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Ensaio: Alpine A110 Légende – Reviver o passado

O Alpine está de volta ao mercado, numa versão moderna e atualizada, mas que continua a apostar na redução de peso para obter o máximo de eficácia.

Por: André Mendes
(texto e imagens)

A moda das submarcas tem conseguido que o mundo automóvel ainda mantenha alguns momentos de paixão, em vez de nos continuar a mostrar novas opções focadas apenas na racionalidade e no lucro. Atualmente, há diversas marcas a explorar o seu legado em busca de um modelo mais icónico e de algo mais histórico, com o objetivo de ter a desculpa perfeita para criar algo mais emocionante. Algo como o novo Alpine A110.

O novo modelo do grupo da Renault é, para já, o único representante da submarca Alpine. Conta com a mesma designação do seu antecessor e abre a porta para um novo leque de potenciais clientes que queriam algo mais do construtor francês. E agora, é o momento em que somos nós a ter a oportunidade de nos sentarmos ao volante e tentar perceber o que está por baixo daquela carroçaria pintada de azul escuro que nos deixa um pouco hipnotizados com a maioria das suas linhas.

A primeira impressão é de que o Alpine A110 é bastante pequeno, quase ao nível de alguns desportivos nipónicos que recordamos facilmente. A tração é feita às rodas traseiras e o motor está escondido atrás dos dois assentos disponíveis no habitáculo. No que diz respeito ao desenho, há muitos traços que o ligam ao A110 original, mas com um toque mais moderno, sendo as óticas dianteiras em led o melhor exemplo do que estamos a falar.

A maior novidade, no entanto, é o facto de se tratar da versão Légende, uma das duas mais recentes a chegar ao mercado e que é a responsável por transformar o A110 num modelo mais convidativo de se usar no seu dia-a-dia, com um habitáculo mais refinado e até luxuoso. Pelo exterior, esta versão distingue-se apenas pelas jantes de liga leve de 18 polegadas, uma vez que tudo o resto é idêntico à primeira versão que recebemos no mercado.

No habitáculo tudo parece estar pensado para proporcionar a melhor experiência de condução possível. Esqueça o espaço para a família, para bagagens ou mesmo para pequenos objetos. O Alpine A110 foi criado para ser conduzido. E nesta versão Légende, tanto os painéis das portas como o topo do tablier e diversos outros elementos estão forrados em pele castanha, que contrasta na perfeição com o azul da carroçaria. Além disso, nesta versão ainda podemos contar com assentos desportivos mais leves com a assinatura da Sabelt e com regulações em seis vias, bem como com diversas aplicações em fibra de carbono no habitáculo, que o deixam ainda mais cativante.

Apesar de tudo parecer muito pequeno desde o primeiro momento em que olhamos para o A110 – a altura é de apenas 1,25 metros – a verdade, é que depois de nos sentarmos ao volante tudo parece fazer sentido. Temos a desvantagem de não haver um único espaço prático para segurar a carteira e o telefone, por exemplo, e para os pequenos objetos, está apenas disponível um compartimento vertical, arrumado entre as costas dos dois assentos e um outro, sob a consola central, onde também podemos carregar o telefone sem fios. E se houver bagagem a transportar, estão disponíveis dois porta-bagagens, um atrás e outro na frente, onde cabem algumas mochilas e outros objetos que são quase impossíveis de transportar a bordo. Apesar disto, o espaço disponível é mais amplo do que poderíamos prever, a posição de condução é muito boa e tudo parece pensado para oferecer a melhor experiência de condução possível. E tudo isto, mesmo antes de ligarmos o motor de 1,8 litros. É que a partir desse momento, a palavra “parece” pode desaparecer desta linha de raciocínio.

O motor de 1,8 litros é o mesmo que já conhecemos do Mégane R.S., mas numa versão com “apenas” 252 cavalos de potência. No papel parece um valor bastante inferior, não apenas pelo número em si, mas se pensarmos que este Alpine pesa pouco mais de uma tonelada, é fácil prever que estes 252 cavalos vão parecer muito mais. E de facto, assim que arrancamos, notamos de imediato uma agilidade diferente daquela a que estamos habituados na maioria dos desportivos do momento. A aposta num peso mais reduzido continua a ser um trunfo excelente para quando queremos o máximo de agilidade e desempenho, sendo que é cada vez mais complicada de obter.

