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Telemóvel ao volante: Mais de 70% dos portugueses culpados!

A Liberty Seguros e a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) apresentaram esta quarta-feira os dados sobre a utilização de telemóveis durante a condução e os resultados não são famosos para os condutores portugueses.

Os dados sobre a utilização de telemóveis durante a condução foram extraídos do estudo “Global Driving Safety Survey”, desenvolvido pela Liberty Mutual para avaliar o comportamento e as atitudes dos condutores em seis países onde a seguradora está presente – Portugal, Espanha, França, Irlanda, Reino Unido e Estados Unidos.

Este estudo, que teve em consideração as respostas de 5004 europeus (1000 portugueses, 1006 espanhóis, 1006 franceses, 992 irlandeses e 1000 britânicos) e 3006 norte-americanos, concluiu que os portugueses estão entre os condutores que mais utilizam o telemóvel enquanto conduzem – 74% – seguidos por 67% dos irlandeses e dos norte-americanos, 58% dos franceses, 55% dos espanhóis e 47% dos britânicos.

Analisando a utilização do telemóvel durante a condução por gerações, do total de entrevistados, 83% são millennials, 76% são da geração X e 62% são baby boomers.

“A geração Millennial já cresceu com estes aparelhos e a principal razão para usarem o telemóvel enquanto conduzem é porque têm medo de perder alguma informação importante, ou de só terem acesso à mesma tarde demais. É o chamado FOMO – Fear Of Missing Out, que aqui se revela ter efeito em áreas sensíveis como a segurança”, defendeu Mike Sample, MS, CPS, especialista em segurança de condução e consultor técnico da Liberty Mutual.

Quanto às formas de utilização do telemóvel, 69% dos portugueses inquiridos admitem olhar para mensagens e chamadas que estão a receber, 52% olham para as notificações, 26% lêem e-mails e mensagens, 25% fazem e enviam mensagens de áudio, 20% utilizam apps, 19% enviam e-mails e mensagens e 18% utilizam apps de redes sociais. Ao mesmo tempo, apenas 13% dos portugueses inquiridos garantem que colocam o telemóvel fora do alcance durante a viagem de carro. Já no que diz respeito ao volume do toque, 73% diz ter o telemóvel a tocar, 9% em silêncio e 18% em modo vibração.

Sistema mãos livres também distrai

Analisando o manuseamento do telemóvel durante a condução, resultados do E-Survey of Road users’ safety Attitudes (ESRA) (Trigoso et al., 2018) onde foram inquiridas 35.036 pessoas (dos quais 998 portugueses), consórcio internacional do qual a PRP faz parte, mostram uma maior utilização do telemóvel nos condutores portugueses, comparativamente à média da União Europeia (EU) – percentagens de pelo menos uma vez nos últimos 30 dias: 37,4% falaram ao telemóvel segurando-o na mão (28,6% na UE) e 65,7% realizaram chamadas com com sistema mãos livres (47,7% na UE).

“A utilização de sistemas mãos-livres, apesar de ser legal, não tem vantagens significativas em relação a falar com o telemóvel na mão, uma vez que a distração cognitiva que provoca (o tipo de distração que mais influencia negativamente a condução) é semelhante à provocada por falar com o telemóvel na mão”, alertou José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa.

Apesar de reconhecerem o risco associado à utilização do telemóvel durante a condução, 43% dos inquiridos portugueses consideram aceitável falar ao telemóvel recorrendo aos sistemas de alta voz (33,8% na UE) e apenas 1,6% considera aceitável falar com o telemóvel na mão (3,5% na UE), o que revela a desvalorização do risco associado à distração cognitiva causada pelos sistemas de alta voz.

“Estes dados sugerem que a dependência do telemóvel e a necessidade de se manterem comunicáveis, quer por questões pessoais ou profissionais, se sobrepõe à consciência de que ao utilizar o telemóvel durante a condução estão a aumentar o risco de se envolverem num acidente rodoviário”, concluiu José Miguel Trigoso.

Na sequência destes estudos, a Liberty Seguros e a PRP irão lançar, até ao final deste ano, uma nova campanha de sensibilização para a utilização dos telemóveis durante a condução, incluindo um alerta pioneiro sobre a utilização do sistema mãos livres.

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