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Audi RS2 e Mercedes 500E: bastardos de Weissach

Nenhum deles ostenta nomes que os liguem à Porsche, mas tanto o Audi RS2 como o Mercedes 500E foram feitos pelos engenheiros de Weissach e nas veias corre o ADN da Porsche.

Era uma vez o complexo industrial Porsche, situado num subúrbio nordeste de Estugarda. Foi ali que nasceu o Porsche 959, um carro à frente do seu tempo e hoje alvo da cobiça dos colecionadores. Foi o Santo Graal do automóvel que nasceu das entranhas de Weissach.

As poucas unidades produzidas deste espantoso automóvel equipado com o famoso “boxer” de seis cilindros e dupla sobrealimentação, saíram daqueles portões, onde passaram, também, alguns filhos bastardos que nunca exibiram o nome paterno. Estes são dois filhos da Porsche que se perderam na bruma do tempo e que poucos hoje sabem que foram feitos em Weissach e não em Ingolstadt (Audi) ou Sindelfingen (Mercedes).

Audi RS2: 1994 – 1995

Quando nos anos 90 se procurava uma carrinha com boa capacidade de carga, a opção por um Audi era imediata, mesmo que os modelos tivessem motores modestamente potentes, um comportamento insípido e um estilo cinzento e monocórdico. Não oferecia um estatuto por ai além, mas também ninguém ficou preocupado com isso e no clube dos clássicos são carros sem expressão.

Depois da época do Quattro, que levou a Audi ao olimpo dos ralis e da corridas norte americanas, a marca alemã precisava de algo diferente para impulsionar as suas vendas. E nada melhor que pegar numa carrinha 80, insípida e modesta, colocar-lhe uma cor elétrica e um coletor de admissão a dizer “Porsche” para fazer hiperventilar qualquer amante do automóvel.

O RS2 estava baseado na carrinha 80 B4, o mesmo chassis do VW Passat, sendo como que um cruzamento de raças, com a tração integral Quattro da Audi, o motor cinco cilindros em linha que foi do Audi Quattro e a contribuição da Porsche para a mecânica. Os homens de Weissach adicionou um turbo KKK enorme, alterou os veios de excêntricos e os tempos de abertura das válvulas, elevou a pressão do turbo para 20 bar, mudou os injetores e a ECU para corresponder ao aumento de potência.

Depois, por fora, colocou alguns detalhes que ligam o RS2 à Porsche como as jantes igualzinhas e com os mesmos pneus do Porsche 911 Turbo, os espelhos retrovisores exteriores do 911, os travões do 968 Club Sport e os indicadores de mudança de direção do 911. O motor turbo tinha assinatura Porsche da época: abaixo das 3000 rpm não havia absolutamente nada, a partir das 3500 rpm algum frenesim e só a partir das 4000 rpm, o RS2 dava um alto em frente e disparava veloz.

Não havia no RS2 ajudas à condução, apenas a tração integral e o desafio ás leis da física por parte do condutor. A caixa era uma unidade manual de seis velocidades e arrancar com o Audi RS2 não era tarefa fácil. Depois de conseguir que o cinco cilindros se entendesse com a embraiagem, podia explorar os 315 CV e os 4,8 segundos dos 0-100 km/h. O Audi RS2 ficará para sempre imortalizado pois no arranque 0-50 km/h, consegue 1,5 segundos o que era mais rápido que o McLaren F1. Toma!

 

Mercedes 500E: 1990 – 1995

O W124 será, porventura, o modelo mais famoso da Classe E da Mercedes e um dos mais interessantes carros feitos pela casa de Estugarda. Longilíneo, parecia mais pequeno do que na realidade é e era feito à prova de bala! Qualidade e fiabilidade saiam por todos os poros, mas estava longe de ser olhado como uma berlina desportiva. Até que a Porsche lhe colocou as mãos em cima.

Quando a Porsche terminou os 959 em 1989, a linha de produção ficou vazia e como nessa altura a saúde financeira da casa de Weissach não era das melhores, ter uma linha de montagem parada era penoso e muito penalizador. Além disso, os 911 não se vendiam e a Porsche estava com dificuldades em escoar a sua produção. No lado das Mercedes, viva-se exatamente o oposto, ou seja, um período de vivacidade, muito trabalho e o departamento de pesquisa e desenvolvimento muito prolixo e empenhado. Mas os recursos e o tempo não permitiam levar tudo do papel para a realidade.

Foi ai que os entediados homens da Porsche olharam com atenção para a azafama da Mercedes e nasceu, ali, uma aliança improvável.

A Mercedes indicou quais os objetivos e aquilo que queria para o 500E, mas foi a Porsche que o fez especial. Os modelos W124 que iriam nascer 500E, saiam de Sindelfingen e iam até à “Rossle Bau” a fábrica da Porsche em Zuffenhausen onde foram feitos os 959.

Ali chegados, eram massajados, ganhavam músculo nas cavas das rodas para que fosse possível encontrar espaço para as largas jantes de 16 polegadas, e recebiam um V8, além de reforços nas suspensões e demais elementos dinâmicos. Arrumada a artilharia e acabado o treino físico de alargamento, os W124 500E regressavam a Sindelfingen para pintura e acabamentos. De seguida regressavam a Zuffenhausen para a montagem final.

Depois e andar para lá e para cá durante 18 dias, o 500E nascia e assumia a paternidade Mercedes, mas com ideias desportivas graças aos 326 CV extraídos do V8 atmosférico. Não perdendo aquele ar aristocrático de sempre, o W124 500E recebia uns bancos Recaro e atrás a mesma receita, com dois lugares individualizados. E, também eles, feitos pela Recaro.

Com uma caixa automática de 4 velocidades e muita madeira e couro espalhados pelo habitáculo, o 500 E parecia tudo menos uma berlina desportiva. E a verdade é que apesar de cumprir o exercício dos 0-100 km/h em seis segundos, as suas dimensões, chassis e peso, nunca lhe permitiram ser um dançarino. Não era um velocista por ai além, mas a verdade é que o V8, as cavas das rodas alargadas e o rebaixamento da carroçaria, lhe dava um charme inigualável. Delimitado, o 500 E conseguia chegar aos 270 km/h e nas “autobahn” alemãs sentia-se como peixe na água.

Foram feitas apenas 10.479 unidades, dos quais 1528 foram parar aos Estados Unidos onde recebiam novos faróis e para choques para lidar com as regras norte americanas. Depois de fechada a produção, a Mercedes ainda produziu 120 carros para pedidos especiais de clientes. O Mercedes 500E ficou conhecido dentro da Porsche como Type 2758…

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