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Sián FKP 37: O Lamborghini híbrido “politicamente incorreto”

Sim, a Lamborghini tem agora um híbrido, mas esta é só parte da história. Porque uma marca com tantos excessos históricos nunca poderia limitar-se a ser “politicamente correta”. No Sián FKP 37, agora lançado, a energia elétrica está ao serviço da emoção. Sem concessões.

Na linguagem de Sant’Agata Bolognese, Sián é um raio, uma descarga elétrica que cai sobre a estrada numa forma ainda mais estrondosa do que aquela que já nos habituara a marca criada em 1963 por Ferruccio Lamborghini para,

nas suas palavras, produzir “o melhor desportivo do mundo”.

 

 

O novo Lamborghini Sián é um híbrido com ficha técnica de super-desportivo: 819 CV, que fazem dele o Lambo mais potente de sempre; aceleração de 0 a 100 km/h em 2,8 segundos; velocidade máxima superior a 350 km/h. E um número que também diz tudo: as 63 unidades produzidas foram vendidas mesmo antes do lançamento. Uma delas vem para Portugal.

 

 

Numa era em que a eletrificação da mobilidade é um dado adquirido e aponta o futuro, os automóveis híbridos tornaram-se um dos exemplos de racionalidade. Mas a Lamborghini não nasceu para ser bem-comportada. Ou para ser “normal”. Por isso, o Sián FKP 37 coloca a tecnologia híbrida ao serviço da performance pura, do prazer de condução e das emoções fortes. É todo um novo paradigma na forma de olhar os desportivos e, se quisermos ir mais longe, uma “profissão de fé” na paixão pelo automóvel. A tal que nunca poderá desaparecer, a bem da própria indústria.

Falar de um Lamborghini dos tempos atuais é mergulhar em tecnologia de ponta. Em especial nos seus últimos modelos, como é o caso deste Sián, animado por uma motorização híbrida que junta um V12 a gasolina com um motor elétrico de 48V. Sim, é um híbrido, mas na Lamborghini nada é tão simples assim. Exemplo disso é a produção de energia elétrica para a locomoção, que dispensa as baterias convencionais, tal como as conhecemos…

O Sián FKP 37 é o primeiro caso de aplicação de super-condensadores para alimentar uma motorização. A tecnologia estreou-se no Aventador, mas apenas tendo como função o fornecimento de energia para o start-stop e pouco mais. Agora, foi “promovida” e desempenha um papel fulcral na alimentação do motor elétrico. Para isso, evoluiu vigorosamente ao ponto de armazenar dez vezes mais energia, sendo três vezes mais potente que uma bateria da mesma dimensão, e tendo um terço do peso (34 kg no total) de uma bateria com potência similar. As dimensões compactas, menor peso e débito fulminante são, assim, a receita certa para o que se pretende do Lamborghini de topo.

O que é um “super-condensador”?

A solução híbrida do mais potente Lamborghini de sempre é o que investigadores já definiram como “um corredor de 100 metros, em oposição ao clássico híbrido com baterias de iões de lítio, o maratonista”.

Esta tecnologia tem um nome digno de aventura de ficção científica – “super-condensador” – e, na prática, traduz-se pela capacidade de carregar e descarregar milhões de vezes sem degradação e, acima de tudo, de o fazer de uma forma muito mais rápida que uma bateria. Exatamente aquilo que se necessita num super-desportivo. A sua aplicação não é ainda muito corrente atendendo aos custos de produção e, claro, ao facto de nem todos os veículos necessitarem das elevadíssimas e repentinas intensidades de energia de um carro de alta performance.

No Sián, a cada travagem, e graças a um avançado sistema de regeneração de energia desenvolvido em específico pela Lamborghini, o super-condensador do Sián carrega na íntegra. Do outro lado do processo, entrega de energia, esta fica disponível imediatamente e com tensões elevadas, até que se atinge os 130 km/h, velocidade a que se desliga, por ser sobeja a disponibilidade do V12 a gasolina. A rapidez do processo de carregamento-entrega, só possível com um super-condensador, permite acompanhar as solicitações constantes da condução desportiva.

