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As 7 gerações do Volkswagen Golf

É impossível imaginar a era moderna do automóvel sem o Golf. Companheiro de dezenas de milhões de pessoas ao longo de mais de 40 anos, é familiar, utilitário, desportivo, mas, acima de tudo, sempre igual a si próprio. E pensar que tudo isto começou com meia dúzia de traços a lápis num estirador italiano…

A melhor forma de perceber o brilhantismo de uma ideia é colocá-la no seu tempo. O calendário tem esse dom tremendo: esmaga os excêntricos e eterniza os génios. Recuemos então a 1974, ano de nascimento do Volkswagen Golf.

Num mundo que vivia a ressaca da crise petrolífera, começavam a dar os primeiros passos algumas tecnologias como os gravadores de vídeo e a luta entre o VHS e o Betamax estava prestes a entrar em casa. Por falar em lares, este era também o tempo em que o micro-ondas emergia como representante de um novo mundo de refeições quentes em pouco segundos. Videojogos? O pac-man nem sequer era um sonho. Computador pessoal? A ideia até já germinava, mas o processador mais pessoal que existia era mesmo o da máquina calculadora de bolso. iPod? O primeiro walkman só chegaria no final da década – e apenas porque o senhor Masaru Ibuka, da Sony, não queria largar a sua ópera enquanto viajava de avião. E deixemos de lado coisas como “telemóvel” ou “internet”. Nestes casos, nem as palavras estavam inventadas.

Olhar para o mundo tal como ele era há 43 anos é contemplar um enorme anacronismo. Mas foi neste lugar “estranho” – como viviam eles sem internet? – que nasceu um conceito que dura até aos dias de hoje: o Volkswagen Golf.

Na apresentação internacional da sétima geração do Golf, um jornalista do britânico “Telegraph” colocou assim as coisas em perspetiva: “Alguém que duvide que esta é a melhor altura para viver em toda a história da Humanidade não leva em conta o Volkswagen Golf – e, acima de tudo, não conhece a sua última versão. Enquanto melhoria da nossa vida pessoal e fator de liberdade, o Golf tem de estar a par com câmaras digitais, relógios infalíveis e botas absolutamente impermeáveis. É uma das melhores coisas da nossa era”.

O nascimento de um ícone

O Golf nasceu em Itália, no estirador de Giorgietto Giugiaro, um dos maiores nomes do design automóvel. Na altura dava os primeiros passos com a sua ItalDesign, o gabinete de estilo onde haveriam de nascer mais de 200 modelos para as maiores marcas de automóveis, entre os quais ícones tão importantes quanto o BMW M1, o Lotus Esprit, o De Lorean DMC-12 e, mais recentemente, o Lamborghini Gallardo.

A história desta relação com a Volkswagen é contada na primeira pessoa pelo próprio Giugiaro. “É um episódio muito interessante. Kurt Lotz, então presidente da Volkswagen, visitou o Salão de Turim em 1969 e, juntamente com a sua delegação, fez uma lista dos seis carros que mais tinham gostado. Eram modelos de marcas diferentes, mas eu tinha desenhado quatro deles… Foi então que disseram: ‘quatro dos favoritos foram desenhados pela mesma pessoa? Queremos!’ O telefone tocou na minha jovem companhia ItalDesign poucos dias depois. Era o importador italiano da Volkswagen, que me disse – ‘Eles querem que tu vás a Wolfsburgo!’ E lá fui, em Janeiro de 1970”.

Já na Alemanha, Giugiaro, então com 32 anos, ouviu da boca de Kurt Lotz qual era a missão: “Queremos que desenhe o sucessor do Carocha”. Assim mesmo, direito ao assunto, à boa maneira alemã. “E ficaremos satisfeitos se o espaço interior corresponder ao que é oferecido pelo Carocha”, disse ainda Lotz.

Claro que nada é tão simples assim.

