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As ideias (brilhantes) da Skoda

”Simply Clever”: ideias (brilhantes) que facilitam a vida a bordo dos Skoda. Por que razão é que o conceito aparece nesta marca e em nenhuma outra? Talvez seja tudo uma questão de berço.

Conhece a máxima de que “as melhores ideias são as mais simples”? Aquelas criações que só parecem óbvias depois de terem sido inventadas? Há quem lhes chame “ovos de colombo”. No caso da Skoda, é toda uma filosofia que dá pelo nome de “Simply Clever”. Mas o que está por trás desta engenhosa simplicidade? E como é que tudo isto se relaciona com uma das regiões mais românticas da Europa?

Desde uma lanterna amovível na bagageira, sempre à mão, a um suporte para guarda-chuvas no interior da porta que evita molhar o habitáculo, passando por um funil escamoteável que facilita o enchimento do indispensável “esguicha”. Parece fácil depois de ler, não é? Mas a verdade é que ninguém se tinha lembrado disso antes. Muito menos de o colocar a bordo dos carros, como faz a Skoda.

E a marca de Mlada Boleslav até tem uma “Skodapedia” dedicada ao seu Simply Clever e que pode ser vista aqui. São 60 ideias que a marca aplica nos seus carros, invenções de maior ou menor dimensão, mas que, acima de tudo, estabelecem uma relação de proximidade com o utilizador.

O “Simply Clever” da Skoda é mais do que um “soundbyte” ou assinatura de marketing. Esta forma de olhar o automóvel, e de fazer o melhor dele, traduz uma abordagem de atenção ao condutor e aos seus passageiros. Ao mesmo tempo que procura as grandes tecnologias, as cores mais exclusivas e os materiais mais inovadores, também dedica a criatividade às pequenas grandes coisas que tornam o dia-a-dia mais simples na relação do utilizador com o seu carro.

Exemplos? Comecemos por um bem simples: o funil integrado na tampa do reservatório de líquido do lava-brisas. Esta peça tornou-se tão popular entre os profissionais e o público quando se estreou no Scala que passou a ser equipamento de série em todos os modelos Skoda, tendo até integrado a lista de acessórios originais da marca. Se há os tais “ovos de colombo”, este é seguramente um deles. Uma tampa de design tão simples quanto engenhoso, que, ao abrir, se torna num prático e útil funil que evita os conhecidos vazamentos quanto queremos encher o reservatório a partir de uma garrafa de líquido detergente.

Pode achar-se que é coisa simples, mas talvez não seja bem assim. A solução criada pode parecer óbvia à primeira vista, no entanto em muitos casos o caminho para lá chegar é longo e absolutamente labiríntico.

Para merecerem o epíteto de “Simply Clever”, as ideias devem ter um propósito significativo e serem fáceis de usar, para além de passarem no crivo dos vários testes de fiabilidade e segurança.

É Kristýna Nováková, do Departamento de Materiais da Skoda, que explica este processo criativo: “Começamos por adotar uma abordagem ampla que nos permita considerar uma variedade de visões, perspetivas e contextos para alcançar o melhor resultado possível. Examinamos e testamos várias soluções técnicas diferentes em etapas”. Quer isto dizer que não há preconceitos e todas as necessidades são levadas em conta, por muito pequenas que possam parecer. Depois, todas as soluções e ideias são escutadas porque todas encerram em si mesmas o potencial de “Simply Clever”.

Os processos de seleção tecnológica são sempre alvo de metodologias que procuram encontrar, testar e aplicar as melhores soluções, o que não é exclusivo da Skoda ou da indústria automóvel. Mas aquilo que realmente demarca o construtor checo é a sua paixão por estes “gadgets” que são um hino à simplicidade inteligente.

Uma das explicações talvez resida no ADN histórico da marca, que desde o início habituou tudo e todos a retirar estes coelhos da cartola… Basta recuar, por exemplo, ao modelo 110, o primeiro Laurin & Klement a apresentar o nome “SKODA”. Modelo lançado a meio da década de 20 do século passado, apresentava aos clientes uma inovadora carroçaria modular, que permitia converter o carro em várias configurações totalmente diferentes: o 110 tanto podia ser um roadster ou uma limusine de quatro ou de seis lugares. A fila do meio podia ser totalmente rebatida, libertando espaço para as pernas dos passageiros traseiros.

