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#Ensaio – Toyota GR Supra – Samurai germânico

A nova geração do Toyota Supra inclui componentes alemães e é fabricada na Áustria, causando azia aos fãs deste modelo. Mas… esqueça isso! O Supra é um carro incrível!

Desde que surgiram as primeiras impressões sobre este novo modelo que se criou uma espécie de obrigação de comentar o facto de ter sido desenvolvido em conjunto com o BMW Z4. Os mais puristas e os entusiastas das versões anteriores deste modelo saíram para a rua e para as redes sociais, dizendo que era um erro e que a marca nunca o deveria ter feito, que o motor devia ser trocado por um dos blocos do Supra anterior e diversas outras coisas que, sinceramente, já soam a um tema mais do que falado e que na nossa opinião nem sequer tem grande razão de ser.

Sim, a parceria com a BMW é uma realidade e ainda que a Toyota pudesse ter criado um novo desportivo com outro nome, em vez de invocar um dos seus ícones de eleição, uma vez que acabou por mudar um pouco o rumo da linhagem que a marca nipónica tem seguido, a questão é que este novo modelo é apaixonante de conduzir desde o primeiro momento e cumpre na perfeição o desejo da marca de colocar no mercado um novo desportivo interessante além do seu GT 86.

No que diz respeito à estética, as linhas do novo Supra têm uma linguagem muito própria de traços nipónicos e se a secção dianteira cria dúvidas com facilidade, a secção traseira é algo realmente apaixonante e um dos desenhos melhor conseguidos das últimas décadas do mundo automóvel. Saídas de escape de grandes dimensões, um extrator de ar com o farol de nevoeiro colocado ao centro como na fórmula 1, uma asa traseira integrada de dimensões generosas e umas óticas de desenho esguio que compõem todo o conjunto, são apenas alguns dos detalhes que gostamos de descobrir neste modelo.

As jantes de liga leve com 19 polegadas de diâmetro têm um desenho apaixonante e as diversas asas e arestas fazem com que todo este conjunto fique ainda mais apelativo. Claro que nem tudo poderia ser perfeito e também há elementos que apenas nos fazem encolher os ombros, tal como as letras Toyota na traseira, encaixadas mesmo por cima do logo Supra e por baixo do badge da marca, que eram totalmente desnecessárias ou a quantidade infindável de entradas e saídas de ar falsas, que tentam aumentar ainda mais o visual desportivo, mas que já não conseguem convencer o cérebro de quem gosta de automóveis de uma forma tão fácil. Principalmente depois de este ter de bater quase sempre no tejadilho do carro, sempre que entramos ou saímos do Supra, graças a uma linha muito descendente e baixa.

Já no habitáculo, a preocupação da Toyota em fazer algo diferente, ficou resumida ao desenho do tablier, dos painéis das portas, dos assentos desportivos (que oferecem uma excelente posição de condução mas que poderiam estar numa posição ainda mais baixa) e do interessante e desportivo painel de instrumentos com o conta-rotações colocado mesmo ao centro. É que aqui, a parceria com a marca alemã é muito mais evidente e reconhecemos de imediato diversos componentes como o comando da caixa de velocidades, o comando rotativo do iDrive, o próprio grafismo do sistema, as hastes dos piscas, os comandos dos vidros elétricos, o volante (que ainda por cima é proveniente de modelos mais antigos) e até a chave do carro. Tudo isto são componentes com precisamente o mesmo desenho que já conhecemos de dezenas de modelos da marca bávara e que nem sequer são a sua solução mais recente e inovadora. E este sim, é um dos contras que apontamos ao novo Supra.

De resto, muitos dos componentes que também já conhecemos dessa mesma marca, aliados a diversos outros e inúmeras afinações, deixaram este modelo com uma acutilância dinâmica que poucos Toyota conhecem. Se quando o CEO da marca afirmou que queria deixar de produzir carros aborrecidos, já tinha ideias como esta em mente, a marca pode muito bem estar no caminho certo para deliciar as pessoas que adoram estar ao volante numa estrada de montanha, com um modelo em que seja possível perceber tudo o que está a acontecer e que nos transmite uma sensação de satisfação como apenas os melhores conseguem fazer.

Para isso, está presente um centro de gravidade que consegue ser ainda mais baixo que o do GT86, uma distribuição de pesos perfeita entre os dois eixos, com 50 por cento do peso em cada um deles, um rigidez torsional bastante elevada (melhor ainda que o Lexus LFA, por exemplo) e o motor que é praticamente umas das obras de arte mais conhecidas de Munique, que é o bloco de seis cilindros em linha que também já conhecemos de diversos modelos, mas pelos melhores motivos.

Tudo isto, em conjunto com uma direção híper precisa, um sistema de travagem mais desportivo, um diferencial traseiro ativo, com um chassis afinado meses a fio no Nordschleife e com uma envolvência única entre o homem e a máquina, fazem com que os 1.390 quilos do novo Supra pareçam muito menos e os 340 cavalos de potência muito mais.

A rapidez a que ganhamos velocidade e a agilidade com que enfrentamos uma zona de curvas interlaçadas é algo que nos vai deixar sempre com um sorriso e desejar ter um destes novos Toyota Supra só para nós. Em termos de preço, o valor necessário para que isso aconteça já fica acima dos 80 mil euros, mas o único extra com que tem de se preocupar é mesmo com a cor que vai escolher para a carroçaria. Para nós, este vermelho está perfeito, e é das escolhas que nem sequer influencia o valor final.

VEREDICTO

Independentemente da forma como foi projetado e com quem, o novo Supra é um instrumento de precisão pelo qual qualquer pessoa que gosta de conduzir se vai apaixonar facilmente. As dimensões são mais acanhadas do que as que poderíamos imaginar num Supra, mas o motor é incrível e todo o conjunto faz-nos desejar ter um um.

FICHA TÉCNICA

Toyota GR Supra 3.0 Turbo

MOTOR: 6 cilindros em linha; injeção direta; Cilindrada (cm3): 2.998; Potência máxima (cv/rpm): 340/5.000-6.500; Binário máximo (Nm/rpm): 500/1.600-4.500; TRANSMISSÃO: Tração traseira; Caixa automática de oito velocidades; Suspensão (fr./tr.): Independente, tipo McPherson; Independente, multibraços; DIMENSÕES: Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.379/1.854/1.294; Distância entre eixos (mm): 2.470; Largura de vias (fr./tr.) (mm): 1.594/1.589; Travões (fr./tr.) Discos ventilados/Discos ventilados; Peso (kg): 1.390; Capacidade da bagageira (l): 290; Depósito de combustível (l): 52; Pneus (fr./tr.): 255/35 ZR19-275/35 ZR19; PRESTAÇÕES: Aceleração de 0-100 km/h (s) 4,3; velocidade máxima (km/h) 250; CONSUMOS: combinado/vel.baixa/vel.media/vel.alta/vel.muito alta (l/100 km): 8,2/n.d./ n.d./ n.d./ n.d.; Emissões de CO2 (g/km) 188;

PREÇO: 81.000 euros

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