“A Volkswagen – explica Giorgietto – sabia que tinha em mãos a responsabilidade de produzir um sucessor para o carro de massas, mas tinha também a perfeita consciência de que este tinha de estar de acordo com as tendências do momento”. A marca alemã, mais do que nenhuma outra, tinha em mãos um sucesso histórico, mas sabia que não ia durar para sempre. Era necessário voltar a inovar. Mesmo antes de falarem com o designer italiano, os responsáveis de Wolfsburgo já haviam feito o “trabalho de casa”: “Tinham tudo estudado. Recebi deles as dimensões clássicas, tais como comprimento, distância entre eixos, até as cotas interiores e os motores”, recorda o italiano.

O projeto arrancou e a experiência industrial de Giugiaro foi providencial na relação com a Volkswagen. As linhas simples do Golf eram também uma forma de adequar o modelo a uma produção que se iria medir em milhões de unidades. “Todo o projeto foi pensado detalhadamente desde o início, incluindo as componentes económicas, industriais e de mercado. Também por isso este carro foi um sucesso tão grande”, comenta Giorgietto Giugiaro. Perante a grandeza da ideia, o designer hoje nem se incomoda muito com as alterações à forma ditada pela função – os desenhos iniciais incluíam, por exemplo, faróis quadrados na dianteira, algo que na altura era bem mais caro do que as tradicionais óticas redondas, que acabaram por prevalecer.

Evoluções

Uma a uma, cada geração do Golf trouxe novidades importantes. Uma evolução da espécie que faz deste modelo da Volkswagen um verdadeiro “camaleão” capaz de se adaptar ao seu contexto.

GOLF I (1974-1983) – Todos olharam para ele como o sucessor do Carocha. Mas ele cortou com tudo: linha retas, em vez de formas redondas; motor à frente refrigerado a água, em vez do velho bloco atrás arrefecido a ar; tração dianteira, em vez de tração atrás. Um conceito hatchback, de três ou de cinco portas, com uma porta traseira a dar amplo acesso à bagageira. Tudo novo. E bem-sucedido – pouco mais de dois anos depois do lançamento, o Golf já tinha vendido dois milhões de unidades. Mas acima de tudo tinha estabelecido uma classe de mercado – o segmento Golf. E a história continuava sem parar… Em 1976, outro trend-setter, o GTI. Pouco tempo depois, mais um rasgo visionário e outra sigla histórica – GTD, ou a chegada do turbo-diesel. Antes de se despedir, o Golf I ainda teve tempo para surgir numa versão elétrica (em 1979!), o CityStromer, uma série limitada a 25 unidades que fica para história como o primeiro carro elétrico produzido para o uso diário.

GOLF II (1983-1991) – Maior e mais aerodinâmico, o Golf volta a ajustar-se ao seu tempo e a lançar marcos pioneiros. O ABS e os catalisadores entram no léxico da indústria, a par de motores mais eficientes. Para além disso, torna-se o primeiro carro de grande produção a ser construído com painéis galvanizados. Em 1988, o Golf atinge as 10 milhões de unidades vendidas e alarga a sua presença a cada vez mais mercados. É uma geração que mostra também a versatilidade sem limites deste conceito, surgindo as primeiras versões Syncro, de quatro rodas motrizes, a par das Country, com ares de SUV… E claro que não poderia passar sem referência as unidades sobrealimentadas pelo compressor G, dando origem aos hoje míticos G60. É também nesta era que surgem os primeiros motores de quatro válvulas por cilindro. Um dos Golf clássicos mais desejados é precisamente o 16V-G60, de 210 cv.