A Alpine conseguiu que o peso do seu A110 ficasse ligeiramente acima dos 1.100 quilos e isso com que os números deste pequeno desportivo de cor azul ganhem ainda mais notoriedade numa estrada retorcida. Com a ajuda da caixa de velocidades automática com comandos no volante, a capacidade de aceleração convida a um tom mais desportivo, os travões respondem como desejado e a direção é suficientemente precisa para que passemos a gostar de brincar com a repartição de pesos deste modelo de motor central e com uma agilidade ímpar. E isto, sempre com a presença de uma sonoridade muito cativante do sistema de escape que ainda nos alicia a mais “empenho” numa estrada mais secundária e exigente. Os modos de condução disponíveis variam entre o normal, o Sport e o Race, sendo que este último inclui um visual específico para o painel de instrumentos totalmente digital e que dá mais destaque ao conta-rotações. É também neste modo que o som do motor fica ainda mais agressivo, as passagens de caixa mais rápidas e o motor ganha ainda mais “alma”.

E como se trata de um modelo que nos liga ao passado, nada como rumar à Rampa da Pena, em Sintra, ou à Rampa da Arrábida, revivendo alguns dos momentos que fizeram com que a Alpine se tivesse tornado numa marca tão carismática no mundo da competição. Mas agora, podemos contar com a ajuda de um sistema de telemetria em tempo real, que nos mostra as forças G em curva, a potência do motor em utilização ou a percentagem de travagem, mas também um cronómetro com tempos por volta, caso tenha a oportunidade de visitar um circuito. E se, mais tarde, quiser mostrar aos amigos tudo o que fez, basta armazenar toda a informação por USB.

Ver nascer um modelo com diversas características que o ligam ao passado da marca, tornou-se numa das coisas mais aliciantes para quem gosta de automóveis. É claro que toda esta exclusividade tem um preço e este A110 Légende ainda custa quase 68 mil euros. Ainda não é muito fácil conseguir um, uma vez que a sua produção está longe de contar com os mesmos números da Renault e os pontos de venda disponíveis ainda se resumem ao concessionário da marca em Lisboa.

O novo Alpine A110 tem rivais como o Audi TT ou o Porsche Cayman, ainda que sejam modelos com caraterísticas e preços um pouco diferentes. Em comum têm a missão de querer proporcionar o máximo de prazer a quem vai ao volante e está farto dos carros convencionais para o seu dia-a-dia. E nesse ponto, o A110 é perfeito. Se mesmo assim não tiver ficado convencido com os 225 cavalos de potência, a marca já anunciou uma versão um pouco mais radical para o final deste ano. Trata-se do Alpine A110S e vai contar com a mesma motorização de 1,8 litros, mas com 292 cavalos de potência e um diferencial traseiro ainda mais elaborado.

VEREDICTO

O Alpine 110 Légende inclui um ambiente a bordo mais refinado e com um toque mais premium, sem deixar de nos remeter para o momento em que a Alpine era uma das marcas mais faladas do momento. Com o novo modelo, a essência da condução mantem-se, sendo apenas necessários uns minutos ao volante para querermos conduzir este A110 durante muito mais tempo e em todas as nossas estradas preferidas.

FICHA TÉCNICA
Alpine A110 Légende

MOTOR: 4 cilindros em linha; injeção direta com turbo; Cilindrada (cm3): 1.798; Potência máxima (cv/rpm): 252/6.000; Binário máximo (Nm/rpm): 320/2.000; TRANSMISSÃO: Tração traseira; Caixa automática de dupla embraiagem com sete relações; Suspensão (fr./tr.): Independente, triângulos sobrepostos; Independente, triângulos sobrepostos; DIMENSÕES: Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.180/1.798/1.252; Distância entre eixos (mm): 2.420; Largura de vias (fr./tr.) (mm): 1.556/1.553; Travões (fr./tr.) Discos ventilados/Discos; Peso (kg): 1.103; Capacidade da bagageira (l): 100+96; Depósito de combustível (l): 45; Pneus (fr./tr.): 205/40 ZR18 / 235/40 ZR18; PRESTAÇÕES: Aceleração de 0-100 km/h (s) 4,5; velocidade máxima (km/h) 250; CONSUMOS: Urbano/Extraurbano/Combinado (l/100 km): n.d./n.d./6,1; Emissões de CO2 (g/km) 138;

PREÇO (versão base): 64.900 euros (A110 Pure)
PREÇO (unidade ensaiada): 67.900 euros (A110 Légende)

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