Com este sistema único híbrido obtém-se o máximo de potência através da solução mais leve, como se o Sián, auxiliado pelo motor elétrico de 48 volts incorporado na caixa de velocidades – a primeira vez um propulsor deste género está ligado diretamente às rodas –, saísse disparado a cada aceleração profunda, na qual reduz 10% do tempo face ao que permitiria a solução exclusivamente de combustão interna: são apenas 2,8 segundos para chegar aos 100 km/h, o recorde nos cronómetros da Lamborghini.

O inovador sistema é também mãos-largas no rendimento em relações de caixa mais baixas, e até consegue beneficiar a colocação da potência no asfalto – a tração é melhorada até 10% em terceira velocidade e, face ao Aventador SVJ, reduz em 1,2 segundos a aceleração entre os 70 km/h e os 120 km/h.

A combinação do motor de combustão e a energia elétrica resulta em 819 cavalos, dos quais 34 cv obtidos pelo propulsor elétrico posicionado num espaço entre o habitáculo e o motor a combustão V12, de 785 cv.

Este V12, o pináculo dos motores em qualquer construtor mundial, e que a Lamborghini coloca no topo da sua gama, é purista – porque aspirado, sem turbo –, mas de olhos no futuro, numa combinação com tecnologia híbrida inédita.

Homenagem a Piech

O Lamborghini Sián FKP 37 chega numa altura em que a Lamborghini detém o portefólio mais rico de sempre, incluindo o conceito mais procurado no mercado automóvel global, o dos SUV, com o Urus. Agora, na sua faceta mais irreverente, dos desportivos “galácticos”, a fasquia elevou-se com um automóvel que marca um território de emoção que contém o ADN mais puro da história da marca.

Também por isso, por ocasião do lançamento, a Lamborghini fez questão de dedicar este modelo ao homem que em 1998 decidiu dar à marca do símbolo do touro o fôlego financeiro do grupo Volkswagen, numa aquisição feita através da Audi AG. O “FKP 37” acrescentado à designação “Sián” é uma homenagem a Ferdinand Karl Piëch, nascido em 1937, e falecido a 25 de agosto último.

Além da paixão reconhecida por automóveis, o austríaco que presidia ao grupo Volkswagen quando a Lamborghini foi resgatada de um caminho de dificuldades, era também um pragmático: “Sempre me vi como uma pessoa de produto, e confiei no instinto para responder à procura de mercado. Os negócios e a política nunca me distraíram do núcleo da nossa missão – desenvolver e fazer carros atrativos”.

Stefano Domenicali, presidente da Automobili Lamborghini, afirma que o Sián FKP 37 “dá o devido reconhecimento do papel que Piëch, e o Grupo Volkswagen, desempenhou no apoio à nossa florescente marca, bem como a pressagiar a rota inovadora da Lamborghini para o futuro”. O homem forte de Sant’Agata Bolognese revela a gratidão a Piëch, “um engenheiro e um inovador, que apreciava particularmente o apelo do icónico motor V12 da Lamborghini, sobre o qual o Sián FKP 37 combina hoje tecnologias híbridas pioneiras”.

Ferdinand Piëch já não pôde acompanhar as primeiras reações de assombro quando os responsáveis da Lamborghini tiraram a cobertura verde que cobria o Sián número 63 no Salão de Frankfurt, no princípio de setembro. Debaixo do pano saiu uma criação ímpar.

No Sián, tal como já tinha sido no Terzo Millennio, foi abraçada a “Linha Gandini”, tornada icónica na Lamborghini quando Marcello Gandini desenhou o Countach da década de 1970 – depois de já ter sido responsável pelo design do Miura. Mitja Borkert, líder da equipa do Centro de Estilo da Lamborghini, assume que o Sián “é a interpretação futurista do ADN de design do Lamborghini Countach”. Por isso, não fugiu do característico “periscópio”, o tejadilho parcialmente em vidro, ou dos faróis com seis luzes num espaço hexagonal.

“É o ADN de design 101% Lamborghini em cada milímetro de um carro que é inspirado pelo Countach. Pode-se olhar para a frente, para o topo, para o lado, para a traseira, em cada milímetro há por dentro o Countach, mas é um design para o futuro” – as palavras de Borket resumem o espírito do Sián e da própria marca. Por muita tecnologia que exista, a emoção nunca acaba. É assim desde o Miura e, pelo que se vê, será assim para sempre em Sant’Agata Bolognese.

(Newsroom SIVA)

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