GOLF III (1991-1997) – A maturidade revela-se em todas as frentes. O Golf III, novamente maior que as versões precedentes, passou a oferecer ABS de série em 1997 e causou sensação com o motor VR6, um seis cilindros compacto que estabeleceu uma nova fasquia. Esta geração é especialmente importante por dois factos determinantes na vida do Golf: a estreia de uma versão carrinha, denominada Variant, e, claro, a introdução dos motores TDI, (mais uma) sigla que marcaria o ritmo de toda a indústria automóvel. Primeiro nas versões de 90 cv e, depois, nas de 110 cv, estas motorizações passariam a ser as mais procuradas e aquelas que atraiam mais clientes de outras marcas. E até de outros segmentos de mercado…

GOLF IV (1997-2003) – O “statement” deste novo Golf ficou logo bem claro para quem se sentou nele pela primeira vez, no Salão de Frankfurt de 1997. A quarta geração ficava para sempre marcada como aquela em que este modelo da Volkswagen se assumia como um compacto com padrões e equipamentos até então reservados às classes superiores. A envolvência dos interiores, o rigor dos materiais, até o painel de instrumentos com aquela cor única, de tons violeta, marcavam a diferença para tudo que havia sido feito no segmento C. Este foi também o primeiro a oferecer, a partir de 1999, o ESP de série. E novos marcos históricos… o lançamento do R32, animado por 3.2 V6 de 241 cv (de tão boa memória), o qual ainda incluiu outra estreia marcante para a indústria no seu todo: a caixa DSG, de dupla embraiagem.

GOLF V (2003-2008) – Se o Golf IV elevou a fasquia ao nível de interiores, o Golf V foi ainda mais longe, desta vez no comportamento dinâmico e em toda a sensação de condução. Desde o início ficou percetível o patamar dinâmico próprio de classes superiores do mercado. Este melhoramento ficou a dever-se à utilização de configurações de suspensões e chassis inteiramente novas: a frente foi totalmente redesenhada, enquanto a suspensão traseira passou a oferecer uma solução multi-link, num conjunto que coabitava na perfeição com a direção eletromecânica de grande precisão. Seguindo uma estratégia já adotada no Golf IV, esta geração apostou nos equipamentos de segurança como elementos de série, juntando aos já “tradicionais” ESP e ABS, a presença de seis airbags. Entretanto, em 2007, a “saga” Golf somava e seguia – saía da fábrica a unidade número 25 milhões.

GOLF VI (2008-2012) – Novo salto nos equipamentos de segurança, com uma nova geração de ESP e airbags para os joelhos como dotações de série. Mas esta geração do Golf destaca-se também pela forma como trouxe para o segmento tecnologias que começavam a fazer o seu caminho no mercado automóvel. O chassis auto-adaptativo, estacionamento automático ou o controlo de distância passaram a estar disponíveis. A gama trouxe ainda outras surpresas, tais como o regresso do cabriolet, agora sem o arco de segurança. E é também nesta geração que surge o primeiro GTI “descapotável” da história do Golf.

GOLF VII (2012) – O maior salto tecnológico entre gerações: uma família de motores a gasolina totalmente nova e, pela primeira vez, a presença de uma versão elétrica e plug-in híbrida. Esta é também a versão que introduz, de série em todos os modelos, os sistemas start-stop e de recuperação de energia. A linha de motorizações Bluemotion, orientada para a eficiência de consumos, ganha preponderância, em especial com o motor 1.6 TDI, que, com os seus 3,4 litros/100 km ganha a certificação energética A+. Mas o Golf VII não se fica por aqui. O GTI, que celebrou 40 anos em 2016, regressou com mais força do que nunca: 220 cv, ou 230cv na versão Performance. Fica também para a história o Golf R – 300 cv de pura emoção.

GOLF VII (2017) – A sétima geração do Golf recebeu uma evolução, respondendo à velocidade da tecnologia. A frente e a traseira receberam um facelift, no qual pontifica a iluminação por led, mas é no interior que estão as maiores novidades, incluindo o controlo por gestos, painel de instrumentos digital e todo um conjunto de soluções de conectividade. Os motores apostam na eficiência energética, nomeadamente nas cilindradas mais baixas, ao mesmo tempo que as versões híbridas e elétricas ganham um lugar de destaque inédito na gama.

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