Tudo isto era conseguido graças a um módulo posterior escamoteável, o que deu ainda outra ideia: uma versão em que o compartimento traseiro podia ser substituído por uma… caixa de carga! De limusine a pick-up num mesmo chassis e no mesmo automóvel. Simply clever, não é? Mas havia mais neste camaleónico 110 da Skoda: o para-brisas rebatível era útil em dias quentes e, no caso de um pneu furado, o motorista não precisava retirar a bagagem, graças ao par de rodas sobressalentes facilmente acessíveis nas laterais do capot dianteiro.

Casos como este tornaram-se uma constante ao longo da história da marca – os skis montados no eixo dianteiro dos Skoda Popular dos anos 30 são outro tributo à criatividade bem sucedida dos engenheiros da marca – mas continua a pergunta: porquê a Skoda? Por que razão esta tendência para o simply clever?

A resposta pode muito bem residir no lugar onde a marca nasceu. A Boémia, situada numa boa parte daquilo que é hoje a República Checa, sempre primou por muito mais do que o romantismo das mais belas florestas europeias ou a vida vibrante de cidades como Praga. Cobiçada por reis e impérios, esta região do centro da Europa foi uma parte fundamental do todo-poderoso Império Austro-Húngaro, particularmente na indústria: em 1913, o número total de fábricas na Áustria era de 17.034; destas, 6.512 estavam na Boémia e 1.729, na Morávia (região vizinha e que é a parte oriental da República Checa). Após a Primeira Guerra Mundial, o império Austro-Húngaro implodia e a Boémia e a Morávia tornaram-se ambas parte do novo estado da Checoslováquia (as atuais República Checa e a Eslováquia).

Tudo isto para dizer que, por alturas do nascimento da Skoda, a Boémia era um dos grandes polos aglutinadores de progresso tecnológico na Europa. Este balanço na passagem do século XIX para o século XX viria a constituir uma herança que se revelou também nas pessoas e no seu empreendedorismo e criatividade. Há um ditado checo que diz “Os checos têm mãos de ouro e cabeças inteligentes”, o que – como nos explicou um dia um habitante de Praga – traduz a conhecida propensão das gentes deste país para a engenhosidade.

Foi assim que a terra do compositor Antonín Dvořák ou de Bertha von Suttner, a primeira mulher a receber o Nobel da Paz (em 1905!), viu nascer contributos marcantes para a história das invenções e da tecnologia. Umas nasceram de investigações aturadas, como é o caso de Otto Wichterle e as lentes de contacto, ou Jan Evangelista Purkyně e a descoberta de que cada um de nós tem impressões digitais únicas, outras nasceram de rasgos criativos só acessíveis a mentes com capacidade pensarem “fora da caixa”.

Nesta última categoria, aqui fica apenas um exemplo de aparentes “engenhocas” que mudaram a vida de milhões: os cubos de açúcar.

O homem por trás deste item agora comum foi Jakub Kryštof Rad, dono de uma refinaria de açúcar na cidade de Dacice, na década de 1840. Contam a história e os registos que tudo começou nos problemas da sua mulher, Juliana, que se cortava frequentemente enquanto cortava as pesadas e volumosas placas em que o açúcar refinado era fornecido na época. Daí ao “simply clever” mais doce da história foi um instante: Rad desenvolveu uma prensa que cortava as placas em cubos e os embalava automaticamente. O sucesso foi enorme lá em casa e não só: Rad registou a patente em 1843, a qual foi comprada nos anos seguintes por grandes indústrias de nações como a Prússia, Saxónia e Inglaterra.

O resto, como se sabe, é história, mas o que casos como o de Jakub Kryštof Rad nos dizem é que há um certo ADN “simply clever” nos criadores checos. Uma forma de pensar que não renega ideias, sejam elas grandes ou pequenas, desde que sejam boas e que sirvam para melhorar a nossa vida.

Se pensarmos bem, e depois disto, nunca iremos olhar para um Skoda da mesma maneira.

(fonte NewsRoom SIVA)

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