria automóvel, a marca dos quatro anéis, a mesma que tem na sua linhagem os grandes Auto Union ou os opulentos Horch, teve a audácia de lançar o 50. Era toda uma proposta inédita para a altura: em pouco mais de três metros de carro, havia lugar para todo o requinte dos modelos superiores, desde as inserções de madeira no tablier às luzes de leitura.

E vamos colocar tudo isto em perspetiva para se perceber o salto louco da Audi: nesta classe dos 3,5 metros, o consumidor europeu podia contar com pouco mais do que os novíssimos Fiat 127, Renault 5, um Peugeot 104 ou, para os mais endinheirados, um “aspiracional” Honda Civic. Não havia rigorosamente nada que correspondesse a um “supermini”, muito menos a um “supermini premium”.

O Audi 50 chegou, por isso, como uma proposta totalmente inédita. Enquanto a marca Volkswagen se ocupava com o lançamento do primeiro Golf da história – cuja estreia aconteceu também em 1974 –  a Audi introduzia um novo olhar sobre os utilitários: a ideia era simples e passava por introduzir requinte, design e qualidade de construção sem compromissos. E com uma arquitetura “à la Golf”, ou seja, motores totalmente novos, de montagem dianteira transversal e refrigerados a água, carroçaria hatchback de três portas e várias escolhas em níveis de equipamento.

O primeiro “supermini premium” da história apresentou-se, assim, com algumas características surpreendentes para o segmento, para além, naturalmente, das quatro argolas numa carroçaria com menos de 4 metros – e o 50 é, de resto, o Audi mais pequeno da história. A marca realizou uma apresentação aos media europeus na Sardenha (ver vídeo) e a recetividade foi a esperada perante uma proposta tão inédita.

Veja o vídeo AQUI

Estávamos perante um Hatchback de linhas angulosas e sóbrias e que se destacava pelo cuidado nos acabamentos e pela qualidade de materiais claramente acima da média para a sua classe na altura. No interior, a Audi não olhou a meios para afirmar a sua convicção e foi assim que a lista de equipamento contemplou dotações invulgares ou inéditas no segmento, tais como o friso de madeira ao longo de todo o tablier, revestimento integral nos painéis e no piso, espelho de cortesia na pala de sol do passageiro, luzes de leitura, relógio eletrónico, indicador de temperatura ambiente e ainda, na versões mais caras, um limpa-vidros traseiro. Enfim, um mundo de luxo.

Lançado em duas versões distintas, LS e GL, o Audi 50 adotava um motor de 1093 cc, com 50 cv (LS) e 60 cv (GL), o que lhe garantia uma performance mais do que interessante, atendendo aos seus cerca de 700 kg de peso.

Fabricado em Wolfsburg, cidade-sede da Volkswagen, o Audi 50 acabaria por ser alvo de uma inovadora política de grupo. A marca Volkswagen viu neste modelo uma oportunidade para complementar, na base da gama, o recém-lançado Golf e a decisão ficou tomada: o Audi 50 e o Polo seria produzidos em paralelo, cabendo ao Audi as versões mais luxuosas e ao “gémeo” da Volkswagen as mais simples.

Mostrado pela primeira vez no Salão de Genebra em 1975, o Polo demonstrou ser o “nemesis” do 50, já que atraiu todas as atenções exatamente pela simplicidade, exatamente o oposto da disrupção do Audi. Era, também ele, o Volkswagen mais pequeno de sempre, com 3,5 metros, e a versão N, de base de gama, foi vista pelos media da altura como um substituto eficaz dos “carocha”. O que não era para menos: o Polo N oferecia a motorização de 900 cc e 40 cv (com o “ar” manual, em vez do automático do Audi 50).

Quando iniciou o projeto do 50, no começo da década de 70, a Audi tinha contemplado uma versão coupé, de caráter mais desportivo, mas a crise petrolífera fez abortar a ideia ainda antes da gama ser lançada. E, com isso, desapareceu um nova forma de diferenciação face ao mercado e – porque não dizê-lo – face ao Polo. Um coupé desportivo do segmento B? Outro conceito que é tão familiar nos dias de hoje.

A verdade é que, nos anos 70, a Audi fervilhava de ideias, naquela que é considerada pelos historiadores da indústria automóvel como uma das recuperações mais notáveis do setor. Em 1972, a gama de pequenos sedans 60/72/80/Super 90  foi substituída pelo novo 80, cujo design marcante, a nova arquitetura de suspensões, os motores de ultima geração e os materiais de elevada qualidade lhe valeram o título de Carro do Ano na Europa e, acima de tudo, estabeleceram a fasquia premium daquilo que seria a Audi até aos dias de hoje. Aliás, quatro anos depois, surge outro ícone fundamental para a casa de Ingolstadt: a nova geração Audi 100. Em 1977, o 100 já havia registado 1 milhão de vendas – e o resto é história… ou talvez não, porque falta o epílogo do Audi 50.

Fosse porque a gestão da Audi na altura considerou prioritário o desenvolvimento e o foco nos modelos maiores, os tais 80 e 100, ou fosse pura e simplesmente porque o mercado não estava preparado para os “compactos de luxo”, o Audi 50 durou apenas até 1978, vendendo pouco mais de 180 mil unidades.

O conceito, reconhece-se hoje, foi demasiado avançado para o seu tempo. Mas, tal como todos os projetos visionários, deixou marca na história. E o cunho único e irrepetível do Audi 50 foi exatamente o de ter criado um conceito que hoje conquista milhões de vendas em toda a Europa.

(NewsroomSIVA)

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